Mostrando postagens com marcador FARC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FARC. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As “conversações exploratórias” de paz: Desmobilização da Narcoguerrilha ou da Colômbia?

Enquanto heroicos militares são encarcerados, o atual governo colombiano, encenando o papel de Kerensky, abre as portas para sanguinários terroristas

As recém-anunciadas “conversações exploratórias” governamentais com a narcoguerrilha — inauguradas oficialmente no dia 4 de setembro de 2012 com inaudita cobertura publicitária — vêm se revelando uma ofensiva psicológica de desmobilização da opinião pública colombiana para fazê-la aceitar reivindicações da narcoguerrilha nas quais estão previstas, entre outras coisas, a Reforma Agrária e a inserção dos chefes guerrilheiros na vida política do País.

Para nos darmos conta do cenário em que as referidas conversações se movem e alguns de seus atores, temos primeiramente Cuba, com seus dois ditadores sanguinários que tentaram inúmeras vezes implantar o comunismo na Colômbia; e depois a Venezuela, com o conhecido apoio de Hugo Chávez à narcoguerrilha e as ameaças — inclusive bélicas — feitas por ele ao governo colombiano por ocasião da morte do guerrilheiro Raúl Reyes.

Por sua vez, na Noruega — país que se ofereceu como mediador e financiador das conversações —, perfila-se como possível participante das conversações o ex-vice-chanceler Jan Egeland. Atual diretor para a Europa do Human Rights Watch, organização reconhecidamente de esquerda, ele viveu durante muitos anos na Colômbia e atuou como delegado da ONU nas desastrosas negociações de paz de El Caguán, um ‘santuário’ de 42.000 km2, destinado pelo governo de Andrés Pastrana à guerrilha, no qual o Exército estava proibido de entrar.

Esse ambiente filocomunista em torno das conversações de paz está também presente internamente na Colômbia. Após 14 anos, membros do Partido Comunista estiveram no Palácio de Nariño, sede do governo, para oferecer sua colaboração ao presidente Santos. Idêntica colaboração lhe foi oferecida por Gustavo Petro, ex-terrorista e atual prefeito de Bogotá, entusiasta da iniciativa presidencial e que por experiência própria sabe quão maiores são as vantagens auferidas pela guerrilha com a política que com as armas.

Um “Kerensky colombiano”

Embora o presidente Santos tenha colocado um ou outro colaborador de matiz não esquerdista – inclusive dois generais – na sua iniciativa de paz, este fato não lhe tira a sua extrema gravidade, e de algum modo até contribui para tranqüilizar a população. Ademais, como colocar ao lado de pessoas dessas uma ex-senadora Piedad Córdoba, que embora não figure como participante oficial nas negociações já se anunciou que terá papel relevante no resultado das mesmas? Como dirigente das “Marchas Patrióticas”, uma espécie de MST colombiano, ela tem conhecidos nexos com as Farc e recentemente incitou os índios do Cauca a se insurgirem contra o governo.

Também notório é o papel a ser desempenhado pelo ex-sindicalista Luis Eduardo Garzón. Prefeito de Bogotá de 2004 a 2007 pelo partido de esquerda Polo Democrático — ao qual pertencia o atual prefeito —, Lucho Garzón já havia participado em conversações de paz com as guerrilhas em Mainz, na Alemanha, no ano de 1997. Essas conversações foram cercadas do maior sigilo e contaram com o apoio das Conferências Episcopais da Alemanha e da Colômbia. Lucho foi agora nomeado Ministro Extraordinário da Mobilização e Diálogos Sociais. Em entrevista concedida à jornalista Maria Isabel Rueda (“El Tiempo”, 3-9-12), ele reconhece não mais existir oxigênio para a luta armada e que atualmente a palavra é mais importante do que as armas.

Fica-se com a forte impressão de que, se as atuais conversações obtiverem o que foi anunciado, depois delas a Colômbia não será a mesma. E se o presidente Santos não puder realizar todas as reformas exigidas pela narcoguerrilha, ele está em todo caso preparando o caminho para que um próximo governo as faça. Um governo com ex-guerrilheiros ocupando cargos políticos diversos, e fazendo através da legislação o que não conseguem alcançar por meio das armas. Com isso Juan Manuel Santos estará representando na Colômbia o papel desempenhado por Kerensky na Rússia pré-comunista, e poderá passar para a História como sendo o “Kerensky colombiano”.

Heroicos militares presos, terroristas livres

Por sua vez, a opinião pública acompanha com apreensão os acontecimentos. Ela vê de um lado as Farc — apoiadas por Cuba e pela Venezuela — serem tratadas como amigas, e de outro lado inúmeros militares sendo condenados a altas penas de prisão, frequentemente com base em testemunhas falsas. Segundo informa a já citada jornalista Maria Isabel Rueda no artigo “Ordem na casa” (“El Tiempo”, 2-9-12), “cerca de 17.000 militares colombianos estão atualmente condenados ou detidos”. Sim, dezessete mil! Ou seja, o número de militares nessa situação é o dobro do contingente de guerrilheiros das Farc, estimados em 8.500!
A mais recente condenação, a 25 anos de prisão, foi a do general Rito Alejo del Río. Embora o próprio juiz tenha reconhecido que ele não cometeu crime, condenou-o sob a alegação de que o general não protegeu um camponês que foi morto por paramilitares na imensa área sob a sua jurisdição! Cumpre lembrar que Del Río, preso há mais de quatro anos, fora destituído do comando de sua brigada pelo ex-presidente Andrés Pastrana por exigência das Farc como condição para as conversações de paz de El Caguán! Apesar de preso, o general continua a incutir medo aos guerrilheiros. ‘Timochenko’, líder máximo das Farc, o atacou no discurso que pronunciou no dia 4 de setembro em Havana, pouco depois de o presidente Santos ter anunciado o início das negociações.

Outro herói nacional em análoga situação é o famoso coronel Plazas. Ele se celebrizou quando em 9 de novembro de 1985 entrou com seus tanques no Palácio de Justiça ocupado por terroristas que queriam pôr a Colômbia de joelhos. Como não o conseguiram, atearam fogo ao Palácio. Enquanto remanescentes ou seguidores desses inimigos da Nação ocupam hoje prestigiosos cargos públicos, o coronel foi condenado a 20 anos de prisão, com base em uma testemunha que se provou ter sido falsa.

O genial cérebro da famosa “Operación Jaque” (xeque-mate) — a qual, sem disparar um só tiro, libertou Ingrid Bittencourt, três norte-americanos e onze soldados colombianos — pode ser hoje visto no pátio da prisão militar onde está confinado. Só que transformado em “major-padeiro”, vendendo seus pães... Não espantaria se a causa de sua condenção tiver sido por enganar a “boa fé” dos guerrilheiros fazendo-os embarcar em avião do Exército ostentando o emblema da Cruz Vermelha... É assim que trata os seus heróis um governo tão solícito em negociar com terroristas assassinos prenhes das mais sinistras intenções!
Mais escandaloso, por fim, é o caso do general Jaime Uzcátegui. Encontra-se preso há treze anos, tendo sido condenado a uma pena de 40 anos por um crime cometido por paramilitares em uma área que nem sequer era de sua jurisdição!

Teologia da Libertação — o vergonhoso papel da esquerda “católica”

Infelizmente esta é a situação. Enquanto nas relações do governo com a narcoguerrilha reinam a confiança e o desejo de acordo, a ponto de ambos declararem que não se levantarão da mesa de negociações enquanto a paz não tiver sido selada (satisfazendo a guerrilha, entre outras coisas, com uma Reforma Agrária socialista e com preciosos privilégios políticos, como já assinalamos), em relação aos militares rondam a suspicácia, a animadversão e a prisão!

Diante de tudo isso, a Conferência Episcopal mais uma vez sai à frente... para apoiar a temerária iniciativa presidencial de negociação com a narcoguerrilha. No que ela é superada somente por alguns sacerdotes jesuítas, entre os quais se destaca o padre Javier Giraldo Moreno. Há quarenta anos à frente do Centro de Investigação e Educação Popular — CINEP, um think tank da “Teologia da Libertação”, o padre Giraldo é um dos principais inimigos dos militares e não oculta sua simpatia pelo regime comunista cubano. Vejamos a seguinte notícia, publicada em 15 de agosto de 2012:

“O padre Giraldo celebrou os 86 anos de Fidel Castro — O padre jesuíta Javier Giraldo juntou-se a vários colombianos para celebrar o aniversário número 86 de Fidel Castro no auditório da Associação Distrital de Educadores de Bogotá (ADE). O defensor dos Direitos Humanos celebrou uma eucaristia ambientada com a bandeira de Cuba e imagens do líder. Assistiram funcionários da Prefeitura e diplomatas da embaixada de Cuba na Colômbia” (http://www.kienyke.com/confidencias/el-padre-giraldo-celebro-los-86-anos-de-fidel-castro/).

Esse grande admirador, não de Santo Inácio de Loyola, mas de Fidel Castro, o é também do ex-guerrilheiro padre Camilo Torres, de cuja obra se diz continuador. No tocante à superioridade da luta ideológica sobre a bélica, ele pensa, aliás, do mesmo modo que aqueles que querem trazer para essa arena os hoje enfraquecidos líderes guerrilheiros. Sob o título “O polêmico Padre Javier Giraldo”, ele é assim descrito no site do CINEP:

“Desde aquele encontro distante [com o padre Camilo Torres], o padre Giraldo soube que sua vida estaria dedicada a defender os oprimidos. Como todos os colombianos da época, viveu a incerteza de não saber o que havia acontecido ao desaparecer Torres da cena pública, em dezembro de 1965, até quando se soube em janeiro do ano seguinte, que havia ingressado no ELN [Exército de Libertação Nacional]. Em 16 de fevereiro desse ano morreu em seu primeiro combate. Javier entendeu desde então que continuaria sua obra, mas por um caminho diferente do das armas. Seguiria os passos dos padres de Golconda, de monsenhor Valencia Cano e de tantos outros comprometidos com a Teologia da Libertação”.


Quanto ao alcance dessa via de pacificação, cumpre recordar aqui o que José Dirceu certa vez escreveu como tendo ouvido de Fidel Castro: o ditador disse que teria evitado muitos erros, se no início da revolução cubana tivesse conhecido a “Teologia da Libertação”.

No momento em que a Rússia fala em reinstalar bases militares em Cuba e o câncer bolivariano deita metástases no Continente, a Colômbia está numa encruzilhada: ou continua fiel às suas tradições católicas e enfrenta a narcoguerrilha, ou se deixa manipular por sinistros complôs orquestrados sob o bafejo de Cuba, da Venezuela e da “Teologia da Libertação” para empurrá-la à situação em que hoje gemem os países dominados pela tirania comunista.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Enquanto as FARC rearticuladas atacam, seus opositores militares purgam na cadeia!



A Colômbia sob o governo de Álvaro Uribe era o único país latino-americano que vinha tomando uma atitude firme e coerente em face da subversão comunista coadjuvada pelo bloco bolivariano, travando contra as FARC uma vitoriosa guerra, em visível contraste com a política entreguista e concessiva dos governos anteriores.

Contudo, colaboradores da narcoguerrilha aninhados em movimentos de direitos humanos e Ongs da mesma orientação, prevalecendo-se de uma brecha deixada por Uribe – a transferência do foro militar para a alçada civil – vêm obtendo das instâncias judiciais a prisão de milhares de militares, acusando-os da prática de crimes diversos.

Entre eles encontra-se a elite das Forças Armadas, cujos membros são detentores de uma inigualável folha de serviços prestados à Colômbia e, por consequência, ao continente. Assim, nada menos que seis generais, trinta coronéis, centenas de oficiais e suboficiais figuram entre os 2.420 militares atualmente presos.

Estão, por exemplo, nessa situação, o general Del Río e o coronel Plazas, ambos da reserva. O primeiro foi o mais destacado comandante militar colombiano na luta contra a subversão, tendo sido destituído pelo governo claudicante do ex-presidente Andrés Pastrana por imposição das FARC. E o segundo ficou imortalizado pela sensacional invasão e resgate, em 1985, do Palácio de Justiça (foto acima), ocupado por terroristas do M-19. Enquanto o general Del Río aguarda na prisão há cinco anos por julgamento, o coronel Plazas foi recentemente sentenciado a pagar 30 anos de reclusão por conta de uma acusação cujo autor se desconhece...

Figuram ainda, entre os presos, um coronel que foi um dos militares mais condecorados, considerado um dos maiores oficiais colombianos de todos os tempos (na prisão há cinco anos aguardando julgamento), e o major responsável pela organização e execução da espetacular Operación Jaque (xeque-mate), em decorrência da qual foram libertados, sem necessidade de um só tiro, Ingrid Bettancourt e diversos reféns da narcoguerrilha farcista.

Enquanto defensores da Pátria são assim jogados inexoravelmente nas prisões, ex-guerrilheiros ocupam cada vez mais posições de destaque no cenário político, chegando alguns deles à desfaçatez de propor o desarmamento das pessoas honestas. E os ataques terroristas crescem ao mesmo tempo em todo o país, um dos quais foi perpetrado recentemente em movimentada artéria de Bogotá, ceifando a vida de dois guarda-costas do ex-ministro da Justiça, Fernando Londoño, ferindo a este e diversas pessoas do público.

A ofensiva contra as Forças Armadas adquiriu tal proporção que “El Tiempo”, o principal jornal colombiano, noticiou em sua edição de 25 de junho de 2012, que dos 2.420 militares atualmente presos, somente 16% foram julgados. E que outros cinco mil encontram-se sob investigação. Mas que os atualmente presos que assinarem um termo de aceitação prévia de culpa – de acordo com o referido jornal, 2.200 já o fizeram – terão suas penas mitigadas.

Segundo o jornal, essa clamorosa situação levou o presidente da Associação Colombiana de Oficiais da Reserva, general Jaime Ruiz, a declarar: “Os militares não estão combatendo. Como o país se encontra hoje e com as garantias que está dando a seus soldados, não vale a pena defendê-lo”. A esta declaração – que ele diz traduzir o pensamento dos oficiais da ativa que não podem falar – soma-se uma dura carta enviada pelos militares da reserva ao presidente Juan Manuel Santos, na qual a certa altura dizem: “A Colômbia é o único país do mundo que enfrenta um conflito armado com legislação de paz e sem foro militar”.

“El Tiempo” conclui: “O certo é que muitos dos militares que ontem foram heróis públicos hoje estão na iminência de passar a metade de suas vidas na cadeia”.

Nossa conclusão é que, em nome dos “direitos humanos”, está sendo sacrificada a liberdade não só de valorosos militares injustamente punidos por terem ousado punir a subversão em defesa da Pátria ameaçada, mas a de 45 milhões de colombianos agredidos pelas FARC e que consideram suas Forças Armadas como a instituição de maior credibilidade do País.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FARC e MST

Os leitores medianamente informados devem se lembrar que o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, que combateu rijamente as FARC, havia pedido aos demais países que as considerassem como um grupo terrorista. O governo Lula, amigo de regimes terroristas como os de Cuba, Irã e Líbia, se negou a fazê-lo.

Algo semelhante ocorre agora na comissão encarregada da reforma do Código Penal brasileiro. Ao prever os crimes de terrorismo, ela eximiu cuidadosamente o MST, cujas práticas contrárias às leis e à Constituição não configuram outra coisa. Mas como lhe afixaram malandramente a etiqueta de “movimento social”, esta prevalece para acobertar os seus atos criminosos.

MST destrói fazenda no Pará
MST destrói fazenda no Pará.
Por outro lado, é preciso ser míope para não ver as analogias existentes entre as FARC e o MST, movimentos que inclusive já estiveram lado a lado no Fórum Social de Porto Alegre e cujo objetivo comum é derrubar a atual ordem sócio-econômica dos respectivos países onde atuam para substituí-la pelo socialismo marxista.

E curiosa contradição de governos que se dizem contrários à ditadura e desejosos de consolidar a democracia, mas que favorecem ao mesmo tempo movimentos criminosos que atuam para nos conduzir – e ao Continente – à pior de todas as ditaduras.

domingo, 6 de abril de 2008

CNBB: dois pesos e duas medidas

Durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB que se realiza em Itaici (SP), seu presidente, D. Geraldo Lyrio, declarou que aquela entidade está solidária com o governo Lula no tocante à ação de “desintrusão” dos rizicultores de Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Em se tratando de uma assembléia de Pastores, sua primeira preocupação deveria ser com as conseqüências espirituais e materiais, com o impacto psicológico e moral que a projetada ação governamental terá sobre aquela parcela de seu rebanho. E de como remediá-lo. Mas isso não transpareceu nas declarações. Será acaso por pertencerem à “odiosa” categoria de proprietários que aqueles rizicultores não foram objeto da comiseração da CNBB?

Mas as coisas não param aí. A CNBB tem agido em relação ao governo Lula – apesar de este tudo empreender para a implantação do crime do aborto e de práticas imorais para o controle da natalidade – com um coleguismo escandaloso e perfeitamente compassado.

Assim, de um lado, através da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ela se arremete contra os produtores rurais pelo Brasil afora e defende o MST, o qual, naturalmente, não considera intruso em terra alheia. Porque, neste caso, a propriedade “é um bem de todos”.

De outro lado, não impede que o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entre inúmeros desmandos, se insurja contra outra categoria de proprietários: os denodados brasileiros rizicultores – e não “intrusos” – de Raposa Serra do Sol, que, encorajados pelo governo, deixaram seus lugares para irem desbravar e povoar aquela remota região na década de 1970. Porque aqui – alegam – a propriedade “é um bem exclusivo dos índios”!

Além do mais, dizendo-se a CNBB favorável a que aquelas terras sejam deixadas aos índios, ela se esquece de que uma parcela ponderável dos silvícolas – não “trabalhada” pelo CIMI e por ONGs internacionais, mas que realmente trabalha com proveito a terra, lado a lado com os rizicultores –, apóia a estes decididamente. – Ou os componentes dessa parcela de silvícolas são porventura menos índios do que os outros “conscientizados” pelo CIMI e pelas ONGs?

Com um vizinho tão “simpático” chamado Hugo Chávez, “o pacificador”, o qual acumula enorme quantidade de armas adquiridas da Rússia; com os também “simpáticos” farcistas adentrando nosso território (foram notados pelo menos 40 vezes!), enxotados como estão sendo pelo Presidente Uribe, como não viria a calhar uma extensa região habitada só por índios, sob a tutela do CIMI e de ONGs internacionais!
Caso esse tipo de gente venha a se estabelecer em nosso território, terá a CNBB o mesmo zelo em exigir a sua imediata “desintrusão”?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Aula magna de subversão

Helio Viana

Enquanto os brasileiros vivem a sua rotina – levantam-se, vão ao trabalho e depois retornam às suas casas para se reunirem com suas famílias e prepararem um novo dia –, com a mesma rotina ergue-se, labuta contra eles e volta a seus antros para tramar novas conspirações uma organização subversiva chamada MST, especiosamente rotulada por seus hábeis manipuladores de “movimento social”.

Com fortes apoios em certos meios religiosos e poderes constituídos, o MST tem a missão de coadjuvar o governo na sua marcha rumo ao socialismo. Seu papel é pressioná-lo e obter dele concessões cada vez maiores em matéria de reformas, particularmente a agrária. Pois se a iniciativa de tais reformas partisse do governo, este tiraria a máscara e se indisporia com a opinião pública. A tarefa de “bicho papão” exercida pelo MST deixa assim o governo cômodo para agir, dizendo que está tão-só atendendo os clamores de justiça social de um povo faminto.

O regime feudal baseava-se no binômio proteção-fidelidade: o senhor feudal protegia o servo da gleba e recebia em troca a fidelidade dele. Binômio análogo, embora nos antípodas, dá-se entre governo e MST: o governo lhe dispensa proteção e recebe em troca sua fidelidade.

Apesar de suas invasões – com o conseqüente desrespeito às leis do País – terem neste início de ano aumentado sensivelmente, em vez de ser punido, o MST foi promovido. Com efeito, a seu líder João Pedro Stédile coube uma honra a que poucas notoriedades brasileiras é concedida: foi o convidado especial do reitor Aloísio Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para proferir a aula magna de abertura do ano letivo de 2008, no campus do Fundão.

Diante de uma platéia de cerca de 200 pessoas, entre professores e alunos, aquele agitador profissional desenvolveu o tema “Terra, saberes e democracia”, sendo aplaudido de pé. O que ele disse? Estadeou sua pretensa sabedoria sobre problemas da terra e da democracia, dos quais, como o Brasil inteiro sabe, o MST é grande conhecedor e observador...

Mas o que Stédile de fato revelou em sua aula foi a mais recente estratégia do MST: atacar o trabalho de unidades multinacionais em setores como dos transgênicos e do agronegócio: “Percebemos que nossos inimigos principais agora são as empresas transnacionais. Enquanto houver um sem-terra respirando, vamos lutar para expulsar do País todas as empresas transnacionais que nos exploram na agricultura”, pontificou.

Ou seja, o objetivo dessas como de qualquer outra empresa sendo o lucro, cumpre combatê-las, pois na perspectiva do MST isto é imoral. Como se elas não tivessem também uma função social proporcionada pela mão-de-obra que empregam e pelo próprio fruto desta, a produção, da qual se beneficia toda a sociedade. O MST quer tudo destruir, pois ele só admite a empresa estatal, nos moldes dos falidos regimes comunistas.

Embora tenha se negado a falar de ações planejadas para um “abril vermelho” de invasões, Stédile afirmou que não recuará, mesmo diante da decisão da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Chamou a medida de “idiotice” e “ditatorial”, acrescentando que a Vale do Rio Doce está “desesperada”. Várias outras empresas – Monsanto, Syngenta, Aracruz, Stora Enzo, Votorantin, Bayer etc. – estão na mira do MST.

De mais a mais, que autoridade tem Stédile para dizer e agir assim? Quem lha conferiu? Já que ele discorreu sobre democracia, foi por acaso o povo brasileiro? Pelo contrário, este está farto das atividades subversivas desse movimento e de nenhum modo deseja a mudança do atual regime de livre iniciativa e propriedade privada para o regime socialista de propriedade coletiva tutelada pelo Estado, como o pregado pelo MST e por seus minguados adeptos.

Assim, enquanto do alto de uma cátedra provisória na UFRJ, Stédile se arremete sob aplausos contra a ordem estabelecida e o Judiciário, chegando a chamar de “idiotice” e “ditatorial” uma decisão dele, proprietários rurais são vítimas de invasões, roubos e torturas. Tal foi o caso, entre muitos outros, do advogado Rodrigo Macedo, da Fazenda Iara, em Euclides da Cunha Paulista, que acusado recentemente de revidar uma agressão dos sem-terra – “cet animal est très méchant, quand on l’attaque il se défend!” –, teve ainda que purgar seis dias na cadeia!

Em Andradina, no noroeste paulista, cerca de 80 sem-terra ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) destruíram há pouco nada menos que três mil pés de café da Fazenda Macaé. Disseram que agiram em protesto pela demora da Reforma Agrária. Um oficial de Justiça entregou-lhes uma intimação solicitando retirada imediata. Eles colocaram tratores na porteira para impedir a entrada da polícia. O dono da fazenda, Eduardo José Bernardes Filho, obteve a reintegração de posse na Justiça. Conseguirá retirá-los? E mesmo que o consiga, quem lhe pagará os prejuízos?

Essa é a rotina, o dia-a-dia do Brasil atual. Por detrás das aparências de normalidade existe uma imensa subversão – pouco sentida pelos citadinos, mas não por isso menos real –, que se não for contida poderá nos levar aos descaminhos aos quais as FARC conduziram a vizinha Colômbia.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A “caixa-preta” de Raúl Reyes

Afora as revelações altamente comprometedoras para Hugo Chávez e Rafael Correa, já referidas neste blog, a “caixa-preta” do computador do farcista Raúl Reyes, morto em operações do exército colombiano no início de março, continua a fornecer novas revelações.

A mais recente delas resultou na apreensão na Costa Rica, com espantosa rapidez e precisão em decorrência dos detalhes proporcionados, de uma caixa metálica enterrada em zona rural, contendo a soma de 480 mil dólares. Esta era uma parte do dinheiro destinado a atividades das FARC naquele país, onde os colombianos ocupam o segundo lugar no contingente de imigrantes.

Mais um alarmante sinal para nós, latino-americanos, abrirmos os olhos acerca da realidade que nos circunda, e nos perguntarmos se o narco-terrorismo farcista não deitou metástases em cada um de nossos países, valendo-se para isso da cumplicidade ou da conivência de pessoas colocadas muitas vezes nos mais altos cargos, a exemplo do que vem ocorrendo na Venezuela e no Equador. – Que novas revelações trará a “caixa-preta” de Raúl Reyes?

Em tempo: No momento de postar esta matéria, leio na imprensa de Lima que em Iquitos, capital da Amazônia Peruana com 438 mil habitantes, acaba de ser detido pela Dirección Contra el Terrorismo, mediante ordem judicial, um casal de farcistas. A captura foi considerada “importantíssima” pelo Gen. Octavio Salazar, diretor daquele órgão, uma vez que o guerrilheiro, Johnny Cárdenas, que atende pelo codinome de Tanaka, é um “peso pesado” da Frente 63 das FARC, conhecido especialista em explosivos e armamentos pesados, autor de fuzilamentos de desertores farcistas e de civis que se negavam a colaborar com a organização. Em seu ativo há ainda diversos atentados contra o exército colombiano. Ele atuava na região de Putumayo, junto à fronteira amazônica com o Peru, obedecendo ordens de Joaquín Gómez, sucessor de Raúl Reyes. Segundo fontes da inteligência colombiana, ele entrou clandestinamente no país vizinho – onde provavelmente se encontram outros terroristas – para ampliar as atividades narco-guerrilheiras das FARC.

domingo, 16 de março de 2008

Colômbia: não baixar a guarda!

Os mandatários da Venezuela e do Equador – apanhados em flagrante delito no crime de colaboração com os terroristas das FARC –, com o mesmo despudor com que trataram a Colômbia durante a recente crise que os estremeceu, acenam agora para ela como se fossem excelentes amigos que nunca tiveram qualquer desentendimento. Ou que se por acaso o tiveram, dele haviam perdido a memória.

Ora, como acreditar em palavras e atitudes de quem não respeita nem sequer o tempo – calmo e sóbrio dissipador de rusgas – para, sem renunciar a seus propósitos, transformar a carranca em sorriso e estender, em atitude de amizade, a mesma mão que há pouco empunhava um punhal?

É óbvio que a guinada repentina de Hugo Chávez e Rafael Correa – que por conveniência deve ser mais cauto – é mais uma prova de que eles foram os grandes perdedores para a Colômbia. Não só no terreno militar e diplomático, mas sobretudo no plano muito mais vasto da opinião pública, tanto colombiana como internacional. E que precisam portanto com urgência mudar de jogo.

Situação que lhes complica mais uma vez a vida. Se o plano inicial de Chávez era a vitória no referendo de 2 de dezembro – que modificasse a Constituição e o consolidasse no poder, para continuar impulsionando Correa no Equador e Morales na Bolívia –, sua derrota deixou manco o tripé. Ainda mais quando se considera que embora Correa e Morales tenham conseguido mudar a Constituição, o êxito deste último ficou por enquanto só no papel, tais as resistências internas que vem encontrando. E que começam a assomar-se também no Equador.

Um dado curioso em tudo isso é que, ao mesmo tempo em que nesses três países se lançavam referendos para modificar a Constituição e perpetuar os respectivos mandatários, no Brasil havia jeitosas sondagens a respeito de um terceiro mandato de Lula... E pari passu o secretário-geral do Itamaraty e ideólogo da política externa brasileira, Samuel Pinheiro Guimarães, fazia em Lima uma conferência em que apoiava os aludidos referendos – com a massa da população previamente trabalhada por programas assistenciais de índole eleitoreira – apresentando-os como se fossem a mais lídima expressão da democracia.

Isso, que fazia pressagiar um plano geral para o continente, foi posto de lado a partir da derrota de Hugo Chávez no referendo de 2 de dezembro. Ele se auto-convidou então a desempenhar junto às FARC – et pour cause – o papel de mediador para a libertação de reféns. Até o momento em que sobreveio a crise decorrente da morte de seu principal interlocutor – e vítima, pois foi uma ligação de Chávez que possibilitou sua localização –, o narco-guerrilheiro farcista Raúl Reyes.

Quais serão o enredo e o desenvolvimento da próxima cena no teatro de operações da América Latina? Seus atores estão no palco, atentos às palavras do soprador. Este ditará atitudes de distensão ou de carranca?

Seja como for, ele só agirá em conformidade com as reações do público, em particular do colombiano, o qual jamais poderá esquecer que uma porção expressiva de seus membros – irmãos, pais, filhos ou parentes – continua seqüestrada nas selvas, agrilhoada e tratada como animais, não sabendo sequer se sairá viva. Cumpre a este público não baixar a guarda!

terça-feira, 11 de março de 2008

Equador x Colômbia: Epílogo

Passado o vendaval que levou para a eternidade terroristas da FARC, deslocou exércitos e pôs de sobreaviso a diplomacia internacional, o que restou?

Respondemos: o vendaval passou, mas a crise ficou instalada. E será questão de tempo para que ela volte a aquecer-se, posto que seus fautores intencionais continuam no panorama. Só que desmascarados e sem graça, devendo esperar que seus fracassos caiam no olvido para mais tarde reincidir.

O que se viu foi de suma gravidade: um país livre como a Colômbia, que luta para expulsar um inimigo interno, assassino de sua população, abastecedor mundial de drogas e desejoso de transformá-la em república socialista, obrigado a defrontar-se com dois países vizinhos e amigos, porque seus atuais governantes são cúmplices desse inimigo interno!

Uma vez que o expansionismo socialista permanece na América Latina, agora com face abertamente belicista, por mais que os embaixadores tenham regressado a seus postos e os exércitos às suas bases, a crise ficou pairando no ar, à espera de novos ventos.

sábado, 8 de março de 2008

Equador x Colômbia: O verdadeiro motivo do conflito

O que sobressai do atual conflito entre o Equador e a Venezuela, de um lado, e a Colômbia de outro, mais do que uma questão de violação de soberania é o seu caráter ideológico.

Enquanto Rafael Correa e Hugo Chávez imprimem a seus governos um rumo cada vez mais à esquerda – no que são apoiados discretamente pela Rússia de Putin e ostensivamente por Cuba e pelo Irã –, o colombiano Álvaro Uribe chefia um governo de centro-direita, apoiado pelos Estados Unidos e, em alguma medida, por países europeus.

No espectro latino-americano há ainda, alinhados ao bloco da Venezuela e do Equador – do qual Cuba é a tintura-mãe –, países como a Bolívia e a Nicarágua. São os da marcha rápida, que não ocultam sua meta. E outros que, sem pertencerem àquele bloco, são governados por esquerdistas que o criticam em um ou outro ponto secundário, mas que mantêm em relação a ele uma atitude de simpatia e colaboração.

Os governos destes últimos não podem, por injunções de opinião pública, levar a esquerdização em seus respectivos países além de certo ponto. Isso os obriga a caminhar com cautela, sem revelar a meta: “Marchons à petits pas, ne faisons point de bruit; écoutons, parlons bas” (Andemos devagar, sem fazer barulho; escutemos, falemos baixo). Estão neste caso a Argentina, o Brasil, o Chile e o Uruguai.

Por aí torna-se fácil aquilatar a dimensão do desafio do governo de Álvaro Uribe, ao ter que se defrontar simultaneamente com dois adversários com laços recíprocos: o interno (as guerrilhas) e o externo (o bloco de esquerda chamado bolivariano, seus aderentes e simpatizantes).

Apoiado moralmente pela esmagadora maioria da opinião pública colombiana e logisticamente pelos Estados Unidos, o governo Uribe decidiu enfrentar de viseira erguida o desafio.

Para isso ele encetou caminho oposto ao trilhado pelos seus antecessores. Estes vinham fazendo contínuas concessões à narco- guerrilha, a ponto de lhe destinar um “santuário” do tamanho do Estado do Rio de Janeiro, onde o exército simplesmente estava impedido de entrar! O presidente Uribe, pelo contrário, assumiu em relação a ela uma política de “tolerância zero”.

Adotou esta política por considerá-la a única resposta adequada aos grupos marxistas-leninistas que há 40 anos ensangüentam a vida pública e os lares colombianos. De sua sanha assassina não escapou praticamente uma só família, num país de mais de 40 milhões de habitantes: seja por seqüestro, seja por morte, seja por seqüestro seguido de morte; sem falar das volumosas extorsões financeiras, das migrações e emigrações.

E Álvaro Uribe não se equivocou. Com tal política, seu governo vem obtendo êxitos notáveis. Não só ao reduzir praticamente à extinção o ELN, como também ao vir tangendo cada vez mais as FARC rumo à mesma direção. Prova disso é que os guerrilheiros agora mortos julgavam-se abrigados do outro lado da fronteira, em território equatoriano, de onde inclusive telefonavam para Hugo Chávez e outros supporters.

Essas guerrilhas, além de grandes disseminadoras de drogas para o mundo inteiro, têm a declarada intenção de transformar a Colômbia numa república socialista. É compreensível, pois, que um golpe mortal desferido contra elas doa especialmente naqueles que compartem os seus objetivos.

Foi o que aconteceu com Hugo Chávez e Rafael Correa, do hard core do referido bloco e pregoeiros do “socialismo do século XXI”: a notícia da morte do farcista Raúl Reyes e de seus comparsas – quanto mais tendo ocorrido no quintal de um deles – caiu como um raio, fazendo-os como que sentir na própria pele os efeitos letais dos artefatos lançados pela Força Aérea colombiana contra os narco-terroristas.

Fazendo coro com a Venezuela, a Nicarágua e a Argentina, o Brasil – que se nega a reconhecer as FARC como terroristas –, endossou o pedido do Equador à OEA, de uma “condenação hemisférica” da Colômbia. Antes, nosso governo já havia declarado “muito grave” a atitude colombiana. Mais circunspeta foi a OEA. Em sua resolução, ela reiterou tão-só o princípio da inviolabilidade do território, evitando impor à Colômbia qualquer sanção. Seria aliás decepcionante imaginar o contrário, uma vez que Chávez já violou a soberania de diversos países ao intervir na política interna destes em momentos delicados e nunca foi punido.

Embora qualquer violação de soberania seja muito grave, nosso governo simplesmente afirmou o princípio, sem descer à consideração das circunstâncias concretas que cercaram a ação colombiana. E nisso foi incoerente. Pois assim como a soberania de um país deve ser respeitada, também pelo mesmo princípio deve ser respeitado o direito de propriedade no interior de cada país, uma vez que o proprietário legítimo é soberano no âmbito do que lhe pertence.

Mas como o governo Lula restringe o direito de propriedade em nome de uma distorcida “função social”, e permite que hordas invasoras do MST o violem a seu bel-prazer, seria então o caso de perguntar: que maior “função social” poderia haver, no caso que nos ocupa, do que tirar de circulação alguns malfeitores que faziam o pior dos males a mais de 40 milhões de pessoas? Os direitos da maioria não devem, também aqui, prevalecer sobre os de uma minoria?

Compreendeu-o bem a OEA com bom senso e equilíbrio, ao reconhecer no fundo que a arremetida colombiana se justificava à vista de uma importante “função social”. No que foi confirmada pela reunião dos Chefes de Estado latino-americanos, realizada pouco depois na República Dominicana, na qual a Colômbia entrou com coragem e saiu com honra.

quinta-feira, 6 de março de 2008

O Farcismo e seus aliados

Imaginemos uma aldeia em recôndita zona rural. Seus membros são atacados, seqüestrados e mortos por bandidos que depois se refugiam em densos matagais da região. Os donos das terras onde estão esses matagais, ou desconhecem aquela ingrata presença, ou conhecem e nada podem fazer, ou por fim, conhecem e nada querem fazer para impedi-la.

Após muitos seqüestros, extorsões e mortes, a comunidade se reúne e decide pôr fim àqueles desmandos. Imaginemos ainda que no local o contingente da polícia é pequeno, seus agentes têm família e temem se meter com aquela gente. Não mais existindo para quem apelar, os aldeões se organizam e “limpam a área”.

Qual deveria ser, nessa hipotética circunstância, a reação dos donos dos matagais? De protesto por terem sido invadidos sem prévia autorização? Ou de gratidão por se terem visto livres dos bandidos?

Essa imensa aldeia é a Colômbia. Com seus mais de 40 milhões de habitantes, quase não existe família que não tenha sido dilacerada por algum crime das FARC ao longo dos últimos 40 anos. Os governos não as combatiam e, como fez o de Andrés Pastrana, antecessor de Uribe, as FARC foram beneficiadas com um “santuário” do tamanho do Estado do Rio de Janeiro em pleno coração da Colômbia. A partir dali seus membros praticavam os piores crimes e depois regressavam, sem que o exército pudesse intervir.

Tendo o governo Uribe acabado com essa regalia, os guerrilheiros não tiveram outra alternativa senão adentrar-se no mais profundo das selvas da Colômbia, ou ir para a Venezuela e o Equador. Foi neste último país que as FARC perderam Raúl Reyes, sob certo ângulo o mais importante de seus membros.

Chamou contudo atenção a falta de reação imediata do presidente Rafael Correa diante do acontecido. Ele esperou que seu aliado e patrão ideológico Hugo Chávez o fizesse, para depois atuar em total consonância e mimetismo com ele. Tanto no campo diplomático como no militar, agiu como se o Equador não fosse um país soberano.

Em qual das duas situações a soberania de um país é mais ferida: quando tropas de outro país vizinho e amigo penetram, momentaneamente e em legítima defesa, em dois quilômetros recônditos de seu território, sem prejuízos físicos ou materiais para seus habitantes, mas tão-só para agir contra um terrível inimigo que ali se embrenhou? Ou quando o presidente desse país pauta servilmente sua atuação em consonância com o presidente de outro país?

A pergunta toma mais propósito quando este último não é uma pessoa dotada de saber, de bom senso, que goza de merecido prestígio junto à opinião pública de seu país. A este título ele poderia ser um bom conselheiro a ser ouvido, e até imitado. Mas trata-se de um desequilibrado e despótico, sem apoio dos seus e, ainda mais, com o condão de envenenar o relacionamento interno e externo de diferentes nações.

Hugo Chávez, com efeito, não só se intrometeu na vida interna de outras nações que estavam em conjunturas políticas difíceis, mas se assenhoreou de tal modo do governo de uma delas – a Bolívia –, que ameaçou os bolivianos com um banho de sangue caso eles se insurgissem contra as pretensões ditatoriais de Evo Morales e o derrubassem!

E ele portanto não tinha por que meter o nariz – aqui, sim, a expressão é apropriada – numa questão entre a Colômbia e o Equador. Questão, ademais, que não era de fundo entre os dois países, mas surgida em função de um inimigo que se internara nas selvas equatorianas para dali continuar ordenando ataques mortais contra o exército e a população colombiana. E também – quem sabe? – combinar lances de propaganda com Hugo Chávez, Piedad Córdoba, além de outros aliados das FARC...

Se o atual governo equatoriano se despojasse dos preconceitos do sectarismo vermelho e tivesse todo o zelo em preservar a soberania do país, deveria, pelo contrário, ser agradecido à Colômbia. Pois esta, além de em nenhum momento ter agredido o Equador, atuou pelo contrário para a salvaguarda dos princípios democráticos em nome dos quais o governo equatoriano e os da região afirmam reger-se.

Mas infelizmente ele não agiu assim. Foi hostil ao benfeitor e subserviente ao ditador venezuelano. Seguiu-lhe o gesto de romper relações com a Colômbia e, à imitação de sua atitude perigosa e provocadora, enviou tropas à sua fronteira.

Por que o presidente Rafael Correa, ao reclamar da invasão das tropas da Colômbia, não reclamou também das FARC, que desrespeitaram a soberania do território no qual se haviam embrenhado? A menos que elas estivessem ali com conhecimento e aprovação do governo do Equador...

Falam neste sentido documentos “tremendamente reveladores” encontrados pelo exército colombiano nos computadores dos guerrilheiros (altamente informatizados!), em especial no do chefe Raúl Reyes. Tais documentos tiveram sobre a opinião pública o efeito de uma bomba, mais espetacular do que as que vitimaram aquele narco-guerrilheiro e seus companheiros de crimes. Pois conferem às ações das FARC uma extensão inter-governamental.

Segundo tais documentos, entre outras coisas, Chávez destinou 300 milhões de dólares à guerrilha colombiana. E o ministro do Interior do Equador, Gustavo Larrea, de codinome “Juan”, visitou os guerrilheiros das FARC em nome do presidente Rafael Correa, para intermediar posteriores contactos entre o governo equatoriano e as FARC! Mais. Entre outras medidas que “Juan” deveria adotar, estava a de providenciar a substituição das forças policiais equatorianas lotadas na região onde atuavam os guerrilheiros, por outras corrompidas que lhes facilitassem o serviço.

Esses “tremendamente reveladores” documentos revelam assim alguns aspectos de uma imensa conjuração farcista, para a qual concorrem possantemente os atuais governos da Venezuela e do Equador.

Aliados à Bolívia e vistos com simpatia ou displicência – para dizer pouco – por outros governos, eles parecem desejar, pela força das armas, lançar-se a uma nova aventura, a fim de tentar operar no continente uma mudança sócio-político-econômica que não conseguiram obter pela via das reformas. É esta, aliás, a explicação mais plausível para todo o arsenal bélico que Hugo Chávez vem acumulando.

domingo, 2 de março de 2008

Parabéns, Colômbia!

Fazendo eco ao clamor popular das portentosas marchas anti-FARC que reuniram, em 4 de fevereiro, entre 10 a 15 milhões de pessoas nas ruas das principais cidades da Colômbia, seu exército assestou, na madrugada de ontem, 2 de março, o mais duro golpe contra aquele grupo comunista e narco-guerrilheiro até o momento.

O alvo desta vez foi Raúl Reyes, o segundo na hierarquia das FARC e porta-voz internacional do grupo. Ele morreu na selva equatoriana, juntamente com 16 integrantes de sua coluna, a 1800 metros da fronteira com a Colômbia. A aviação colombiana abriu fogo contra o acampamento guerrilheiro, que foi depois tomado por um contingente do exército. Na ação morreu o soldado Carlos Hernández León, festejado em seu país como herói nacional.

A notícia caiu como uma bomba na Colômbia, cuja população se solidarizou com o governo pelo formidável tento. No espaço reservado a comentários, na página virtual de “El Tiempo”, o principal jornal do país, regurgitaram as mensagens. Eis algumas:

– “... isto é melhor do que vencer de 10x0 a Argentina ... do que ganhar do Brasil, do que golear a Alemanha. Isto é golear o gorila Chávez, o títere equatoriano, a Piedad Córdoba. Tirofijo [septuagenário líder das FARC], aproveita e morre de velho, porque vamos por ti...”

– “Que vá agora fazer terrorismo no inferno!!!”

– “Não estou de acordo em assistir a essa farsa de marcha de 6 de março [organizada pelas esquerdas], pois isso é apoiar a Piedad Córdoba, ao orangotango Chávez e a todos esses miseráveis do Polo [partido da esquerda] e as FARC. Claro que se fosse para celebrar este maravilhoso acontecimento de hoje, estou certo de que sairia o dobro de gente que saiu em 4 de fevereiro. Realmente, hoje sim, é um belo dia”.

– Que o enterrem na Venezuela, para que os vermes da Colômbia não se envenenem!”.

– “Esta conversa de que a Ingrid está doente não é senão para pressionar o governo para que libere a área que querem [as FARC], porque lhes convém para se encherem de armas...”

– “... Quem não apóia o governo colombiano, que vá para a Venezuela onde [está] o chefe supremo das FARC; mas isso sim, sem despesas para os colombianos. ... Não me alegro pela morte do tipo, mas sinto um refrigério; oxalá caiam mais assim. Avante, exército colombiano! É melhor trazer 50 corpos de mártires do que ter um país inteiro neste soçobro...”

Enquanto assim se manifestava o povo colombiano, vítima há décadas das piores atrocidades das FARC, Hugo Chávez e seu êmulo equatoriano, Rafael Correa, ficaram indignados, tomando as dores dos guerrilheiros, como se tratasse de pessoas inocentes, e não dos piores e mais frios assassinos. Ambos exigem explicações da Colômbia como se um ultraje tivesse sido feito à humanidade! Chávez pediu um minuto de silêncio pelo guerrilheiro, fechou a embaixada em Bogotá e afirmou que, se isso tivesse ocorrido na Venezuela, haveria guerra! Mais uma eloqüente amostra do “humanitário” e “compassivo” mediador dos reféns das FARC!

Ora, o presidente Uribe havia telefonado a Rafael Correa avisando-o da operação. Procedeu como alguém que atacado continuamente por bandidos que depois se refugiassem impunemente em terreno baldio de um vizinho cúmplice, participava a este da retaliação em legítima defesa.
Mas para bem aquilatarmos quem são essas “maravilhosas” pessoas das FARC, tão queridas daqueles dois chefes de Estado (e provavelmente de outros que não se pronunciaram...), eis um dos inúmeros crimes que elas cometeram contra vítimas inocentes. Retirei esta notícia do referido jornal “El Tiempo”, de 9 de março de 2006:

Eles a mataram por resgatar o cadáver de seu esposo

A última vez que seus 27 alunos a viram, Luz Myriam Farias estava nervosa e não parava de chorar. Tinha ido à escola do vilarejo Caño Claro escusar-se, porque não podia dar aula. Devia partir para Tame (Arauca), a fim de buscar o cadáver de seu esposo. Pediu a uma vizinha para cuidar de sua casa até seu regresso. Seu marido, o governador indígena dos ghaíbos makaguán, Juan Ramírez Villamizar, tinha sido assassinado no domingo pelas FARC, quando voltava das compras em Tame.

Na terça-feira, cheia de angústia ao saber da notícia, Luz Myriam pediu emprestado um cavalo, e se dispôs a viajar sozinha. Mas teve que apear do animal, quando lhe avisaram que tinham visto o corpo de seu esposo em Quenane, a uma hora dali.

Em seguida ela foi procurar o único telefone do vilarejo, e telefonou para a Personería de Tame e à Associação de Cabildos e Autoridades Tradicionais Indígenas de Arauca (Ascatidar), para coordenar o envio de um carro fúnebre. Com uma foto do governador na mão e acompanhada por três pessoas do povoado, conseguiu um veículo e empreendeu viagem.

Não o deixaram regressar

Segundo a Polícia, Juan Ramírez saiu de moto no domingo. Ao voltar, foi interceptado por guerrilheiros. Depois de ameaçá-lo por ter desacatado a ordem de proibição de circular, tiraram-lhe o veículo e o levaram para as montanhas. Dispararam três vezes na sua cabeça e o deixaram atirado próximo da estrada.

Ali o encontrou Luz Myriam, e todos subiram no carro. Quando regressavam, o carro fúnebre se deteve abruptamente. Foram surpreendidos por uma barreira ilegal das FARC, no lugar conhecido como Flor Amarillo. Ali, segundo disseram testemunhas, os subversivos obrigaram a professora a descer do veículo, e sem dizer palavra dispararam duas vezes na sua cabeça.

A Frente 10 das FARC deu ordem para não se transitar pelas vias dos sete municípios do Arauca a partir de 23 de fevereiro. As perdas no departamento [estado] são estimadas em 10 bilhões de pesos. Ainda não se sabe quem substituirá Luz Myriam, que aos 26 anos pensava entrar na universidade. O féretro se realizou ontem em Tame.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Encontro Lula-Sarkozy

Por injunções do calendário, o encontro de Lula com Sarkozy na Guiana Francesa acabou ocorrendo poucos dias após as impressionantes manifestações de 10 milhões de colombianos no último dia 4, contra as FARC. E como o tema do acordo humanitário na Colômbia esteve na pauta, a reunião só teria sentido se neste particular atendesse aos anseios do povo livre e independente da Colômbia. Ou seja, exigir pura e simplesmente das FARC uma imediata e completa entrega de todos os reféns, sem qualquer contrapartida!

O que não for isso é inaceitável. E leva qualquer pessoa sensata a suspeitar se os outros tão noticiados “pourparlers” desse encontro não seriam “bois de piranha” para despistar uma solução falsamente conciliadora no nevrálgico cenário colombiano. Neste propósito, buscariam uma síntese entre a posição de Chávez (que advoga o reconhecimento das FARC como grupo insurgente) e a da dupla Sarkozy-Lula (que não tem uma posição intransigente em relação às mesmas FARC). Síntese na qual a grande beneficiada seriam as agonizantes FARC, uma vez que é impossível uma pretensa posição eqüidistante entre o bem e o mal, o crime e a justiça.

Que abram os olhos os colombianos e não colombianos!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Colômbia em peso diz NÃO às FARC

Na segunda-feira de carnaval, 4 de fevereiro, o que se viu nas ruas de Bogotá e de outras 50 cidades da Colômbia, felizmente não foram cordões carnavalescos. Foram multidões indignadas, calculadas em 10 milhões, que se manifestavam em peso contra as FARC. Ao mesmo tempo, no Brasil, os foliões se divertiam despreocupados, enquanto o MST, amigo das FARC, fazia seu “carnaval vermelho” invadindo 14 propriedades!

Em Bogotá, um mar humano estimado em 2 milhões de pessoas, que se estendiam ao longo de 10 km, iniciou sua marcha no Parque Nacional, deslocando-se ao longo da principal avenida – a Sétima – até o centro histórico da capital.

Podiam-se ver cartazes com os seguintes dizeres: “A Colômbia sou eu – Não mais seqüestros – Não mais mentiras – Não mais mortes – Não mais FARC”; “+ Contundência – Piedade” (referência à senadora esquerdista Piedad Córdoba, cúmplice de Chávez); “Terrorista Chávez, chefe das FARC: por que não te calas?”; “As FARC não são o exército do povo, são os assassinos e seqüestradores do povo”.

Manifestações de solidariedade com o sofrido povo colombiano foram realizadas em quase 200 cidades do mundo inteiro.

Em vista dessas manifestações de repúdio às FARC, ficaram desarticuladas e sem face as forças que dentro e fora da Colômbia tudo empreenderam na tentativa de entregar definitivamente o país nas mãos de uma minoria comunista e assassina.

O “chavismo” em apuros

As coisas definitivamente não vão bem para Hugo Chávez. Após duas derrotas políticas – primeiro no referendo de dezembro para reformar a Constituição, depois na intermediação dos reféns das FARC –, ele acaba de ser ferido na jugular, o petróleo. A Venezuela é o oitavo produtor mundial e o quarto exportador para os EUA depois do Canadá, do México e da Arábia Saudita.

Com efeito, a líder mundial do ramo – Exxon Mobil –, após sofrer em 2007 processo de expropriação na Venezuela, já ganhou quatro ações em tribunais da Holanda, dos Estados Unidos, da Inglaterra e do País de Gales. Com essas medidas cautelares ela visa, de um lado evitar que a estatal de petróleo venezuelana PDVSA se mobilize para a venda de seus ativos no exterior enquanto durar o litígio, e de outro assegurar devida indenização se vier a perder a ação.
Só no tribunal de Nova York já haviam sido congelados US$ 300 milhões. E no dia 24 de janeiro último, tribunais da Inglaterra e do País de Gales determinaram o congelamento de US$ 12 bilhões.

Para se medir a extensão do golpe, basta considerar que o faturamento da PDVSA corresponde à metade do PIB venezuelano, já que o petróleo é a principal fonte de divisas do país. Por outro lado, a referida estatal padece de crescente problema de dívidas e vem tendo dificuldades operacionais por falta de inversões.

Com o petróleo pode fazer tudo, exceto comê-lo. Mas além de o setor estar mal administrado, tem havido queda de produção. Enquanto isso, os gastos do governo não param de crescer, os alimentos básicos vão escasseando, e a criminalidade atingindo índices alarmantes.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Volta à tona o desarmamento

Enquanto Chávez compra cem mil fuzis da Rússia, ameaça os adversários de Evo Morales com um banho de sangue e faz ameaças à Colômbia; quando ele se arma até os dentes, protege e defende as FARC e instala células do Hezbollah em território próximo da fronteira com o Brasil; enquanto o MST invade, incendeia e profere novas ameaças; enquanto isso o Estado brasileiro, incapaz de proporcionar segurança adequada a seus cidadãos, tenta privá-los ainda mais do direito natural de possuir uma arma para se defender!

Afinal, se o governo tivesse prevalecido no referendo de 2004 com os 66% auferidos pelo “Não”, teria certamente decretado uma cláusula pétrea sobre o assunto; mas como perdeu, volta à carga.

O argumento agora se baseia em novas e controversas estatísticas sobre uma pretensa diminuição da criminalidade que teria ocorrido desde a implementação do Estatuto do Desarmamento, apresentada por um especialista e contestada por alguns.

Embora se declare em contenção de despesas após perder a CPMF, o governo parece disposto a desembolsar alguns milhões de reais em outro referendo. Espera assim fazer prevalecer sua ideologia sobre o pensamento corrente na opinião pública sobre o assunto, cujo mais recente eco foi o espetacular sucesso de bilheteria do filme “Tropa de Elite”.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

“Washington Post”: Chávez, aliado das FARC

Em incisivo editorial de ontem, 16 de janeiro, o Washington Post qualificou Hugo Chávez de “aliado” das FARC, e advertiu os líderes da região de que ele não é mais só o “populista que compra com petrodólares os amigos”, mas que se converteu em “chefe de Estado que promove abertamente grupos narcotraficantes e seqüestradores”.

O jornal comenta que Chávez, após a recente soltura de duas reféns, fez uma “aberta promoção” das FARC e do ELN chamando-os de “exércitos genuínos” com um “projeto político bolivariano”, quando na realidade são grupos terroristas que contam entre seus atos “o seqüestro, o narcotráfico e o assassinato massivo”. E considerou “alentadora” a reação de repulsa de outros países do continente a tais declarações.

O Post considerou que a melhor resposta dada a Chávez foi a do próprio governo colombiano, ao frisar que as FARC são grupos terroristas que se financiam com um negócio “letal para a humanidade” – o tráfico de drogas –, além de exercer outras práticas violentas.

Acusou ainda o cineasta Oliver Stone de se “vender” à idéia de qualificar as FARC de “heróicas”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Mediação do Vaticano?

Vem causando preocupação na Colômbia a notícia, veiculada pela revista “Cambio” (Bogotá, 10 a 16/01/07), de que altos dignitários eclesiásticos daquele país acenam para a possibilidade de recorrerem à diplomacia vaticana para obter da União Européia a retirada das FARC da lista dos grupos terroristas: “Poderíamos .... aproveitar a influência do Vaticano nos mais importantes países da União Européia para que exclua as Farc de suas listas negras”, afirmou um prelado.

A informação é do boletim eletrônico “Destaque Internacional”, de San José de Costa Rica, de 15-01-07, que aponta os riscos que tal mudança acarretaria no panorama interno da Colômbia e no resto do continente:
Tal mudança de denominação está longe de ser um mero jogo de palavras, porque o reconhecimento das Farc como força beligerante deixaria as guerrilhas quase em igualdade de condições com o governo colombiano, lhes concederia um enorme prestígio internacional, dar-lhes-ia condições para negociar diretamente com governo estrangeiros e lhes abriria a possibilidade de abertura de escritórios de representação no exterior. Desse modo, se oficializaria a internacionalização do conflito da Colômbia, com conseqüências políticas imprevisíveis.

– Estaria a diplomacia vaticana disposta a conseguir para as FARC o que estas não obtiveram através de Chávez?

Farc, Chávez & Cia. – III

Enquanto isso, em Cuba, durante a recente visita do Presidente Lula, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmou que não concorda com Chávez em classificar as FARC de “insurgência”, mas que o Brasil continuará também a não chamá-las de terroristas, pois sob este epíteto o País só considera a Al Qaeda, porque designada assim pela ONU.

Declaração cômoda e simplista!

O diapasão é a ONU, e não o senso moral aplicado a determinados atos!

Como chamar a quem semeia o terror senão de terrorista?

O que leva a pensar que essa tirada de corpo oculta na realidade uma mal-velada simpatia do governo em relação ao grupo narco-comunista.

Na expressão do jornalista Augusto de Franco, “Lula é o Chávez possível nas condições do País” (FSP, 8-1-07). Para ambos, pouco parece importar as mortes com as quais as FARC continuam a ensangüentar a Colômbia, ou o perigo de elas virem a fazer o mesmo no resto de continente – eventualidade que deita luz sobre o imenso arsenal bélico acumulado pelo defensor venezuelano delas.

* * *

Para uma abordagem mais aprofundada deste assunto e de correlatos, recomendo o blog Radar da Mídi: http://radardamidia.blogspot.com/

Farc, Chávez & Cia. – II

Entregaram as duas reféns – Consuelo González de Perdomo e Clara Rojas – ao ministro do Interior da Venezuela, que se fazia acompanhar do embaixador cubano e da senadora esquerdista colombiana Piedad Córdoba. O ministro teve o desplante de dizer aos guerrilheiros, como agradecimento, que se mantivessem na luta! Foi bom para saber o que ele de fato acha. No mesmo dia, Chávez fez um apelo consentâneo com os inusitados votos de seu ministro, pedindo aos países para não mais considerarem as FARC como grupo terrorista! Na véspera, Lula havia se manifestado no mesmo sentido.

Em retribuição a essas dádivas, pouco depois as mesmas FARC seqüestravam mais seis pessoas numa tranqüila praia colombiana... Sem contar que alguns dias antes a polícia havia localizado uma fossa comum, com seis corpos completamente mutilados. Comprovou-se que essas pobres vítimas haviam sido garroteadas e mortas a pauladas pelas FARC.

Como se sabe, no Brasil, ao se aproximarem as últimas eleições presidenciais, o MST deu ordem para que cessassem as invasões, a fim de não prejudicar a candidatura do Lula. Foi seguido à risca! Na Colômbia, nem isso as FARC fazem. Ainda quando precisariam passar por simples insurgentes, nem por tática conseguem aplacar sua sanha criminosa! Como diz, na fábula, o escorpião ao sapo agonizante: “Está na minha natureza”.

Farc, Chávez & Cia. – I

Numa formulação um tanto pejorativa, certo francês se referia assim à direita: la droite toujours gauche, la gauche toujours adroite (a direita sempre canhestra, a esquerda sempre destra). O chiste fica desmentido pela falta de rumo das esquerdas e as incontáveis trapalhadas de seus próceres, de um lado, bem como pelo épanouissement da direita um pouco por toda parte.

Para não ir longe, basta tomar o caso de Chávez com as FARC. Após anunciar bombasticamente a libertação de três reféns, constata-se que um deles – o menino Emmanuel – simplesmente não se encontrava em poder dos terroristas. Com isso, a badalada operação-prestígio de Chávez, admitida pelos ingênuos como “humanitária”, teve de ser adiada. Mas não parou aí.