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segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Torre de Babel das Américas



A bela cidade de Cartagena, na Colômbia, fortemente impregnada pela influência da arquitetura colonial espanhola de Felipe II, foi palco de um evento patrocinado pela OEA – a VI Cúpula das Américas, que reuniu 31 chefes de Estado entre os dias 14 e 15 de abril de 2012.

Brilharam pela ausência, além de Hugo Chávez, em tratamento de câncer no “paraíso” cubano, seus colegas ideológicos Rafael Correa, do Equador, e Daniel Ortega, da Nicarágua, estes dois últimos em solidariedade com Cuba, que não tem assento no evento.

Quem queira encontrar uma metáfora para exprimir o que se passou em Cartagena, cujo lema era “Conectando as Américas: Sócios para a prosperidade”, nada mais adequado que a da Torre de Babel, pois só houve desencontros.

Na foto final da IV Cúpula das Américas, realizada em 2005, todos usavam paletó e gravata, e na V (2009), as únicas exceções foram Hugo Chávez, Evo Morales e Daniel Ortega

Pequeno detalhe. Se houver uma próxima Cúpula “para a prosperidade” – o que não é certo –, não se sabe sequer como estarão vestidos os homens. Pois se na foto final da IV, realizada em 2005, todos usavam paletó e gravata, e na V (2009), as únicas exceções foram Hugo Chávez, Evo Morales e Daniel Ortega, na de 2012 apenas sete presidentes usavam paletó e gravata, enquanto o dobro estava simplesmente de camisa.

Ainda neste sentido, a VI Cúpula iniciou-se com uma partida de futebol. Não se sabe se houve paralelamente uma de vôlei para as mulheres ou se estas resolveram engrossar os times dos homens, pois hoje em dia tudo é possível. Mas a Cúpula propriamente dita – para a qual deveria pelo menos ter sido recomendado aos chefes de Estado um traje condigno – foi inaugurada pelo socialista chileno José Manuel Insulza, secretário-geral da OEA, seguida da execução do hino nacional do país anfitrião por uma cantora popular colombiana.

Quanto aos principais temas debatidos, não houve consenso, pois apesar de serem 31 os países representados, prevaleceu a opinião daquele que muitos teimam em dizer que estaria a ponto de ser superado pelo Brics: os EUA. Assim, ao se exigir do esquerdista Obama em ano eleitoral a inclusão de Cuba na próxima Cúpula, a legalização das drogas, e ainda o reconhecimento de que as Malvinas pertencem à Argentina, a resposta foi um peremptório não. E tudo “ficou como dantes no quartel de Abrantes”.

A presidente Cristina Kirchner voltou para a Argentina antes da hora, apressada talvez em assinar o decreto de desapropriação da empresa petrolífera espanhola Repsol, ampliando assim a briga que já mantém com a Inglaterra a propósito das Malvinas e atraindo a antipatia, não só desses dois países, mas de todo o bloco da União Europeia. Também sem explicar o motivo, a presidente Dilma cancelou a reunião que tinha marcada com o presidente colombiano Juan Manuel Santos.

A VI Cúpula terminou sem uma declaração conjunta e com a possibilidade de não ter sequência, pois a presença de Cuba (sócia pouco crível para a prosperidade) foi condição sine qua non posta pela maioria dos chefes de Estado para haver outras. O evento foi ainda obscurecido pelo escândalo perpetrado por membros da equipe de segurança do presidente Obama, que apesar de não estarem em Brasília, ignoravam que também lá havia caseiro.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Não há fumaça sem fogo

Haveria alguma relação entre o reaparecimento de Hugo Chávez no Brasil, com o new-look de pacificador, e o anúncio do vice José Alencar de que os brasileiros estariam desejosos de um terceiro mandato para Lula?

A pergunta tem propósito, sobretudo para quem nutre alguma ilusão de que o projeto do mandatário venezuelano de perpetuar-se no poder cessou a partir do momento em que ele perdeu o referendo. Ou de que os índices de popularidade encomendados a institutos de opinião – a partir dos quais saem declarações como a de José Alencar – refletem o sentir da Nação.

Não só Chávez continua firme no seu propósito de permanecer indefinidamente, como o governo Lula parece querer imitá-lo naquilo que seria um plano continental: atuar para que governos de esquerda se perpetuem no poder, sob a alegação de que têm ainda muito por fazer... e depois ainda reclamar do período da ditadura!

Dois êmulos de Chávez já empreenderam este caminho: Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador. Mas se o instrumento do referendo não for viável, por que não apelar para as pesquisas – que seriam um referendo em escala menor – e depois apresentá-las como traduzindo um incontido clamor nacional?

Pareceria ser esta a atual manobra, a qual cresce em verossimilhança à vista de outro dado. Quando os referendos para reforma de Constituição estavam em alta na América do Sul, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, não se pejou em apresentá-la em Lima, no Peru, durante conferência, como uma das mais lídimas formas modernas de democracia.

Para que esse plano possa ser levado adiante, importa que Hugo Chávez se despoje do papel de guerrilheiro incendiário e assuma o de “pacificador” movido pelo desejo de empreender vantajosas joint-ventures com seus vizinhos. É o que ele acaba de fazer durante sua visita ao Brasil.

Pacificador ou incendiário?

Se a situação de esquecimento é penosa para qualquer pessoa, ela o é sobretudo para o demagogo. Era o que vinha sucedendo ao presidente venezuelano Hugo Chávez desde que ele foi derrotado no referendo de 2 de dezembro de 2007: praticamente saiu de cena na grande mídia.

Mas como está na índole do demagogo desempenhar qualquer papel – ele muda de um para outro com a mesma facilidade com que um político brasileiro troca de partido –, não foi difícil para Chávez apresentar-se com uma Gestalt de acordo com as conveniências do momento. Sobretudo tendo “companheiros” que pressurosos o ajudam... ou prometem ajudá-lo.

É o que aconteceu há pouco no Recife, quando o presidente Lula teve o desplante de afirmar que o “ex-guerrilheiro” Hugo Chávez foi o grande “pacificador” na recente crise entre o Equador e a Colômbia!

Isso equivaleu a chamar nossa opinião pública de imbecil, como se ela não se lembrasse da decidida atitude de beligerância de Chávez contra a Colômbia, a ponto de romper relações diplomáticas com ela e enviar tanques para a sua fronteira, quando o problema era com o Equador. Mais. Foi Chávez quem instigou o até então hesitante presidente equatoriano Rafael Correa a endurecer contra seu homólogo colombiano.

Ademais, a visita de Hugo Chávez ao Brasil acontece num contexto extremamente delicado para o Continente, com o qual o mandatário venezuelano tem muito que ver: a Argentina, sua aliada, está internamente em pé de guerra; o governo peruano encontra-se cada vez mais preocupado com as ingerências chavistas visando desestabilizá-lo; uma crise profunda continua instalada na Bolívia; e as feridas causadas pelo conflito entre o Equador e a Colômbia ainda não cicatrizaram.
Foi nesse contexto que o presidente Lula não titubeou em se referir ao incendiário Chávez com o título que ele tanto persegue e mais desmerece: o de “pacificador”. Título altamente lisonjeiro para quem se quer atribuir o papel de Simon Bolívar, na tentativa de retomar uma fracassada liderança em nível continental. Lula disse ainda uma coisa que todo mundo já sabia: que seu empenho em ver a Venezuela no Mercosul é tão grande quanto o do “companheiro” Hugo Chávez.

Além da aliança econômica com a Venezuela, o Brasil está à frente com ela de outra preocupante iniciativa: a de estabelecer uma aliança militar para a segurança continental. Iniciativa que seria simpática, caso não estivéssemos lidando com governos norteados por uma ideologia marxista e anticristã, a qual querem ver implantada nos demais países. Documentos recentemente apreendidos com as FARC deram conta do comprometimento dos governos da Venezuela e do Equador com aquele movimento terrorista.

Tornar-se-ão realidade os propalados acordos entre o Brasil e a Venezuela para a exploração de petróleo em Pernambuco? Ou terão o mesmo destino do “megalomeoduto” com o qual Chávez acenou há anos para uma integração sul-americana? Caso se concretizem os referidos acordos, terá valido a pena a parceria com um governo que tem usado sua riqueza como meio de desestabilizar os países vizinhos?

Cumpre lembrar que Pernambuco se tornou ultimamente um dos estados mais violentos do Brasil. Do mesmo modo como a Venezuela se tornou o país mais violento da América do Sul desde a ascensão de Chávez ao poder (o índice de criminalidade é o dobro do registrado no Brasil ou no México!). Que o “pacificador” não jogue mais lenha na fogueira!

quinta-feira, 20 de março de 2008

A “caixa-preta” de Raúl Reyes

Afora as revelações altamente comprometedoras para Hugo Chávez e Rafael Correa, já referidas neste blog, a “caixa-preta” do computador do farcista Raúl Reyes, morto em operações do exército colombiano no início de março, continua a fornecer novas revelações.

A mais recente delas resultou na apreensão na Costa Rica, com espantosa rapidez e precisão em decorrência dos detalhes proporcionados, de uma caixa metálica enterrada em zona rural, contendo a soma de 480 mil dólares. Esta era uma parte do dinheiro destinado a atividades das FARC naquele país, onde os colombianos ocupam o segundo lugar no contingente de imigrantes.

Mais um alarmante sinal para nós, latino-americanos, abrirmos os olhos acerca da realidade que nos circunda, e nos perguntarmos se o narco-terrorismo farcista não deitou metástases em cada um de nossos países, valendo-se para isso da cumplicidade ou da conivência de pessoas colocadas muitas vezes nos mais altos cargos, a exemplo do que vem ocorrendo na Venezuela e no Equador. – Que novas revelações trará a “caixa-preta” de Raúl Reyes?

Em tempo: No momento de postar esta matéria, leio na imprensa de Lima que em Iquitos, capital da Amazônia Peruana com 438 mil habitantes, acaba de ser detido pela Dirección Contra el Terrorismo, mediante ordem judicial, um casal de farcistas. A captura foi considerada “importantíssima” pelo Gen. Octavio Salazar, diretor daquele órgão, uma vez que o guerrilheiro, Johnny Cárdenas, que atende pelo codinome de Tanaka, é um “peso pesado” da Frente 63 das FARC, conhecido especialista em explosivos e armamentos pesados, autor de fuzilamentos de desertores farcistas e de civis que se negavam a colaborar com a organização. Em seu ativo há ainda diversos atentados contra o exército colombiano. Ele atuava na região de Putumayo, junto à fronteira amazônica com o Peru, obedecendo ordens de Joaquín Gómez, sucessor de Raúl Reyes. Segundo fontes da inteligência colombiana, ele entrou clandestinamente no país vizinho – onde provavelmente se encontram outros terroristas – para ampliar as atividades narco-guerrilheiras das FARC.

Violência, açoite da Venezuela

O nível da violência subiu vertiginosamente nos últimos dez anos na Venezuela chavista. É o que revela matéria de Francisco Peregil, enviado especial a Caracas do jornal espanhol “El País” (18/03/08).

Dados proporcionados por Roberto Briceño, diretor do Observatório Venezuelano de Violência, entidade privada com a qual colaboram quatro universidades, dão conta de que a taxa anual de homicídios triplicou, passando de 4.550 em 1998 – quando Chávez ganhou as primeiras eleições – para 13.200 em 2007!

Segundo a mesma fonte, a taxa de homicídios por cada contingente de 100 mil habitantes passou de 19 em 1998 para 49 em 2006. Para se ter uma idéia do que isso significa, na Espanha essa taxa oscila entre um e dois; na Argentina, alarmada pelo elevado índice de criminalidade ela é de nove; no bang-bang brasileiro ela é de 23; e no México, 24. Portanto, o índice de criminalidade da Venezuela é o dobro do verificado no Brasil ou no México!

“O que aconteceu?” – pergunta Briceño. Ele responde: “A hipótese que mantenho é a de que os primeiros mortos por cada 100 mil habitantes têm a mesma explicação que teriam no México ou Brasil. Pobreza, desigualdade... Mas os outros vinte e tantos têm que ver com a quebra do pacto social levada a cabo com este governo. Quando o presidente faz um minuto de silêncio pelo guerrilheiro Raúl Reyes, está criando uma desordem na sociedade.”

Um morador da favela Petare – com um milhão de habitantes (1/3 da população de Caracas), administrada por um chavista e palco de atuação dos primeiros médicos cubanos chegados ao país – assegurou ao jornalista que nos finais de semana são ali assassinadas até 30 pessoas, e que só no ano passado houve 700 mortes violentas!

Enquanto cresce a violência, continua a despencar a popularidade de Chavez. Segundo o instituto de pesquisas Datos, em levantamento feito em fevereiro último junto a dois mil habitantes da área urbana, Chávez obteve 34% de aprovação, nove pontos a menos do obtido por ocasião do referendo de 2 de dezembro de 2007.

domingo, 16 de março de 2008

Colômbia: não baixar a guarda!

Os mandatários da Venezuela e do Equador – apanhados em flagrante delito no crime de colaboração com os terroristas das FARC –, com o mesmo despudor com que trataram a Colômbia durante a recente crise que os estremeceu, acenam agora para ela como se fossem excelentes amigos que nunca tiveram qualquer desentendimento. Ou que se por acaso o tiveram, dele haviam perdido a memória.

Ora, como acreditar em palavras e atitudes de quem não respeita nem sequer o tempo – calmo e sóbrio dissipador de rusgas – para, sem renunciar a seus propósitos, transformar a carranca em sorriso e estender, em atitude de amizade, a mesma mão que há pouco empunhava um punhal?

É óbvio que a guinada repentina de Hugo Chávez e Rafael Correa – que por conveniência deve ser mais cauto – é mais uma prova de que eles foram os grandes perdedores para a Colômbia. Não só no terreno militar e diplomático, mas sobretudo no plano muito mais vasto da opinião pública, tanto colombiana como internacional. E que precisam portanto com urgência mudar de jogo.

Situação que lhes complica mais uma vez a vida. Se o plano inicial de Chávez era a vitória no referendo de 2 de dezembro – que modificasse a Constituição e o consolidasse no poder, para continuar impulsionando Correa no Equador e Morales na Bolívia –, sua derrota deixou manco o tripé. Ainda mais quando se considera que embora Correa e Morales tenham conseguido mudar a Constituição, o êxito deste último ficou por enquanto só no papel, tais as resistências internas que vem encontrando. E que começam a assomar-se também no Equador.

Um dado curioso em tudo isso é que, ao mesmo tempo em que nesses três países se lançavam referendos para modificar a Constituição e perpetuar os respectivos mandatários, no Brasil havia jeitosas sondagens a respeito de um terceiro mandato de Lula... E pari passu o secretário-geral do Itamaraty e ideólogo da política externa brasileira, Samuel Pinheiro Guimarães, fazia em Lima uma conferência em que apoiava os aludidos referendos – com a massa da população previamente trabalhada por programas assistenciais de índole eleitoreira – apresentando-os como se fossem a mais lídima expressão da democracia.

Isso, que fazia pressagiar um plano geral para o continente, foi posto de lado a partir da derrota de Hugo Chávez no referendo de 2 de dezembro. Ele se auto-convidou então a desempenhar junto às FARC – et pour cause – o papel de mediador para a libertação de reféns. Até o momento em que sobreveio a crise decorrente da morte de seu principal interlocutor – e vítima, pois foi uma ligação de Chávez que possibilitou sua localização –, o narco-guerrilheiro farcista Raúl Reyes.

Quais serão o enredo e o desenvolvimento da próxima cena no teatro de operações da América Latina? Seus atores estão no palco, atentos às palavras do soprador. Este ditará atitudes de distensão ou de carranca?

Seja como for, ele só agirá em conformidade com as reações do público, em particular do colombiano, o qual jamais poderá esquecer que uma porção expressiva de seus membros – irmãos, pais, filhos ou parentes – continua seqüestrada nas selvas, agrilhoada e tratada como animais, não sabendo sequer se sairá viva. Cumpre a este público não baixar a guarda!

sábado, 8 de março de 2008

Equador x Colômbia: O verdadeiro motivo do conflito

O que sobressai do atual conflito entre o Equador e a Venezuela, de um lado, e a Colômbia de outro, mais do que uma questão de violação de soberania é o seu caráter ideológico.

Enquanto Rafael Correa e Hugo Chávez imprimem a seus governos um rumo cada vez mais à esquerda – no que são apoiados discretamente pela Rússia de Putin e ostensivamente por Cuba e pelo Irã –, o colombiano Álvaro Uribe chefia um governo de centro-direita, apoiado pelos Estados Unidos e, em alguma medida, por países europeus.

No espectro latino-americano há ainda, alinhados ao bloco da Venezuela e do Equador – do qual Cuba é a tintura-mãe –, países como a Bolívia e a Nicarágua. São os da marcha rápida, que não ocultam sua meta. E outros que, sem pertencerem àquele bloco, são governados por esquerdistas que o criticam em um ou outro ponto secundário, mas que mantêm em relação a ele uma atitude de simpatia e colaboração.

Os governos destes últimos não podem, por injunções de opinião pública, levar a esquerdização em seus respectivos países além de certo ponto. Isso os obriga a caminhar com cautela, sem revelar a meta: “Marchons à petits pas, ne faisons point de bruit; écoutons, parlons bas” (Andemos devagar, sem fazer barulho; escutemos, falemos baixo). Estão neste caso a Argentina, o Brasil, o Chile e o Uruguai.

Por aí torna-se fácil aquilatar a dimensão do desafio do governo de Álvaro Uribe, ao ter que se defrontar simultaneamente com dois adversários com laços recíprocos: o interno (as guerrilhas) e o externo (o bloco de esquerda chamado bolivariano, seus aderentes e simpatizantes).

Apoiado moralmente pela esmagadora maioria da opinião pública colombiana e logisticamente pelos Estados Unidos, o governo Uribe decidiu enfrentar de viseira erguida o desafio.

Para isso ele encetou caminho oposto ao trilhado pelos seus antecessores. Estes vinham fazendo contínuas concessões à narco- guerrilha, a ponto de lhe destinar um “santuário” do tamanho do Estado do Rio de Janeiro, onde o exército simplesmente estava impedido de entrar! O presidente Uribe, pelo contrário, assumiu em relação a ela uma política de “tolerância zero”.

Adotou esta política por considerá-la a única resposta adequada aos grupos marxistas-leninistas que há 40 anos ensangüentam a vida pública e os lares colombianos. De sua sanha assassina não escapou praticamente uma só família, num país de mais de 40 milhões de habitantes: seja por seqüestro, seja por morte, seja por seqüestro seguido de morte; sem falar das volumosas extorsões financeiras, das migrações e emigrações.

E Álvaro Uribe não se equivocou. Com tal política, seu governo vem obtendo êxitos notáveis. Não só ao reduzir praticamente à extinção o ELN, como também ao vir tangendo cada vez mais as FARC rumo à mesma direção. Prova disso é que os guerrilheiros agora mortos julgavam-se abrigados do outro lado da fronteira, em território equatoriano, de onde inclusive telefonavam para Hugo Chávez e outros supporters.

Essas guerrilhas, além de grandes disseminadoras de drogas para o mundo inteiro, têm a declarada intenção de transformar a Colômbia numa república socialista. É compreensível, pois, que um golpe mortal desferido contra elas doa especialmente naqueles que compartem os seus objetivos.

Foi o que aconteceu com Hugo Chávez e Rafael Correa, do hard core do referido bloco e pregoeiros do “socialismo do século XXI”: a notícia da morte do farcista Raúl Reyes e de seus comparsas – quanto mais tendo ocorrido no quintal de um deles – caiu como um raio, fazendo-os como que sentir na própria pele os efeitos letais dos artefatos lançados pela Força Aérea colombiana contra os narco-terroristas.

Fazendo coro com a Venezuela, a Nicarágua e a Argentina, o Brasil – que se nega a reconhecer as FARC como terroristas –, endossou o pedido do Equador à OEA, de uma “condenação hemisférica” da Colômbia. Antes, nosso governo já havia declarado “muito grave” a atitude colombiana. Mais circunspeta foi a OEA. Em sua resolução, ela reiterou tão-só o princípio da inviolabilidade do território, evitando impor à Colômbia qualquer sanção. Seria aliás decepcionante imaginar o contrário, uma vez que Chávez já violou a soberania de diversos países ao intervir na política interna destes em momentos delicados e nunca foi punido.

Embora qualquer violação de soberania seja muito grave, nosso governo simplesmente afirmou o princípio, sem descer à consideração das circunstâncias concretas que cercaram a ação colombiana. E nisso foi incoerente. Pois assim como a soberania de um país deve ser respeitada, também pelo mesmo princípio deve ser respeitado o direito de propriedade no interior de cada país, uma vez que o proprietário legítimo é soberano no âmbito do que lhe pertence.

Mas como o governo Lula restringe o direito de propriedade em nome de uma distorcida “função social”, e permite que hordas invasoras do MST o violem a seu bel-prazer, seria então o caso de perguntar: que maior “função social” poderia haver, no caso que nos ocupa, do que tirar de circulação alguns malfeitores que faziam o pior dos males a mais de 40 milhões de pessoas? Os direitos da maioria não devem, também aqui, prevalecer sobre os de uma minoria?

Compreendeu-o bem a OEA com bom senso e equilíbrio, ao reconhecer no fundo que a arremetida colombiana se justificava à vista de uma importante “função social”. No que foi confirmada pela reunião dos Chefes de Estado latino-americanos, realizada pouco depois na República Dominicana, na qual a Colômbia entrou com coragem e saiu com honra.

quinta-feira, 6 de março de 2008

O Farcismo e seus aliados

Imaginemos uma aldeia em recôndita zona rural. Seus membros são atacados, seqüestrados e mortos por bandidos que depois se refugiam em densos matagais da região. Os donos das terras onde estão esses matagais, ou desconhecem aquela ingrata presença, ou conhecem e nada podem fazer, ou por fim, conhecem e nada querem fazer para impedi-la.

Após muitos seqüestros, extorsões e mortes, a comunidade se reúne e decide pôr fim àqueles desmandos. Imaginemos ainda que no local o contingente da polícia é pequeno, seus agentes têm família e temem se meter com aquela gente. Não mais existindo para quem apelar, os aldeões se organizam e “limpam a área”.

Qual deveria ser, nessa hipotética circunstância, a reação dos donos dos matagais? De protesto por terem sido invadidos sem prévia autorização? Ou de gratidão por se terem visto livres dos bandidos?

Essa imensa aldeia é a Colômbia. Com seus mais de 40 milhões de habitantes, quase não existe família que não tenha sido dilacerada por algum crime das FARC ao longo dos últimos 40 anos. Os governos não as combatiam e, como fez o de Andrés Pastrana, antecessor de Uribe, as FARC foram beneficiadas com um “santuário” do tamanho do Estado do Rio de Janeiro em pleno coração da Colômbia. A partir dali seus membros praticavam os piores crimes e depois regressavam, sem que o exército pudesse intervir.

Tendo o governo Uribe acabado com essa regalia, os guerrilheiros não tiveram outra alternativa senão adentrar-se no mais profundo das selvas da Colômbia, ou ir para a Venezuela e o Equador. Foi neste último país que as FARC perderam Raúl Reyes, sob certo ângulo o mais importante de seus membros.

Chamou contudo atenção a falta de reação imediata do presidente Rafael Correa diante do acontecido. Ele esperou que seu aliado e patrão ideológico Hugo Chávez o fizesse, para depois atuar em total consonância e mimetismo com ele. Tanto no campo diplomático como no militar, agiu como se o Equador não fosse um país soberano.

Em qual das duas situações a soberania de um país é mais ferida: quando tropas de outro país vizinho e amigo penetram, momentaneamente e em legítima defesa, em dois quilômetros recônditos de seu território, sem prejuízos físicos ou materiais para seus habitantes, mas tão-só para agir contra um terrível inimigo que ali se embrenhou? Ou quando o presidente desse país pauta servilmente sua atuação em consonância com o presidente de outro país?

A pergunta toma mais propósito quando este último não é uma pessoa dotada de saber, de bom senso, que goza de merecido prestígio junto à opinião pública de seu país. A este título ele poderia ser um bom conselheiro a ser ouvido, e até imitado. Mas trata-se de um desequilibrado e despótico, sem apoio dos seus e, ainda mais, com o condão de envenenar o relacionamento interno e externo de diferentes nações.

Hugo Chávez, com efeito, não só se intrometeu na vida interna de outras nações que estavam em conjunturas políticas difíceis, mas se assenhoreou de tal modo do governo de uma delas – a Bolívia –, que ameaçou os bolivianos com um banho de sangue caso eles se insurgissem contra as pretensões ditatoriais de Evo Morales e o derrubassem!

E ele portanto não tinha por que meter o nariz – aqui, sim, a expressão é apropriada – numa questão entre a Colômbia e o Equador. Questão, ademais, que não era de fundo entre os dois países, mas surgida em função de um inimigo que se internara nas selvas equatorianas para dali continuar ordenando ataques mortais contra o exército e a população colombiana. E também – quem sabe? – combinar lances de propaganda com Hugo Chávez, Piedad Córdoba, além de outros aliados das FARC...

Se o atual governo equatoriano se despojasse dos preconceitos do sectarismo vermelho e tivesse todo o zelo em preservar a soberania do país, deveria, pelo contrário, ser agradecido à Colômbia. Pois esta, além de em nenhum momento ter agredido o Equador, atuou pelo contrário para a salvaguarda dos princípios democráticos em nome dos quais o governo equatoriano e os da região afirmam reger-se.

Mas infelizmente ele não agiu assim. Foi hostil ao benfeitor e subserviente ao ditador venezuelano. Seguiu-lhe o gesto de romper relações com a Colômbia e, à imitação de sua atitude perigosa e provocadora, enviou tropas à sua fronteira.

Por que o presidente Rafael Correa, ao reclamar da invasão das tropas da Colômbia, não reclamou também das FARC, que desrespeitaram a soberania do território no qual se haviam embrenhado? A menos que elas estivessem ali com conhecimento e aprovação do governo do Equador...

Falam neste sentido documentos “tremendamente reveladores” encontrados pelo exército colombiano nos computadores dos guerrilheiros (altamente informatizados!), em especial no do chefe Raúl Reyes. Tais documentos tiveram sobre a opinião pública o efeito de uma bomba, mais espetacular do que as que vitimaram aquele narco-guerrilheiro e seus companheiros de crimes. Pois conferem às ações das FARC uma extensão inter-governamental.

Segundo tais documentos, entre outras coisas, Chávez destinou 300 milhões de dólares à guerrilha colombiana. E o ministro do Interior do Equador, Gustavo Larrea, de codinome “Juan”, visitou os guerrilheiros das FARC em nome do presidente Rafael Correa, para intermediar posteriores contactos entre o governo equatoriano e as FARC! Mais. Entre outras medidas que “Juan” deveria adotar, estava a de providenciar a substituição das forças policiais equatorianas lotadas na região onde atuavam os guerrilheiros, por outras corrompidas que lhes facilitassem o serviço.

Esses “tremendamente reveladores” documentos revelam assim alguns aspectos de uma imensa conjuração farcista, para a qual concorrem possantemente os atuais governos da Venezuela e do Equador.

Aliados à Bolívia e vistos com simpatia ou displicência – para dizer pouco – por outros governos, eles parecem desejar, pela força das armas, lançar-se a uma nova aventura, a fim de tentar operar no continente uma mudança sócio-político-econômica que não conseguiram obter pela via das reformas. É esta, aliás, a explicação mais plausível para todo o arsenal bélico que Hugo Chávez vem acumulando.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

MST em mansão da Gávea

João Pedro Stédile e outros líderes do MST se reuniram para um churrasco, no dia 22 de fevereiro, numa mansão da Gávea pertencente ao industrial Vicente Mantuano, simpatizante do movimento.

Só que desta vez o ato – ao qual compareceram intelectuais, empresários, artistas e figuras da sociedade carioca – não foi para exigir do governo brasileiro mais terras para a Reforma Agrária. Seu objetivo foi discutir com “companheiros” do governo venezuelano a verdadeira situação daquele país! Segundo o MST, a mídia brasileira faz perseguição feroz a Hugo Chávez.

O evento deixou patente, mais uma vez, duas coisas: 1ª) a estreita solidariedade do MST com o chavismo; 2ª) quanto tinha razão Lênin, quando afirmou que a burguesia forneceria a corda com a qual seria enforcada.

O referido industrial, amigo dos inimigos da propriedade privada, transformou assim sua mansão numa versão tupiniquim do Palais Royal. Este era o palácio cujo dono – Filipe de Orleans, primo do Rei da França – aglutinava seus comparsas da alta sociedade, intelectuais e panfletários revolucionários para, juntos com a escumalha de Paris, tramar a derrubada da monarquia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Encontro Lula-Sarkozy

Por injunções do calendário, o encontro de Lula com Sarkozy na Guiana Francesa acabou ocorrendo poucos dias após as impressionantes manifestações de 10 milhões de colombianos no último dia 4, contra as FARC. E como o tema do acordo humanitário na Colômbia esteve na pauta, a reunião só teria sentido se neste particular atendesse aos anseios do povo livre e independente da Colômbia. Ou seja, exigir pura e simplesmente das FARC uma imediata e completa entrega de todos os reféns, sem qualquer contrapartida!

O que não for isso é inaceitável. E leva qualquer pessoa sensata a suspeitar se os outros tão noticiados “pourparlers” desse encontro não seriam “bois de piranha” para despistar uma solução falsamente conciliadora no nevrálgico cenário colombiano. Neste propósito, buscariam uma síntese entre a posição de Chávez (que advoga o reconhecimento das FARC como grupo insurgente) e a da dupla Sarkozy-Lula (que não tem uma posição intransigente em relação às mesmas FARC). Síntese na qual a grande beneficiada seriam as agonizantes FARC, uma vez que é impossível uma pretensa posição eqüidistante entre o bem e o mal, o crime e a justiça.

Que abram os olhos os colombianos e não colombianos!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O “chavismo” em apuros

As coisas definitivamente não vão bem para Hugo Chávez. Após duas derrotas políticas – primeiro no referendo de dezembro para reformar a Constituição, depois na intermediação dos reféns das FARC –, ele acaba de ser ferido na jugular, o petróleo. A Venezuela é o oitavo produtor mundial e o quarto exportador para os EUA depois do Canadá, do México e da Arábia Saudita.

Com efeito, a líder mundial do ramo – Exxon Mobil –, após sofrer em 2007 processo de expropriação na Venezuela, já ganhou quatro ações em tribunais da Holanda, dos Estados Unidos, da Inglaterra e do País de Gales. Com essas medidas cautelares ela visa, de um lado evitar que a estatal de petróleo venezuelana PDVSA se mobilize para a venda de seus ativos no exterior enquanto durar o litígio, e de outro assegurar devida indenização se vier a perder a ação.
Só no tribunal de Nova York já haviam sido congelados US$ 300 milhões. E no dia 24 de janeiro último, tribunais da Inglaterra e do País de Gales determinaram o congelamento de US$ 12 bilhões.

Para se medir a extensão do golpe, basta considerar que o faturamento da PDVSA corresponde à metade do PIB venezuelano, já que o petróleo é a principal fonte de divisas do país. Por outro lado, a referida estatal padece de crescente problema de dívidas e vem tendo dificuldades operacionais por falta de inversões.

Com o petróleo pode fazer tudo, exceto comê-lo. Mas além de o setor estar mal administrado, tem havido queda de produção. Enquanto isso, os gastos do governo não param de crescer, os alimentos básicos vão escasseando, e a criminalidade atingindo índices alarmantes.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Volta à tona o desarmamento

Enquanto Chávez compra cem mil fuzis da Rússia, ameaça os adversários de Evo Morales com um banho de sangue e faz ameaças à Colômbia; quando ele se arma até os dentes, protege e defende as FARC e instala células do Hezbollah em território próximo da fronteira com o Brasil; enquanto o MST invade, incendeia e profere novas ameaças; enquanto isso o Estado brasileiro, incapaz de proporcionar segurança adequada a seus cidadãos, tenta privá-los ainda mais do direito natural de possuir uma arma para se defender!

Afinal, se o governo tivesse prevalecido no referendo de 2004 com os 66% auferidos pelo “Não”, teria certamente decretado uma cláusula pétrea sobre o assunto; mas como perdeu, volta à carga.

O argumento agora se baseia em novas e controversas estatísticas sobre uma pretensa diminuição da criminalidade que teria ocorrido desde a implementação do Estatuto do Desarmamento, apresentada por um especialista e contestada por alguns.

Embora se declare em contenção de despesas após perder a CPMF, o governo parece disposto a desembolsar alguns milhões de reais em outro referendo. Espera assim fazer prevalecer sua ideologia sobre o pensamento corrente na opinião pública sobre o assunto, cujo mais recente eco foi o espetacular sucesso de bilheteria do filme “Tropa de Elite”.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

“Washington Post”: Chávez, aliado das FARC

Em incisivo editorial de ontem, 16 de janeiro, o Washington Post qualificou Hugo Chávez de “aliado” das FARC, e advertiu os líderes da região de que ele não é mais só o “populista que compra com petrodólares os amigos”, mas que se converteu em “chefe de Estado que promove abertamente grupos narcotraficantes e seqüestradores”.

O jornal comenta que Chávez, após a recente soltura de duas reféns, fez uma “aberta promoção” das FARC e do ELN chamando-os de “exércitos genuínos” com um “projeto político bolivariano”, quando na realidade são grupos terroristas que contam entre seus atos “o seqüestro, o narcotráfico e o assassinato massivo”. E considerou “alentadora” a reação de repulsa de outros países do continente a tais declarações.

O Post considerou que a melhor resposta dada a Chávez foi a do próprio governo colombiano, ao frisar que as FARC são grupos terroristas que se financiam com um negócio “letal para a humanidade” – o tráfico de drogas –, além de exercer outras práticas violentas.

Acusou ainda o cineasta Oliver Stone de se “vender” à idéia de qualificar as FARC de “heróicas”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Mediação do Vaticano?

Vem causando preocupação na Colômbia a notícia, veiculada pela revista “Cambio” (Bogotá, 10 a 16/01/07), de que altos dignitários eclesiásticos daquele país acenam para a possibilidade de recorrerem à diplomacia vaticana para obter da União Européia a retirada das FARC da lista dos grupos terroristas: “Poderíamos .... aproveitar a influência do Vaticano nos mais importantes países da União Européia para que exclua as Farc de suas listas negras”, afirmou um prelado.

A informação é do boletim eletrônico “Destaque Internacional”, de San José de Costa Rica, de 15-01-07, que aponta os riscos que tal mudança acarretaria no panorama interno da Colômbia e no resto do continente:
“Tal mudança de denominação está longe de ser um mero jogo de palavras, porque o reconhecimento das Farc como força beligerante deixaria as guerrilhas quase em igualdade de condições com o governo colombiano, lhes concederia um enorme prestígio internacional, dar-lhes-ia condições para negociar diretamente com governo estrangeiros e lhes abriria a possibilidade de abertura de escritórios de representação no exterior. Desse modo, se oficializaria a internacionalização do conflito da Colômbia, com conseqüências políticas imprevisíveis.”

– Estaria a diplomacia vaticana disposta a conseguir para as FARC o que estas não obtiveram através de Chávez?

Farc, Chávez & Cia. – III

Enquanto isso, em Cuba, durante a recente visita do Presidente Lula, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmou que não concorda com Chávez em classificar as FARC de “insurgência”, mas que o Brasil continuará também a não chamá-las de terroristas, pois sob este epíteto o País só considera a Al Qaeda, porque designada assim pela ONU.

Declaração cômoda e simplista!

O diapasão é a ONU, e não o senso moral aplicado a determinados atos!

Como chamar a quem semeia o terror senão de terrorista?

O que leva a pensar que essa tirada de corpo oculta na realidade uma mal-velada simpatia do governo em relação ao grupo narco-comunista.

Na expressão do jornalista Augusto de Franco, “Lula é o Chávez possível nas condições do País” (FSP, 8-1-07). Para ambos, pouco parece importar as mortes com as quais as FARC continuam a ensangüentar a Colômbia, ou o perigo de elas virem a fazer o mesmo no resto de continente – eventualidade que deita luz sobre o imenso arsenal bélico acumulado pelo defensor venezuelano delas.

* * *

Para uma abordagem mais aprofundada deste assunto e de correlatos, recomendo o blog Radar da Mídi: http://radardamidia.blogspot.com/

Farc, Chávez & Cia. – II

Entregaram as duas reféns – Consuelo González de Perdomo e Clara Rojas – ao ministro do Interior da Venezuela, que se fazia acompanhar do embaixador cubano e da senadora esquerdista colombiana Piedad Córdoba. O ministro teve o desplante de dizer aos guerrilheiros, como agradecimento, que se mantivessem na luta! Foi bom para saber o que ele de fato acha. No mesmo dia, Chávez fez um apelo consentâneo com os inusitados votos de seu ministro, pedindo aos países para não mais considerarem as FARC como grupo terrorista! Na véspera, Lula havia se manifestado no mesmo sentido.

Em retribuição a essas dádivas, pouco depois as mesmas FARC seqüestravam mais seis pessoas numa tranqüila praia colombiana... Sem contar que alguns dias antes a polícia havia localizado uma fossa comum, com seis corpos completamente mutilados. Comprovou-se que essas pobres vítimas haviam sido garroteadas e mortas a pauladas pelas FARC.

Como se sabe, no Brasil, ao se aproximarem as últimas eleições presidenciais, o MST deu ordem para que cessassem as invasões, a fim de não prejudicar a candidatura do Lula. Foi seguido à risca! Na Colômbia, nem isso as FARC fazem. Ainda quando precisariam passar por simples insurgentes, nem por tática conseguem aplacar sua sanha criminosa! Como diz, na fábula, o escorpião ao sapo agonizante: “Está na minha natureza”.

Farc, Chávez & Cia. – I

Numa formulação um tanto pejorativa, certo francês se referia assim à direita: la droite toujours gauche, la gauche toujours adroite (a direita sempre canhestra, a esquerda sempre destra). O chiste fica desmentido pela falta de rumo das esquerdas e as incontáveis trapalhadas de seus próceres, de um lado, bem como pelo épanouissement da direita um pouco por toda parte.

Para não ir longe, basta tomar o caso de Chávez com as FARC. Após anunciar bombasticamente a libertação de três reféns, constata-se que um deles – o menino Emmanuel – simplesmente não se encontrava em poder dos terroristas. Com isso, a badalada operação-prestígio de Chávez, admitida pelos ingênuos como “humanitária”, teve de ser adiada. Mas não parou aí.