terça-feira, 4 de maio de 2010

Na Espanha, súdito fiel
recrimina o Rei

“Que bom vassalo se tivesse um bom senhor!” – exclamou na longínqua Idade Média o invencível Cid Campeador, fidelíssimo ao seu rei, do qual preferiu fugir para não ser obrigado a lhe dar batalha.

Tal brado de fidelidade há pouco se repetiu na Espanha. Só que partido não de outro guerreiro, mas de uma frágil aeromoça da Ibéria. Seu timbre, contudo, é o mesmo de Cid: o respeito e o acatamento devidos ao rei não eximem a firmeza de princípios – “seja o vosso sim, sim; e o vosso não, não”.

Perguntará o leitor qual foi o objeto da recriminação da Sra. Belém López Delgado a D. Juan Carlos de Bourbon e como a mesma se materializou.

Foi a recente sanção pelo monarca de uma iníqua lei de aborto reduzindo a idade da mãe para 16 anos e sua prática livre em nascituros de até 14 semanas! Para manifestar sua indignação, a Sra. Belém enviou uma carta ao rei, junto à qual lhe devolvia uma foto com dedicatória que dele recebera por ocasião de um vôo da Família Real a Roma e a qual ela conservava com especial apreço:

“Hoje, sinto-me na obrigação moral de lhe devolver essa fotografia que com tanto carinho e orgulho entesourei, e que, desde então, presidiu um lugar preeminente em minha casa” – afirmou –, para acrescentar que sempre considerou a Monarquia um “importante ponto de equilíbrio e reconciliação para a Espanha”.

“Alguém poderia advertir-me com acerto de que nossa Constituição o obriga [ao rei] a assinar tudo quanto é aprovado pela Câmara de Deputados. Entretanto, da mesma forma como o Sr. soube encontrar habilmente, em outras ocasiões pontuais e não tão distantes, alguns atalhos para contornar assuntos que tampouco contempla a Constituição, poderia ter agora lançado mão desse expediente para evitar esta lei assassina, que ofende a sensibilidade e a dignidade de incontáveis espanhóis”.

A Sra. Belém lembra que a nova lei desampara a mulher, desautoriza os pais das menores grávidas e desvincula os homens de toda responsabilidade, além de “coloca metade da Espanha contra a outra metade”.

Adverte, ainda, que o primeiro-ministro socialista Rodríguez Zapatero demonstrou querer governar só para os seus e “polarizou perigosamente todos os espanhóis, como nunca havia ocorrido na democracia”. Por isso, após reafirmar seu orgulho de ser espanhola, recomenda ao monarca não perder de vista “o dia em que um governo anti-espanhol como o atual puser a Coroa no seu ponto de mira, porque o Sr. Zapatero já demonstrou a inexistência de obstáculo na hora de satisfazer de qualquer modo aos seus”.

E conclui: “Por fim, seria muito de lamentar que ocorresse com a Coroa da Espanha algo parecido com o que motivou Winston Churchill a dizer ao seu opositor Neville Chamberlain: ‘Tínheis que escolher entre a desonra e a guerra... escolhestes a desonra, e ademais tereis a guerra’”.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Lula na ONU?

O empenho da mídia internacional em alçar o presidente Lula à condição de líder mundial opõe-se à evidência mais palmar: a coleção de fracassos da política externa brasileira, que passará para a História como a mais desastrosa de todos os tempos. Para só falar dela.

O mais recente lance nesse sentido foi da revista Time, que teve grande repercussão no Brasil. Entretanto, Time esclareceu que, contrariamente ao veiculado, o fato de Lula figurar em primeiro lugar não significava que ela lho atribuía, mas se deveu apenas a razões editoriais...

Outro bafejador de Lula é o jornal socialista espanhol El País. Este o elegera personalidade do ano de 2009, mas pelo visto se arrependeu: quando da viagem de Lula a Cuba e suas posteriores declarações chamando os dissidentes anticastristas de bandidos, El País o criticou, chegando a dizer que ele estava queimando a sua biografia.

Lula também foi prestigiado no mesmo diapasão pelo principal jornal francês, Le Monde, o qual vem se destacando por um arraigado fundamentalismo anticristão.

Assim, em protesto por declarações de Bento XVI a favor da castidade como arma contra a Aids, Le Monde publicou, em fins do ano passado, uma charge representando Nosso Senhor Jesus Cristo num barco, atirando preservativos à multidão. E durante a Semana Santa exibiu, em charge de primeira pagina, o Papa Bento XVI seviciando uma criança! – Aos que desejarem protestar contra este infame atentado recomendo o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (http://www.ipco.com.br/).

Portanto, é no mesmo Le Monde onde Jesus Cristo e Seu Vigário são vilmente ultrajados, que Lula – ele sim, atirou preservativos à multidão e não cessa de despejá-los no Brasil através do Ministério da Saúde – é festivamente aclamado! Qual o valor dessa aclamação?

O que fica subjacente a tudo isso é a idéia – da qual se tem ouvido ecos aqui e acolá e que enche de gáudio a esquerda – de Lula ser indicado para um cargo compatível com tão presumida popularidade: a secretaria-geral da ONU. Não surpreenderia, já que na presidência daquele órgão está aboletado o ex-padre sandinista Miguel d’Escoto.

Mas do mesmo modo como caiu no vazio o Prêmio Nobel da Paz concedido primeiro a Al Gore, o grande mistificador da falácia do aquecimento global, e depois a Obama antes que este sequer pudesse merecê-lo, cairá no mesmo vazio a honra que se queira prestar ao presidente Lula outorgando-lhe um cargo ao qual não faz jus.

sábado, 17 de abril de 2010

O Eyjafjallajokull brasileiro


No presente momento a atenção de todos está voltada para a erupção do vulcão Eyjafjallajokull, que embora situado na Islândia, no Atlântico Norte da Europa, conturba a vida de todos os europeus, com repercussão no mundo inteiro. Só no dia 16 de abril foram cancelados naquele continente 17 mil vôos.

Comuniquei-me na manhã de ontem com um velho amigo que não podendo regressar de avião de Vilnius, capital da Lituânia, para Frankfurt, na Alemanha, onde reside, disse-me que teve a sorte de conseguir uma das últimas passagens de ônibus para amanhã, numa viagem de aproximadamente 26 horas.

Refletindo sobre isso, com a mesma celeridade das nuvens do vulcão minhas preocupações se voltaram para o Brasil.

Embora seja verdade – pensei – que as fúrias intestinas do Eyjafjallajokull estão provocando toda essa confusão, pelo menos é fenômeno passageiro: dissipada a fumaça ou mudada a direção do vento, tudo volta à normalidade. Mas o que sucederia se hipoteticamente esse vulcão “gostasse” da atividade e resolvesse prolongá-la indefinidamente? A Europa e boa parte do mundo parariam.

Ora, aqui no Brasil – onde tanta coisa que antes não acontecia está acontecendo – estamos na iminência de parar. Pior, de afundar. Pois nos encontramos diante dos estertores de um vulcão muito mais terrível que o Eyjafjallajokull. Mais terrível porque ele afetará profundamente, por um tempo que poderá ser o de várias gerações, a vida de todos os brasileiros. Estes não poderão optar por outro meio de transporte, nem esperar a mudança do vento para fugirem de seus devastadores efeitos. É o PNDH-3!

Exagero? Infelizmente não. Leia os artigos em www.ipco.org.br/pndh

A solução? Fazer os ventos mudarem !

quinta-feira, 25 de março de 2010

PNDH-3: Não desmobilizar
diante da hidra que avança!

O PNDH-3 pode ser comparado a uma hidra de múltiplas cabeças que investe determinada a abater tudo aquilo que ainda mantém o Brasil de pé: a instituição familiar, as Forças Armadas, o Poder Judiciário independente, a livre iniciativa e a propriedade privada, a liberdade religiosa, o estado de direito e a conseqüente liberdade de expressão etc.

Diversos setores visados têm reagido em defesa de seus respectivos campos: a CNBB no tocante ao aborto, à união entre pessoas do mesmo sexo e à proibição dos símbolos religiosos nas repartições públicas, os militares no que tange à alteração da Lei da Anistia, órgãos da classe rural no referente à propriedade privada, e a mídia a propósito da liberdade de expressão.

À vista dessas reações o governo teria decidido atenuar certos pontos do PNDH-3, deixando aliviados alguns de seus opositores. Grande perigo, esse alívio confortável diante de um inimigo soez e pertinaz!

Com efeito, tal atenuação não passa de um recuo tático à vista da reação encontrada. Tão logo esta arrefeça o governo voltará à carga, pois nunca é demais insistir que o PNDH-3 constitui um Ideário, um Plano de Ação meticuloso das esquerdas, longamente premeditado, coerente em tudo e por tudo com o que seus expoentes pensam e alentam em relação ao Brasil.

A execução desse Plano redundará, sem a menor sombra de dúvida, no desmantelamento das nossas instituições fundamentais – cujas atribuições serão substituídas pelas de soviets agindo em escala nacional – e na transformação do Brasil num país comunista.

Poderoso coadjuvante do PNDH-3 é a CNBB. Apesar de lhe fazer alguns reparos, na realidade não só entidades dela dependentes estão na ponta de lança da subversão no Brasil, mas na atual “Campanha da Fraternidade” ecumênica ela preconiza o que no PNDH-3 há de mais medular (e frontalmente oposto à doutrina católica): a substituição da nossa realidade sócio-econômica por uma estrutura socialista autogestionária, meta última do comunismo.

O mal só progride na medida em que os naturais defensores do bem cruzam os braços ou colaboram, e a grande maioria enlanguescida não reage. Esta foi sempre a chave do sucesso de pequenas minorias de revolucionários para imporem às multidões suas utopias criminosas e tresloucadas. No Brasil não é diferente!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Honduras:
A força moral vencerá a força bruta

Trago ao conhecimento dos leitores uma carta publicada hoje no jornal “El Heraldo”, de Tegucipalga, na qual o leitor transmite o ânimo reinante em Honduras em face da terrível e covarde perseguição movida contra seu país pelas maiores forças internacionais – com a inglória participação em primeiro plano do Brasil –, por aquele país se recusar a renunciar ao seu passado cristão dobrando os joelhos diante de ditadores marxistas animados pela vã pretensão de que o século XXI lhes pertence.

Que as considerações nela contidas sirvam-nos de admoestação quanto à nossa atitude tantas vezes otimista e desprevenida diante de tais ditadores, que para embair as multidões misturam com freqüência suas sinistras intenções com atitudes palhacescas e descontraídas.

Os bárbaros do Sul e do Norte

Como seus homólogos do Norte, os bárbaros do Sul se atreveram a usar da força diplomática contra Honduras. De nada serviu nosso pedido para que respeitassem o direito de Honduras à sua livre autodeterminação.

O Brasil é hoje o mais vil exemplo de lacaio submetido à ditadura mais torpe de todos os tempos: o chavismo.

Conluiados com os que foram nossos principais aliados (os gringos), o Brasil acreditou que trazendo-nos o mais corrupto dos Presidentes que tivemos nos colocariam de joelhos e simultaneamente passaríamos a formar parte dessa abominável montagem de semi-estrutura ditatorial chavista.

Mas se equivocaram. Aqui estamos de frente, maltratados pelos bárbaros do Sul e do Norte, mas com dignidade e honra.

Não é difícil predizer que o governo lacaio de Ignacio Lula Da Silva, ao final desta história, terminará devorado por Hugo Chávez na sua incontrolável gula expansionista, pois são precisamente esses governos covardes e servis suas presas preferidas.

De nosso lado, nós hondurenhos, continuamos entregues por completo à nossa fé cristã. Hoje mais do que nunca cremos no Cristianismo, esta doutrina sagrada que no seu início foi brutalmente perseguida e condenada, como nos perseguem e maltratam.

O cristianismo finalmente triunfou diante das ditaduras imperiais de seu tempo e hoje é a mais poderosa comunidade religiosa do mundo, porque baseou sua grandeza na verdade. Os hondurenhos somos confiantes de que esta mesma verdade nos está tornando livres.

Arturo Aguilera, 24/09/2009


sexta-feira, 14 de agosto de 2009



ZELOSOS POR ZELAYA









ENQUANTO EM BRASÍLIA - em lance político-diplomático do governo lulo-petista visando reconduzi-lo ao poder - Manuel Zelaya era recebido com honras militares, em Tegucigalpa, capital de Honduras, um truculento partidário dele agredia o vice-presidente do Congresso, Ramón Velásquez, quando este caminhava em direção ao seu carro.

Essa boçal e covarde agressão foi um dos episódios que marcaram as recentes manifestações dos partidários de Zelaya - uma ínfima minoria bem treinada - visando desestabilizar o novo governo constitucional chefiado por Micheletti e apoiado pela esmagadora maioria da população. Os agitadores enfrentaram a polícia e praticaram diversos atos de vandalismo, como incêndios e quebra-quebra de estabelecimentos comerciais.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Zapatero, por qué no te callas?

O governo espanhol do primeiro-ministro José Luis Zapatero criticou a instalação de bases americanas na Colômbia, numa clara ingerência nos assuntos internos deste país. Ele faz assim coro com Hugo Chávez, Lula e demais presidentes populistas que enxameiam a América Latina.

Ninguém ouviu dele, nem dos referidos presidentes, qualquer censura quando a Rússia fez manobras militares conjuntas com a Venezuela, no início deste ano; nem quando o governo colombiano, com provas na mão, mostrou a colaboração dos governos venezuelano e equatoriano com as FARC; nem quando um antigo refém das FARC denunciou em recente livro a presença de helicópteros chineses nos acampamentos guerrilheiros.

Como se sabe, há tempos que a Espanha vive às voltas com a ETA, grupo terrorista responsável por inúmeros atentados e assassinatos. O que Zapatero diria da França, ou dos outros países vizinhos da Espanha, se estes, ao invés de colaborar no combate aos terroristas etarras, lhes prestassem colaboração, os acolhessem em seus respectivos territórios, e lhes dessem inclusive empregos? Não protestaria indignado?

Pois é isso que fazem os vizinhos da Colômbia, que colaboram com as FARC fornecendo-lhe armas, como foi o caso recente da Venezuela; ou permitem que membros delas utilizem seu território e lhes dêem dinheiro sujo para se eleger, como sucedeu com o presidente do Equador; ou ainda acolhem e mantêm guerrilheiros farcistas em seu território, como é o caso do Brasil em relação ao padre Oliverio Medina, “embaixador” das FARC, e de sua companheira, para a qual inclusive foi arranjado emprego na Secretaria de Pesca.

Cuide dos assuntos da Espanha, primeiro-ministro Zapatero, e não deseje aos outros países aquilo que não gostaria para o seu. Faça algo de positivo: poupe as vidas de seus inocentes concidadãos, impedidos pelo seu governo de ver a luz do sol em decorrência de uma ímpia lei de aborto que não respeita sequer os sete meses de gestação! E não interfira numa nação nobre como a Colômbia, atacada interna e externamente por adversários soezes que se porfiam em lhe arrebatar a liberdade de seguir seu próprio caminho.

domingo, 2 de agosto de 2009

Pérolas do chanceler

Nós, brasileiros, devemos estar alerta para não incorrermos no mesmo processo dos venezuelanos, ou seja, quando menos esperarmos, estarmos imersos num regime virtualmente comunista. Uma das primeiras medidas para evitá-lo é reagir diante das declarações e atitudes inusitadas de nossas autoridades nessa direção.

Tivemos dois exemplos recentes partidos do chanceler Celso Amorim. O primeiro foram seus depoimentos recolhidos por Deborah Berlinck (Brasil defende sanções econômicas como pressão – “O Globo”, 7/7/2009), a propósito de Honduras, quando ele declarou que “não vê contradição com o fato de o Brasil defender o fim do embargo a Cuba, [pois] Cuba ‘foi uma revolução’, enquanto Honduras ‘foi um golpe de Estado típico de uma direita que não tem mais lugar na América Latina’”. E o segundo foi sua entrevista concedida a Eliane Cantanhêde, publicada na “Folha de S. Paulo” do dia 2 do corrente mês de agosto, na qual ele abordou, entre outras coisas, o estabelecimento de uma base americana na Colômbia.

Na primeira entrevista, Amorim prescreve sanções econômicas contra Honduras, apesar de o novo governo deste país ser constitucional – o presidente deposto violou vários dispositivos da Carta Magna – e contar com o apoio da esmagadora maioria de sua população. Mas, para ele, tratou-se de “um golpe de Estado típico de uma direita que não tem mais lugar na América Latina”.

Em outras palavras, para o chanceler Amorim a democracia só vale se beneficiar a esquerda. Assim, quando um presidente com esta orientação assume democraticamente o poder, ele pode fazer o que bem entender, mesmo ao arrepio da Constituição, sem direito a ser removido. Pois se tal acontecer, será um inaceitável golpe de direita. Foi o caso de Zelaya em Honduras.

Contudo, na Bolívia, quando se tratou de derrubar o presidente de centro-direita Sánchez de Lozada para forçar as eleições que cederiam seu lugar a Evo Morales, o governo brasileiro não poupou esforços: exerceu toda sorte de pressões, inclusive enviando o chanceler-paralelo Marco Aurélio Garcia a La Paz para exigir sua saída. Peço aqui ao chanceler Amorim uma qualificação para essa atitude. Golpe, evidentemente, não pode ter sido, já que apesar de não ter violado nenhum dispositivo constitucional, o presidente derrocado era de centro-direita...

Mais grave. Na sua política de dois pesos e duas medidas, o chanceler Amorim justifica o próprio regime tirânico e sanguinário que há cinqüenta anos se assenhoreou de Cuba, disseminou a revolução armada no continente e mantém seus súditos sob a mais estrita vigilância, sem direito sequer a eleições livres. Onde, segundo famosa letra de carnaval dos anos sessenta, quem “andou na contramão, vai descansar no Paredão!”, o terrível lugar de execução sumária dos opositores do regime. Pois, na lógica de Celso Amorim, em se tratando de um regime comunista oriundo de uma revolução e não de um golpe, apesar de seus atropelos e de a população lhe ser contrária, não tem problema: está justificado e deve ser apoiado!

Eis a monstruosa lógica do chanceler petista e da política interna e externa brasileira! Da política interna também, pois não tendo mais lugar na América Latina, a direita deve ser simplesmente banida.

Na sua entrevista com Eliane Cantanhêde, entre outras considerações, o chanceler Amorim arremete-se contra a Colômbia pelo acordo que esta fez com os EUA para o estabelecimento de uma base militar americana no seu território sem prévia consulta ao governo brasileiro! Após conceder a ululante obviedade de que aquele país é livre de escolher seu próprio destino, o chanceler se mostra sumamente irritado, dizendo que Hugo Chávez está muito contrariado com a medida.

E como não poderia estar? Ficam ou não contrariados os narcotraficantes quando a polícia se interpõe no seu caminho? Do mesmo modo Hugo Chávez – que comprou da Rússia um enorme arsenal militar; que convidou e obteve, no início deste ano, que navios atômicos daquele país realizassem manobras em nossas águas continentais; que está sendo acusado de dirigir um narco-estado e de fornecer potentes armas de fabricação sueca à guerrilha das FARC; e que reiteradas vezes ameaçou a Bolívia, a Colômbia e a Honduras de invasão – só pode ficar contrariado em face da proximidade de uma força capaz de lhe opor!

Nesta entrevista, o chanceler Amorim não faz qualquer alusão à referida presença dos navios atômicos russos – que provavelmente não lhe tirou o sono –, nem ao nexo dessa presença com a orientação e o crescente armamentismo do governo venezuelano chavista; nem tampouco às alarmantes acusações de narco-estado e de aliado das FARC feitas a Chávez. Entretanto preocupa-o o simples fato de a Colômbia abrir seu território para uma base norte-americana. E depois ainda aponta esse fato como sendo contraditório com as declarações do presidente Uribe de que as FARC estão praticamente extintas. Se elas se acham nessa situação, tal se deve aos ingentes esforços do governo e do povo colombianos, nem sempre compreendidos, que entre outras coisas enfrentaram a oposição de quase todos os governos latino-americanos – inclusive do brasileiro – quando do golpe mortal assestado contra o guerrilheiro Raúl Reyes.

Mas as FARC estão sendo substituídas na sua ação revolucionária e desestabilizadora por um poderio muito superior: o atual regime venezuelano, armado até os dentes, amordaçando a oposição e ameaçando invadir outros países que contrariem seus ditames.