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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Surfando nas ondas do conservadorismo

Chegou a ansiada “Super-terça”, quando delegados do Partido Republicano e do Democrático de 24 Estados norte-americanos escolheriam seus candidatos às eleições presidenciais de novembro.

No campo republicano prevaleceu a preferência por John McCain, vencedor na Califórnia e em New York, e que detém o dobro de votos de seu contendor mais próximo, Mitt Romney. Em terceiro lugar ficou Mike Huckabee. Do lado democrático a disputa continua renhida entre Hillary Clinton e Barack Obama, com pequena vantagem para a primeira, também vencedora nos dois Estados acima, embora Obama detenha maior número de pequenos Estados.

Veterano do Vietnã, McCain vem sendo apoiado pelos moderados do Partido Republicano e por independentes. Ele precisa agora convencer a ala republicana mais conservadora de que realmente afina com ela, pois nesse segmento ele encontra uma “animosidade muito extensa e muito profunda”, segundo o velho estrategista em “Super-terça”, Eddie Mahe.

Quanto à disputa Hillary Clinton x Obama, sem divergências ideológicas entre si, a primeira tem conseguido galvanizar o voto latino, enquanto o segundo, o de afro-descendentes. Um particular digno de nota é o desprestígio do clã Kennedy: considerado dono político de Massachusetts e tido pelos conservadores americanos como paradigma da esquerda, alinhou-se decididamente à candidatura de Obama. Foi derrotado na própria casa, prevalecendo Hillary Clinton.

Se no Partido Republicano já se delineou o virtual vencedor e se no Democrático ele ainda é indeciso, já existe no cenário um vencedor definitivo, não só das prévias como das eleições de novembro: o Conservadorismo, em cujas águas surfam os candidatos de ambas as legendas.

* * *

Sirva-nos isto de lição. Essas ondas conservadoras são interativas, não existindo Muralha Chinesa capaz de as conter. E ainda há entre nós políticos que em momentos cruciais se intimidam em defender idéias conservadoras, deixando livre o caminho aos demagogos da esquerda, que só se impõem na medida em que ocultam seu pensamento.

Que abra os olhos a nossa classe política, acostumada também a nos impor como prato feito os menos apetecíveis candidatos, não deixando ao eleitor qualquer possibilidade de escolha. Pois mais grave do que a clássica comparação com o espelho (“o espelho reflete sem falar enquanto o político fala sem refletir”) é compará-la com o cego que não vê a realidade. E a realidade é que a opinião pública – espelho da Nação – muito tem refletido, muitas vezes sem falar. E tirado conclusões. Tanto a respeito de pretensos representantes como dos mais diversos assuntos de interesse nacional.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

New Hampshire – II

No campo conservador saiu vitorioso o veterano do Vietnã, John McCain, de 71 anos. Ele obtivera modesta colocação nas prévias de Iowa, mas se impôs com facilidade em New Hampshire, com 37% dos votos. Seu principal contendor, Mitt Romney, obteve 32% e Mike Huckabee, vitorioso em Iowa, apenas 11%.

Diante deste quadro, McCain, de fala direta e objetiva, perfila-se como o mais provável candidato republicano à Presidência.

No que é ajudado pela idade, a qual, além de sugerir experiência e despertar confiança, faz recordar o velho Ronald Reagan, entretanto o mais popular presidente americano, com cujas idéias John McCain tem afinidades.

O panorama ainda pode apresentar surpresas, uma vez que haverá as prévias de Nevada, no próximo dia 19, e sobretudo a “Super-terça” de 5 de fevereiro, quando será a vez de 20 Estados escolherem seus candidatos.

Mas a impressão que se tem é que do lado republicano a pugna ficará entre os senadores John McCain e Mitt Romney, e do lado democrata entre a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama.

Seja como for, o grande fato desta corrida eleitoral americana – muito por cima, portanto, de quem saia vencedor – é que se trata para os contendores de se ajustarem a uma opinião pública cada vez mais conservadora e exigente no terreno moral, oferecendo-lhe propostas consentâneas com suas aspirações.

Ao contrário do que sucedia no passado, quando prevalecia a tendência liberal, e os mais conservadores tinham não raro a fraqueza de ceder diante dela para tentarem se impor.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

As prévias de Iowa – II

A grande surpresa no Partido Republicano foi Mike Huckabee, pastor batista e ex-governador de Nebraska. Sua oposição ao divórcio, ao aborto e à união homossexual, bem como seu franco apoio ao porte de armas e à guerra do Iraque, granjearam-lhe o primeiro lugar.

Em segundo ficou o milionário e Mitt Romney. Mórmon, seu sucesso financeiro pessoal e a enorme soma que gastou em Iowa – a bagatela de 7 milhões de dólares – não foram suficientes para convencer os conservadores a trocá-lo por Huckabee, pouco contado e com pouco dinheiro, mas muito aferrado aos valores morais, o que nos EUA de hoje vale mais do que o ouro. Sem falar que os mórmons não são bem vistos pelas demais confissões religiosas americanas, que os têm na conta de seita.

Em terceiro lugar ficou Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York por ocasião do 11 de Setembro e “supporter” da política “Tolerância Zero” em relação ao crime. Ele foi vencido por conta de ser divorciado duas vezes, ter cometido escândalo público com uma terceira mulher com a qual atualmente vive, além de ser favorável ao aborto e à união homossexual.

As prévias de Iowa – I

Como é de praxe nos regimes democráticos, cada partido faz convenções para escolher o candidato que o representará nas eleições presidenciais.

Nos EUA, com vistas ao pleito de novembro de 2008, os partidos Republicano e Democrata realizaram na semana passada, em Iowa, os respectivos caucuses.

Comenta-se que os vencedores das primárias nesse Estado têm tradicionalmente 50% de probabilidade de saírem indicados pelos respectivos partidos. Tal foi, por exemplo, o caso do presidente Bush.