sábado, 4 de julho de 2009

A QUEM SERVE A OEA?



Acabo de ler, com espanto e indignação, as declarações do chileno José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), após sua malograda visita a Honduras: “Minha conclusão é a de que a ruptura da ordem constitucional persiste e que os que fizeram isso não têm de momento nenhuma intenção de reverter a situação”.

Ou seja, segundo ele a ordem constitucional foi rompida, não porque o presidente Manuel Zelaya desrespeitou a Constituição ao tentar realizar um plebiscito vedado pela mesma, mas porque as forças vivas da nação, lideradas pelo Poder Judiciário, impediram esse desrespeito e afastaram o infrator!

De mais a mais, a de Zelaya não foi uma ruptura qualquer. Pois o que ele de fato pretendia com o plebiscito era aplicar em Honduras o mesmo esquema já utilizado com sucesso pelo socialo-chavismo no Equador e na Bolívia: com base em consulta popular (não isenta de alto risco de fraude), perpetuar-se – e ao sistema – no Poder. Esquema – diga-se de passagem – elogiado como modelo de democracia para o Continente pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, durante conferência em Lima.

A atitude do Sr. Insulza espanta ainda mais porquanto acena para a possibilidade de expulsar Honduras da OEA pouco depois de nela readmitir Cuba (que continua sangrando sob o tacão de seus ditadores), inoculando assim, no próprio seio, o câncer comunista que os hondurenhos corajosamente repelem.

Nolens, volens, o secretário-geral da OEA obedeceu às injunções do bloco bolivariano (visto com franca simpatia pelos presidentes Barack Obama e Lula), cujo objetivo confessado é a implantação do socialo-comunismo em todo o Continente. Bloco que inclusive inventou a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) para substituir a OEA!

Secretário-geral da OEA, o Sr. Insulza fez na prática a política de embaixador da ALBA!










sábado, 11 de abril de 2009



Tsunamis americanos


Nossa mídia, com freqüência tão sôfrega em noticiar assuntos sem o menor interesse do público, omite-se de fazê-lo no tocante a certos fatos espantosos – verdadeiros tsunamis – que acontecem numa ordem de coisas que lhe é adversa. Por exemplo, em relação ao que ocorre atualmente nos Estados Unidos.

Com efeito, o reitor da Universidade Católica de Notre Dame, Pe. John Jenkins, CSC, convidou o presidente Obama para presidir à abertura do ano letivo daquela prestigiosa instituição no dia 17 de maio, quando receberá o título de Doctor honoris causa.

O convite causou espécie nos católicos, porquanto Obama promove abertamente o aborto e outras medidas contrárias à moral da Igreja.

Não tardou para que a Cardinal Newman Society lançasse um vigoroso abaixo-assinado de protesto, subscrito por cerca de 250 mil católicos, pedindo ao reitor para retirar o convite.

Ao mesmo tempo, cerca de 400 alunos da referida Universidade protestavam no campus com análoga exigência.

O movimento de tal modo pipocou que muitos bispos julgaram não poder ficar indiferentes. Tanto mais quanto o próprio ex-Arcebispo de Saint Louis e atual presidente da Assinatura Apostólica, Dom Burke, havia censurado o fato de muitos deles não terem sido zelosos em alertar os fiéis contra o programa anticatólico de Obama, levando-os a elegê-lo.

Assim, até o momento, 31 prelados – o Cardeal presidente da Conferência Episcopal, Arcebispos e Bispos – e pelo menos 600 sacerdotes se manifestaram publicamente contra o convite feito ao presidente Obama, pedindo ao Pe. Jenkins o cancelamento do mesmo.

Pelo menos um bispo chegou a dizer que a Universidade de Notre Dame deveria renunciar ao nome de católica, não somente pelo presente convite, mas também porque sob a égide do mesmo reitor ali foram encenadas no passado representações da mais baixa pornografia.

A TFP americana não podia omitir-se. Seu presidente, Raymond Earl Drake, dirigiu ao Pe. Jenkins uma carta de protesto ao mesmo tempo enérgica e respeitosa. – A referida TFP já havia empreendido vitoriosa campanha contra o filme blasfemo “O Código da Vinci” e acaba de liderar um tsunami de protestos contra o diário francês “Le Monde” (em 25/4 foram mais de 500 e-mails por hora, segundo o jornal) por conta de um ignóbil e sacrílego ataque a Nosso Senhor e ao Papa.

Na esteira dos protestos presentemente em curso nos EUA, a Casa Branca acaba de confirmar o recebimento de nada menos que 2.250.000 (dois milhões duzentos e cinqüenta mil) envelopes vazios, de cor vermelha, uma iniciativa de Chris Otto, militante contra o aborto. No verso de cada envelope está escrito: “Este envelope representa uma criança que morreu abortada. Ele está vazio porque aquela vida não pôde oferecer nada ao mundo. A responsabilidade começa na concepção”.

Last but not least, até o momento nenhum dos três candidatos a embaixador americano junto à Santa Sé foi aceito, pois todos eram favoráveis ao aborto.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Obama: o mito e a realidade

Não me lembro de homem público que tenha sido objeto de tantos elogios e expectativas como Obama. O que o coloca em situação difícil, pois ele não pode ter uma performance diferente de tais expectativas. – Estará correspondendo a elas?

Mal assumiu o governo e pelo menos quatro de seus ministros já renunciaram por conta de sonegação fiscal. Sua política interna vem sendo justamente acusada de socialista pelas medidas econômicas que ele vem adotando para conter a crise, e de contrária aos valores morais por favorecer o aborto e permitir a pesquisa com células-tronco embrionárias.

No plano externo, sua iniciativa de estreitar relações com a Rússia de Putin e de suspender o embargo à Cuba dos irmãos ditadores da oligarquia castrista tem causado apreensão nos meios conservadores. Pois de um lado todos sabem que o ex-coronel da KGB vem reestruturando o antigo regime soviético, e de outro, que a negra miséria em que jaz a Ilha do Caribe provém não do embargo americano, mas do próprio sistema socialista ali instaurado há meio século.

Mas nada disto preocupa Obama, que também está em vias de suspender o estratégico escudo antimísseis na Polônia e na Checoslováquia, concebido no governo Bush, desde que a Rússia obtenha de seu aliado – do “meigo” presidente iraniano – a cessação do enriquecimento de urânio para fabricação de armas atômicas...

Em face desse retraimento militar estratégico do governo Obama e da má vontade da União Européia para a solução da débâcle financeira de seus parceiros do Leste, já há quem diga que uma nova Yalta – ou seja, a volta dessas nações à tutela da Rússia – se perfila no horizonte.

O “Obama nas alturas”, entoado em uníssono pela mídia internacional, já não é unânime. A imprensa inglesa, por exemplo, começa a criticá-lo. Por enquanto não por conta de assuntos de grande transcendência como os acima referidos, mas pela gafe cometida quando da recente visita do primeiro-ministro Brown e de sua esposa aos EUA. Pois a gafe de alguém que se encontre à testa de um país, sobretudo se este for um país gigante, toma as proporções não desse alguém, mas do país.

Primeiramente Obama cancelou a entrevista coletiva prevista para logo após a chegada da comitiva inglesa. E depois, no momento da tradicional troca de presentes, enquanto Brown, apesar de socialista, agia como gentleman, Obama agia simplesmente como socialista...

Com efeito, Brown presenteou-o com um porta-canetas entalhado em madeira extraída do mesmo navio do qual fora esculpida a bela e prestigiosa escrivaninha Resolute Desk. Presenteada pela Rainha Vitória em 1880 ao presidente americano de turno na época, essa escrivaninha vem sendo usada por quase todos os seus sucessores no Salão Oval da Casa Branca. Deu-lhe, ademais, uma reprodução emoldurada do navio Resolute e uma coleção de sete volumes de Winston Churchill.

Qual foi o presente de Obama? Uma coleção de DVDs, que provavelmente mandou comprar às pressas em alguma loja do Wall Mart! Além do mau gosto e da má qualidade da escolha, os DVDs americanos nem podem ser tocados nos aparelhos ingleses, por incompatibilidade técnica.

O gesto foi considerado pelos jornais ingleses como uma imensa gafe. Vejamos se a mídia brasileira a comentará com o mesmo afã com que se debruçava sobre qualquer deslize de Bush. Duvido.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O adeus de Eluana


A morte de Eluana – a jovem italiana que sobreviveu 17 anos aguardando a hora em que Deus a chamasse – recordou-me o que amiúde sucede com certos prédios em vias de ser tombados: da noite para o dia são demolidos, a fim de evitar o tombamento. Assim, enquanto no Senado se discutia uma lei que salvaria aquela desditada jovem e tantas outras pessoas da eutanásia, em uma clínica particular de Udine a picareta da morte abatia-se inclemente sobre sua cabeça.

Os que perpetraram esse nefando crime esqueceram-se de que, contrariamente ao que sucede com os prédios, o “monumento” Eluana, cuja “demolição” era desejada pelo próprio pai, mais do que pertencente a ele ou à família, era patrimônio intocável de Deus, Autor da vida.

Mas – perguntará alguém – por que tanto alvoroço em torno de uma moça que até então era desconhecida do mundo? Havia, da parte dos que desejavam seu fim imediato, grande apreço por sua pessoa? – Não, simplesmente queriam que ela "deixasse de sofrer”, ainda que para isso devessem ser utilizados meios ilícitos como a eutanásia.

Esse horror ao sofrimento conduz a extremos impensáveis. Por exemplo, ao que levou a leitora de certo jornal a manifestar sua indignação por uma fotografia publicada na edição anterior. A foto mostrava um cavalo atrelado pelo cabresto à garupa de uma motocicleta, enquanto por uma corda atada à sua cauda ele puxava uma motocicleta estragada e seu respectivo condutor.

Por maior que seja o mau gosto da brincadeira, meçamos contudo o modo como a leitora se refere aos protagonistas da cena, e nos perguntemos se ela seria tão enfática ante a notícia de um aborto ou de uma eutanásia – por exemplo, a que ceifou a vida de Eluana:

“Escrevo indignada, chocada e completamente estarrecida com a foto cruel estampada na página 2. São covardes, cruéis, imbecis, sem rosto, sem alma, sem mãe, nem pai. Essa é a definição para estes dois monstros, que simplesmente se acham no direito de pegar um animal e usá-lo da maneira mais cruel que uma mente doente poderia usar. Tenho pena de quem convive ou ao menos conhece esses dois indivíduos.”

Mas a mentalidade do homem contemporâneo, feita de horror ao sofrimento, é que se não for corrigida pode levá-lo a se tornar um verdadeiro monstro. Pois com freqüência o tem conduzido a aprovar ou praticar atos contrários à razão e à sua própria natureza, que não se vêem nem sequer nos animais.

Assim, foi de um lado em torno dessa aversão ao sofrimento, e, de outro, da compreensão de que ele é parte integrante da vida, que se posicionaram pessoas no mundo inteiro em torno do “caso Eluana”.
Mas, seja como for, a aprovação da eutanásia tem levado a situações impensáveis.

Na Bélgica, por exemplo, onde ela já foi aprovada, muitos idosos saudáveis têm se mudado para a Alemanha, junto à fronteira com o seu país, com receio de os próprios familiares lhes encurtarem os dias...

Estranho paradoxo: em nosso tempo, no qual como nunca se falou de paz, nunca se matou tanto. Mas muito mais do que nas guerras ou em decorrência da criminalidade generalizada, o que mais matou foi o egoísmo humano: sua sede de prazer engendrou o aborto e a eutanásia como instrumentos para tentar edificar na Terra um “paraíso” sem Deus.

Parafraseando Voltaire, homem sem moral e sem Deus, que ao partir da Holanda resumiu suas impressões de viagem na apóstrofe “Adieu, canaux, canards, canaille” (Adeus, canais, patos, canalha), com muito mais razão podia Eluana exclamar, ao partir definitivamente daquele Velho Mundo cada vez mais sem moral e sem Deus, no qual o elemento muçulmano vai sobrepujando o europeu: “Adieu, sarrasins, européens, assassins!” (“Adeus, sarracenos, europeus, assassinos!”).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

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Atentado sacrílego na Venezuela
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Na madrugada de quinta para sexta-feira última, um atentado sacrílego foi perpetrado contra uma imagem de Nossa Senhora que se venera na Plaza Altamira, em pleno centro de Caracas. A venerável imagem (foto) teve a cabeça e a mão direita decepadas.

O sacrilégio causou grande indignação nos católicos venezuelanos, que acusam os aliados do governo, que em outras ocasiões praticaram atos semelhantes naquele e em outros locais.

A Plaza Altamira tem sido palco de manifestações contra o regime socialista e totalitário de Hugo Chávez, que tentará eternizar-se no poder se vencedor do plebiscito marcado para amanhã, 15 de fevereiro.

Na Venezuela – como também no Equador e, em menor escala, na Bolívia – não é a primeira vez que sob governos populistas prestigiados pelo presidente Lula, graves atropelos são cometidos contra a religião católica. Sobretudo na iminência de plebiscitos “populares”.

Como se recorda, o plebiscito de 2008, através do qual foi aprovada a nova Constituição “bolivariana” do Equador, foi precedido de uma série de atentados contra a Sagrada Eucaristia e ameaças contra membros da Hierarquia católica.

Além de desagravar Nossa Senhora pela inominável ofensa de que acaba de ser objeto na Venezuela, os católicos brasileiros devem abrir os olhos para as reais intenções desses governos de esquerda – radical ou moderada, pouco importa –, pois o ódio declarado ou velado à Igreja Católica é o denominador comum de todos eles.

Quando não são atentados diretos contra a Eucaristia ou símbolos religiosos – ódio declarado –, são leis ou iniciativas frontalmente contrárias ao Decálogo, demolidoras da família e da propriedade: ódio velado e, por isso mesmo, com maior possibilidade de êxito, como temos visto no Brasil.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“Si vis pacem, para bellum”
(Se queres a paz, prepara-te para a guerra)

Tão antiga quanto os romanos, esta assertiva é mais atual do que nunca! Tanto no âmbito individual como no das nações.


No individual, porque o bom senso ensina – sobretudo aos bandidos e criminosos – que se deve pensar duas vezes antes de investir contra alguém que se presume esteja armado. E só mesmo românticos eivados de sentimentalismo humanitário (que se transformam em hienas em relação a quem discorde de sua atitude suicida) querem o desarmamento dos homens honestos.


Os que assim pensam são os “católicos progressistas”, petistas e congêneres, cujo extremismo ideológico os torna córneos diante das maiores contradições. Assim, eles são pelo desarmamento dos pais de família brasileiros e, ao mesmo tempo, favoráveis ao acolhimento de terroristas estrangeiros, cujas mãos empunharam armas em seus países para assassinar chefes de família; estremecem-se diante de qualquer excesso cometido contra um animal, e são indiferentes ao crime do aborto ou da eutanásia. E assim por diante.


O mais perigoso, contudo, é quando pessoas com essa mentalidade passam a dirigir os destinos das nações. Pois procurarão aplicar, em nível nacional e internacional, essa mesma postura comprovadamente suicida no âmbito individual.


Esta é a maior preocupação de americanos sensatos em relação ao governo Obama: que diante dos bandidos e criminosos da cena internacional, cada vez mais numerosos e ousados, ele pratique essa mesma política de desmobilização. Vontade não lhe falta. Nem physique du rôle: ele é o próprio reflexo da desmobilização.


Assim, fala-se em diminuição do arsenal bélico americano e diálogo com a Rússia, a China e o Irã, como se esses países, governados por homens a serviço de uma doutrina despótica e totalitária, pudessem respeitar qualquer tratado. E que devem, tais homens, apenas saído de sua hilariante visita o vice-presidente americano Joe Biden – como a que ele acaba de fazer à Rússia – dar boas gargalhadas da ingenuidade estúpida de quem acha que com o sorriso é capaz de conquistar corações de ferro.


Mas o largo e desprevenido sorriso de Biden, largamente difundido pela mídia, não foi feito para conquistar ditadores. Nolens, volens, ele serviu para desmobilizar a vigilância da opinião pública ocidental. Pois um sorriso pode, em certas circunstâncias, valer mais do que um discurso. E pouca gente gosta tanto do sorriso como o norte-americano... ou o brasileiro. Aliás, a hilaridade não tem sido uma das principais “armas” do presidente Lula para desmobilizar nossa opinião pública e ir se impondo?





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Herança maldita do neoliberalismo...

Mensalão boliviano

Estarreceu a opinião pública boliviana o assassinato em La Paz, no dia 27 de janeiro, do empresário Jorge O’Connor, de 37 anos, do qual dois malfeitores em moto levaram nada menos que 450 mil dólares, que ele e um sócio acabavam de sacar de uma agência do Banco Unión.

No dia seguinte foram presos os principais suspeitos, entre eles Luis Fernando Córdova e seu irmão Ernesto, exploradores da prostituição naquela capital. O primeiro acompanhara os dois empresários até o banco para retirar o dinheiro, e conduzia o veículo quando este foi abordado por Rufino Rodríguez Coca, autor dos disparos, que o acusou depois de ter planejado o crime.

Para além do episódio policial, entrou em cena um fato político. A importância fora sacada da conta da estatal de petróleo boliviana YPFB e, ao que tudo indica, destinava-se a subornar o presidente desta, Santos Ramírez, homem da confiança de Evo Morales. Ele receberia o dinheiro como propina (10%) sobre o adiantamento de 4,5 milhões de dólares que a YPFB havia feito ao malogrado empresário, para que sua empresa, Catler Uniservice, com patrimônio de apenas sete mil dólares e sem referencial técnico, construísse uma fábrica separadora de gás liquefeito em Santa Cruz, projeto orçado em 86 milhões de dólares.

As suspeitas subiram de tom por duas outras circunstâncias: 1) um sócio de O’Connor na Uniservice, Mario Cossío, em cujo nome estava um dos cheques sacados, é assessor do braço direito de Ramírez; 2) um cunhado deste último alugava um apartamento no imóvel em frente ao qual se deu o crime, e estava ali naquele exato momento, juntamente com um primo da esposa de Ramirez, supostamente para receber o dinheiro.

Como resultado, Evo Morales, que de início tentou defender o “companheiro” – possuidor em La Paz uma mansão à venda por US$ 1,5 milhão – foi obrigado a exonerá-lo, nomeando para seu lugar o ex-ministro de Hidrocarburos e Planificação do Desenvolvimento, Carlos Villegas, a quem encarregou de fazer a sindicância juntamente com a vice-ministra de Transparência e Luta contra a Corrupção, Nardy Suxo. Visivelmente preocupado, num discurso que fez lembrar os de Lula quando seus melhores “companheiros” se viram comprometidos com o “mensalão”, Evo anunciou que “o companheiro Santos Ramírez tem a obrigação de defender-se diante da justiça, diante do povo boliviano e diante das instâncias correspondentes...”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O putsch de Putin

A despótica e boçal invasão da pequena Geórgia pela Rússia, seguida da declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abejácia, abalaram profundamente a política internacional.

Foi uma vitória política da Rússia, dado o importante papel estratégico da Geórgia no Cáucaso. Além de aliada dos Estados Unidos e da Europa e potencial candidata a integrar as forças da NATO, seu território é atravessado por dutos de gás e de petróleo ligando o Azerbaijão à Turquia, atenuando nesse particular a dependência da Europa com relação à Rússia.

Putin, para quem a maior tragédia geopolítica do século XX foi o desmoronamento da União Soviética, começou assim a sua reconstrução pela invasão da Geórgia. E soube medir bem a ocasião. Pois dificilmente o governo norte-americano, às vésperas de uma eleição tão crucial como a de novembro próximo, estaria disposto a intervir militarmente em defesa de sua aliada. Tanto mais que ele já está empenhado em duas campanhas militares: no Iraque e no Afeganistão.

Além dos Estados Unidos, o ditador do Kremlin, com seu olhar viperino e sorriso sardônico, também sabia que a Europa não reagiria, porquanto ele a tem amarrada pelo pescoço com uma corda de aço – que a própria Europa comprou e colocou em suas mãos, cumprindo assim as palavras de Lenine de que “os burgueses comprarão a corda com a qual serão enforcados” – e que é o gasoduto da Gazprom, através do qual lhe chegam o gás e o petróleo russos.

Da boa vontade de Putin depende, pois, a sobrevivência da Europa. A qual, por sua vez, dependerá da “boa vontade” que os europeus demonstrem em relação aos desígnios do Kremlin. Se o “general inverno” derrotou Napoleão na Rússia, esse mesmo temido “general” poderá derrotar a Europa inteira, se a Rússia decidir, por exemplo, fechar o fornecimento de gás durante o inverno.

* * *

Cumpre não exagerar o alcance da vitória do ponto de vista militar. Pois isto depende da ocasião, da estratégia, da qualidade e quantidade dos armamentos e de soldados, bem como do porte e do grau de resistência do adversário.

Do modo como a Rússia submeteu a Geórgia, vitorioso também seria um paralítico que depois de mais de 20 anos dá seu primeiro passo. Mas daí a concluir que ele está em condições de competir nas Olimpíadas é ir longe demais. Entretanto é como a Rússia foi apresentada nesse episódio: a ganhadora de todas as “medalhas de ouro” que os títeres de Pequim tanto gostariam de lhe outorgar a propósito da “olimpíada georgiana”.

De mais a mais, para fazer sua rentrée no cenário internacional, depois de tantos fracassos, a Rússia agiu à maneira das fêmeas de certos animais: instruem seus filhotes a caçar só pequenas presas. Derrotar uma diminuta e insuficientemente militarizada Geórgia, logo ali ao seu lado, só pode ser considerado militarmente grande para quem havia sido sovado, no fastígio de seu poder, por um pequeno país – a Finlândia – que pôs para correr as “poderosas” tropas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

A Rússia de Putin está como um leproso saído do fundo do bueiro malcheiroso em que a relegaram sete décadas de socialismo. Desse mesmo socialismo utópico e malsão que a quase totalidade dos nossos atuais governantes sul-americanos de boina, de terno, de saia ou de sandália (é a última modalidade) estão apresentando, na contramão da História – e das respectivas opiniões públicas, cumpre frisar! – como novidade para o século XXI.

Quem sai de um bueiro retrata necessariamente o ambiente nele reinante: esta foi a impressão causada pelas “tropas de elite” e pela “tecnologia de ponta” russas sobre quem observou os diversos filmes mostrando suas forças atuando na Geórgia: soldados quase maltrapilhos criticando os próprios superiores militares que os enviaram sem o devido preparo, bem como equipamentos um tanto desconjuntados. Além de tais soldados, os contingentes russos eram acrescidos de aventureiros paramilitares sem qualquer compostura, que nada respeitavam, matando, saqueando, violando e queimando a seu bel prazer.

A má qualidade dos equipamentos russos e o fraco desempenho de suas tropas foram criticados sem peias pelo jornalista Simon Saradzhyan nas páginas de “The Moscou Times” (16-08/08), ao afirmar que elas estão sucateadas, e seus soldados mal treinados. Se, portanto, o apresentado pela Rússia na Geórgia for de fato uma amostra, e não uma dissimulação para ocultar alguma surpresa, suas Forças Armadas padecem de um grande atraso. Pelo menos no tocante aos armamentos convencionais.

Por sua vez, se os inexperientes dirigentes georgianos estivessem compenetrados de sua importância estratégica, teriam agido diferentemente. Não intervir na Ossétia do Sul, oferecendo de bandeja à Rússia o pretexto que ela tanto desejava.

Com efeito, nem tudo aquilo a que se tem direito pode ser factível. Cumpre examinar as circunstâncias, os riscos, os prós e os contras, ponderar bem cada ação. Se alguém, por exemplo, for credor de um indivíduo que além de mais forte tem passado criminoso, pensará duas vezes no modus operandi para reaver o seu dinheiro. Poderá decidir até em perdê-lo, como mal menor. Esse criminoso mais forte era a Rússia, e o seu credor, a Geórgia.

Segundo declarou o subchefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, general Anatoly Nogovitsyn, a Geórgia pode simplesmente esquecer-se da idéia de retomar o controle das duas províncias secessionistas – Ossétia do Sul e Abjazia. As tropas russas – apesar de um tratado de paz prevendo a sua retirada ter sido assinado – permanecem na Geórgia e destruíram praticamente toda a sua infra-estrutura.

Enquanto isso acontecia, os Estados Unidos assinavam no dia 14 de agosto um acordo com a Polônia, para a instalação de um escudo antimíssil ao norte daquele país. O Kremlin reagiu indignado ante o desplante daquele satélite que saíra de sua órbita, tendo o mesmo general Nogovitsyn declarado que isso era inadmissível, podendo dar lugar a uma represália nuclear contra a Polônia.

Por seu turno, a Ucrânia, de um lado, e os países bálticos – Lituânia, Estônia e Letônia –, de outro, também ex-satélites da União Soviética, hipotecaram decidida e total solidariedade ao governo e ao povo da Geórgia, advertindo de que serão os próximos alvos da Rússia caso o Ocidente não reaja agora à altura.

Tudo se deve fazer para evitar o mal. Mas quando, apesar de tudo, este se apresenta, deve-se procurar tirar dele um bem. Assim, apesar da enorme apatia – para dizer pouco – com que muitos europeus assistem ao desenrolar dos acontecimentos políticos e sociais no Velho Mundo, permitindo, entre outras coisas, que a soberania de seus países venha a ser posta em xeque – não só por pela própria Europa Unida, mas também pela Rússia –, felizmente tem havido, em amplos setores, um sobressalto em decorrência do sucedido na Geórgia. Parece que tais setores, sobretudo na Alemanha, estão abrindo os olhos para essa realidade – a respeito da qual felizmente nunca duvidamos – qual seja a da falácia da morte do comunismo.

Não permita a Divina Providência que, para escapar da fatídica “corda” colocada no seu pescoço, a própria Europa não venha a obter as benesses do Kremlin através da constituição da União Européia segundo os moldes do Tratado de Lisboa em boa hora rejeitado pelos simpáticos irlandeses. Seria uma verdadeira União das Repúblicas Soviéticas da Europa – como muitos a vêm denominando – sob o tacão de uma ditadura burocrática, imoral e atéia, comandada desde Bruxelas e sem nenhum nexo com o seu passado cristão.