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quinta-feira, 20 de março de 2008

Direita francesa castiga Sarkozy

No segundo turno das eleições municipais francesas, ocorrido no dia 16 de março, prevaleceu a tendência observada no primeiro, ou seja, um recuo das forças da direita em benefício do Partido Socialista. Com efeito, este conquistou 24 das 36 cidades com mais de 100 mil habitantes, arrebatando ainda à direita 38 localidades com mais de 30 mil habitantes. Tanto o Partido Comunista como a extrema-direita de Le Pen obtiveram resultados inexpressivos.

Contudo, mais do que um avanço da esquerda, o que se observou foi um castigo infligido a Sarkozy por 35% da população de centro-direita que se abstiveram de votar. Não é temerária a afirmação, pois é sabido que o eleitorado de esquerda é disciplinado e não se abstém. Quanto mais no longo e tenebroso inverno político em que se encontra!

Se no próximo quatriênio que ainda tem à sua frente o presidente Sarkozy decidir “queimar o que adorou e adorar o que queimou”, reconciliando-se com a opinião pública que o elegeu com folgada margem de votos há apenas 10 meses, e encetar uma política consoante com as suas aspirações, terá tudo para reverter a situação; caso contrário, esta não fará senão piorar.

quinta-feira, 13 de março de 2008

LIVRO NEGRO DA REVOLUÇÃO FRANCESA




Reabilitação da Rainha Maria Antonieta

Na França, país cuja história influenciou profundamente o regime político e a vida social e cultural de todos os povos ocidentais, estão na ordem do dia dois acontecimentos de grande significado.

O primeiro deles é o espetacular lançamento, pelas edições du Cerf, do Livro Negro da Revolução Francesa, de 882 páginas. Elaborou-o, sob a direção do Pe. Renaud Escande, OP, um pequeno batalhão de 46 historiadores, entre os quais Pierre Chaunu, Jean Tulard, Emmanuel Leroy-Ladurie, Jean-Sévillia e Jean-Christian Petitfils. É o Tribunal da História julgando o Tribunal Revolucionário de 1789. Lançado em janeiro de 2008 ao preço de 44 euros, já está na terceira edição. Em apenas três semanas, escoaram-se 10 mil exemplares!

Aliando erudição com farta documentação, seus autores recompõem para a posteridade o verdadeiro rosto da Revolução Francesa – sanguinária e cruel, perseguidora da Religião e da Monarquia – que os manuais de história, a literatura, os meios acadêmicos e de comunicação social insistiam até há pouco em apresentar sempre maquiado.

Eis as palavras introdutórias ao Livro Negro da Revolução Francesa:
“Legítimos e gloriosos, festivos e fraternais, frutos de uma ‘razão’ esperada pelos séculos: é assim que são habitualmente apresentados os acontecimentos daquele que foi um dos períodos mais sangrentos da História, inaugurando tragicamente uma sucessão de revoluções e de conflitos que marcaram a Europa até a metade do século XX.

“É sempre do interesse de uma nação fazer brilhar alguns mitos fundadores, e do interesse dos que tomaram o poder, de mascarar a violência e arbitrariedade sobre as quais eles impuseram sua dominação. Mas a História não é escrita como a mitologia, e sua exigência de verdade não deveria ser atravancada por pretensões utilitaristas. Esta obra não pretende ‘enegrecer’ fatos que falam por si. Esta violência inaudita – que entretanto se reclamava das Luzes – produziu uma onda de choque tal, que deveria estender-se por diversas gerações. Ela levou consigo, sobre o fenômeno revolucionário, toda uma série de obras e de reflexões críticas, das quais se nega muito rapidamente, com freqüência, a legitimidade.”
* * *

O segundo acontecimento diz também respeito à reconstituição da verdade histórica sobre a Revolução Francesa. Trata-se do anúncio de uma grande exposição sobre a Rainha Maria Antonieta, a realizar-se no Grand Palais a partir de 15 de março de 2008. O semanário “Valeurs Actuelles” dedicou-lhe uma substanciosa matéria de capa intitulada “Maria Antonieta superstar”, que seu colaborador Laurent Dandrieu inicia com estas palavras: “Maria Antonieta volta ao centro da atualidade. O tempo joga a favor da mais vilipendiada das rainhas da França, que não cessa de cativar os corações e as imaginações.”

São as voltas que a História dá: em nome da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, a Revolução Francesa cometeu os piores crimes que imaginar se possa. E, a exemplo do que sucede com os criminosos, acabou, também ela, no banco de réus... Enquanto isso, “a mais vilipendiada das rainhas”, Maria Antonieta, injustamente condenada à guilhotina pela turba revolucionária, desce das sombras do cadafalso e dá início a uma ascensão rumo aos galarins da glória. Nos braços do povo francês.