As eleições legislativas espanholas de 9 de março confirmaram o atual chefe socialista de governo, José Luis Zapatero, para o próximo quatriênio. Só que seu partido, o PSOE, contrariamente à folgada maioria esperada – necessitava de 176 cadeiras para constituir maioria – obteve uma vitória de meia-sola: 169 assentos, contra 153 do oposicionista Partido Popular (PP).
Para aprovar seus projetos, Zapatero precisará agora do apoio do partido catalão de centro-direita CIU, com 11 deputados, porquanto os demais partidos de esquerda não possuem representantes suficientes para assegurar maioria ao PSOE.
Muito curiosamente, repetiu-se o sucedido em 11 de março de 2004, quando um grande atentado terrorista em Madrid viabilizou sua ascensão ao poder. Também agora Zapatero se beneficiou de um atentado atribuído ao ETA dois dias antes do prélio, na localidade basca de Mondragón. A vítima fatal foi um ex-vereador do PSOE, e o crime – fartamente noticiado pela mídia – causou grande comoção nacional, auferindo votos para o partido.
Este segundo governo, contudo, não será fácil para o primeiro-ministro socialista, o qual já adiantou que evitará “crispações”. Se na refrega eleitoral Zapatero se defrontou com um opositor medíocre como Mariano Rajoy, terá agora de enfrentar pelo menos uma metade mobilizada da Espanha, que tem manifestado cada vez mais sua indignação ante a destruição de seus fundamentos tradicionais e católicos pelo PSOE.
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terça-feira, 11 de março de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Jihad da intolerância laica
Costumou-se associar atitudes de intolerância ao fundamentalismo islâmico com sua jihad contra o Ocidente cristão.
Ora, neste mesmo Ocidente está em curso outra jihad, a do laicismo, pior que a muçulmana. Porque enquanto a primeira procede de gentios, esta é perpetrada pelos que renegaram o Batismo e abraçaram o neo-paganismo.
Na católica Espanha, por exemplo, a crescente animadversão do governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) pela Religião não tem poupado esforços para erradicar da sociedade todo e qualquer traço de sua salutar influência. E também na União Européia tomada em seu conjunto, cujo projeto de Constituição teima em silenciar as raízes cristãs da Europa, enquanto suas leis incentivam tudo quanto se opõe à moral católica: aborto, união homossexual etc.
O mais recente lance desta jihad laicista se deu na Cidade Eterna, mais precisamente na Universidade La Sapienza, fundada pelo Papa Bonifácio VIII em 1303.
Estava prevista para o dia 17 de janeiro p.p. uma visita do Papa Bento XVI àquele estabelecimento, com um corpo docente de 4.500 professores. Destes, apenas 67, acompanhados por um punhado de alunos, se opuseram à honrosa visita, ameaçando conturbá-la. Afirmaram que em 1990 o então Cardeal Ratzinger, um “reacionário”, ousara fazer reparos a Galileu!
O Santo Padre julgou então prudente não comparecer. Enviou um discurso, o qual após ser lido pelo Reitor, fez com que toda a Universidade estrugisse em aplausos.
O episódio redundou em glória não só para o atual Pontífice, como também para o seu longínquo predecessor, o Papa Bonifácio VIII, que no ano de 1303 viveu um paradoxo: ao mesmo tempo em que dava La Sapienza ao mundo, sofria um sacrílego atentado que marcou a ruptura desse mesmo mundo com a Sabedoria.
Com efeito, o fim da Idade Média tem sido assinalado pela bofetada que Nogaret, emissário de Felipe IV, desferiu na face de Bonifácio VIII naquele ano de 1303, fazendo-o morrer de desgosto pouco tempo depois.
Sucederam-se o Humanismo, o Protestantismo, a Revolução Francesa e o Comunismo, que em vão tentaram extinguir a Igreja e a Civilização Cristã dela nascida, ancorada no Papado.
O que diria Voltaire (cujo lema era “écrasez l’infâme” – esmagai o infame, referindo-se a Nosso Senhor), se pudesse antever que um minguado contingente de seguidores seus iriam, no século XXI, hostilizar um Sucessor de São Pedro e receber como resposta o desagravo entusiasmado de mais de 100 mil fiéis de todas as idades, profissões e condições sociais?
Ora, neste mesmo Ocidente está em curso outra jihad, a do laicismo, pior que a muçulmana. Porque enquanto a primeira procede de gentios, esta é perpetrada pelos que renegaram o Batismo e abraçaram o neo-paganismo.
Na católica Espanha, por exemplo, a crescente animadversão do governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) pela Religião não tem poupado esforços para erradicar da sociedade todo e qualquer traço de sua salutar influência. E também na União Européia tomada em seu conjunto, cujo projeto de Constituição teima em silenciar as raízes cristãs da Europa, enquanto suas leis incentivam tudo quanto se opõe à moral católica: aborto, união homossexual etc.
O mais recente lance desta jihad laicista se deu na Cidade Eterna, mais precisamente na Universidade La Sapienza, fundada pelo Papa Bonifácio VIII em 1303.
Estava prevista para o dia 17 de janeiro p.p. uma visita do Papa Bento XVI àquele estabelecimento, com um corpo docente de 4.500 professores. Destes, apenas 67, acompanhados por um punhado de alunos, se opuseram à honrosa visita, ameaçando conturbá-la. Afirmaram que em 1990 o então Cardeal Ratzinger, um “reacionário”, ousara fazer reparos a Galileu!
O Santo Padre julgou então prudente não comparecer. Enviou um discurso, o qual após ser lido pelo Reitor, fez com que toda a Universidade estrugisse em aplausos.
O episódio redundou em glória não só para o atual Pontífice, como também para o seu longínquo predecessor, o Papa Bonifácio VIII, que no ano de 1303 viveu um paradoxo: ao mesmo tempo em que dava La Sapienza ao mundo, sofria um sacrílego atentado que marcou a ruptura desse mesmo mundo com a Sabedoria.
Com efeito, o fim da Idade Média tem sido assinalado pela bofetada que Nogaret, emissário de Felipe IV, desferiu na face de Bonifácio VIII naquele ano de 1303, fazendo-o morrer de desgosto pouco tempo depois.
Sucederam-se o Humanismo, o Protestantismo, a Revolução Francesa e o Comunismo, que em vão tentaram extinguir a Igreja e a Civilização Cristã dela nascida, ancorada no Papado.
O que diria Voltaire (cujo lema era “écrasez l’infâme” – esmagai o infame, referindo-se a Nosso Senhor), se pudesse antever que um minguado contingente de seguidores seus iriam, no século XXI, hostilizar um Sucessor de São Pedro e receber como resposta o desagravo entusiasmado de mais de 100 mil fiéis de todas as idades, profissões e condições sociais?
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