terça-feira, 27 de março de 2012

O Papa, uma oportunidade única para a nova Cuba

Médico Oscar Biscet,
preso em 1998 por
palestra em defesa
do direito à vida.
O jornal madrilense de orientação socialista El País, a cujo correspondente em Roma foi negado visto para cobrir a viagem de Bento XVI a Cuba, estampou na sua edição online de ontem, 26-03-2012, o artigo abaixo, que julgo oportuno reproduzir na íntegra, responsabilizando-me pela tradução do mesmo.

TRIBUNA
O Papa, uma oportunidade única para a nova Cuba

A presença do Papa Bento XVI representa uma oportunidade única para que o povo cubano se manifeste e exerça pressão sobre a tirania

OSCAR ELÍAS BISCET, “El País”, Madrid, 26 de março de 2012

O Papa Bento XVI chega hoje a Cuba. Trata-se da primeira visita papal a meu país em mais de uma década. Nestes dias Sua Santidade se reunirá com os dois irmãos Castro e seus subordinados, além de trazer uma mensagem espiritual ao povo cubano.

Muitos são os fatores que entrarão em jogo. É uma oportunidade única para que o líder da Igreja Católica use seu prestígio e influência em apoio dos oprimidos e ajude o povo cubano a conquistar sua liberdade e estabelecer a democracia.

Meu país continua estando manejado por um regime brutal que oprime o povo e viola sistematicamente suas liberdades básicas. A ditadura é uma relíquia da Guerra Fria, mas sem uma pressão internacional forte há poucas esperanças de mudança.

Cuba é um Estado policial, no qual os agentes do Governo perseguem e espionam aqueles que defendem os direitos humanos. Os que procuram uma mudança política pacífica são agredidos, detidos e encarcerados arbitrariamente com base em infrações orwellianas, por exemplo, por “falta de respeito para com os símbolos pátrios” ou por “insultar os símbolos da pátria”.

A segurança do Estado vigia de perto a vida diária dos cidadãos e intervém na correspondência, nas ligações telefônicas e nos correios eletrônicos. Não há imprensa livre e o único jornal é o da ditadura. Os jornalistas independentes que desafiam a propaganda estatal são ameaçados e presos.

Nossas reivindicações são simples: respeito à liberdade de expressão, de associação e de reunião, e eleições multipartidárias onde o voto de cada cidadão permita aos cubanos decidir seu futuro.

Os cárceres cubanos são verdadeiros infernos onde existem diariamente violações flagrantes da dignidade humana. Passei 12 anos na prisão. Na última vez fui acusado do que eles chamam de “delitos contra a segurança do Estado”. Meu único “delito” consistiu em solicitar ao Estado cubano que respeitasse os direitos humanos fundamentais de todo cidadão cubano.

O sistema penitenciário de Cuba viola os requisitos mínimos de cuidado dos prisioneiros estabelecidos pelas Nações Unidas. Durante meus anos na prisão, presenciei prisioneiros que eram mantidos até 12 horas e às vezes mais de 24 horas com as mãos algemadas nas costas e os pés acorrentados; prisioneiros nus, sem qualquer respeito ao pudor humano, eram mantidos durante meses em celas sem ventilação, luz natural, água potável ou instalações sanitárias, além do uso de pistolas Taser para torturas físicas e psicológicas. Como forma de retaliação se lhes negava atenção médica.

No meu caso particular, três prisioneiros tentaram assassinar-me em diferentes ocasiões. Dois deles foram contratados por oficiais militares. A perseguição começou na década de 90. Em 1998, numa ocasião em que eu fazia uma apresentação sobre o direito á vida num hospital, uma turba do partido comunista expulsou-me violentamente do recinto. Desde então me foi negado praticar minha profissão de médico. Minha esposa e meu filho foram ameaçados para que me abandonassem e fomos desalojados de nossa casa.

Milhares de cubanos valentes, indiferentes à ameaça da tortura e da morte, fazem frente aos irmãos Castro e exigem seus direitos fundamentais. Suas filas continuam crescendo e eu não estou só nesta luta, mas necessitamos da ajuda da comunidade internacional.

A Primavera Árabe é a demonstração de que é possível a mudança democrática impulsionada pelo povo. Vimos o êxito de movimentos democráticos pacíficos no resto da América Latina e no antigo bloco soviético. Na maioria desses lugares, seu advento teve como resultado a liberdade, a reconciliação nacional e a prosperidade. Podemos obter os mesmos resultados em Cuba e assim o faremos: uma Cuba onde sejamos livres e soberanos. A comunidade internacional tem o dever de ajudar na qualidade de sócia, proporcionando os recursos diplomáticos que nós não podemos reunir a partir de minha pátria.

A visita do Papa é importante porque a Igreja Católica exerceu um papel crucial na expansão e proteção das liberdades cubanas no passado. Minha própria libertação da prisão e a de outros opositores foi negociada principalmente por ela.

Para os que anelamos uma Cuba livre, nossas reivindicações são simples: o respeito à liberdade de expressão, de associação e de reunião, e eleições multipartidárias onde o voto de cada cubano lhe permita decidir sobre seu futuro, num país no qual nenhum cubano seja exilado por suas crenças políticas.

Estes são os blocos de construção de uma Cuba verdadeiramente livre e próspera. A presença do Papa Bento XVI representa uma oportunidade única para que o povo cubano se manifeste e exerça pressão sobre a tirania, para que se realizem eleições livres e multipartidárias e Cuba se una aos países livres e democráticos do mundo. Peço ao Papa Bento XVI que se centre nesta ideia para que ocorra uma mudança rápida em meu país e que possamos viver em liberdade.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Arábia Saudita: capital Londres

Para o juiz britânico Stephen Sedley, Nadia Eweida (foto) possui uma
"agenda sectária" por não atender ao pedido de sua empresa,
recusando-se a remover a pequena cruz que portava no pescoço.

Prática de países muçulmanos como a Arábia Saudita, está se estendendo por todo o Ocidente a proibição de símbolos religiosos cristãos. E de tal modo, que de Porto Alegre a Londres a tendência é erradicá-los, primeiro da vida pública e depois dos próprios indivíduos. A prevalecer tal tendência – que mais se parece uma sinistra palavra-de-ordem –, daqui a pouco se estará exigindo a remoção do Cristo Redentor que abençoa e protege o Brasil, ou da bela cruz que encima a coroa da Rainha Elizabeth.

Podemos imaginar como os muçulmanos – cujo número em diversos países da Europa suplantará dentro de mais alguns anos o de europeus – estão esfregando as mãos de contentamento ao verem ex-cristãos destruírem seus próprios símbolos, enquanto eles punem com pena de morte aqueles que em seus respectivos países ousarem fazer o mesmo, ou muito menos, em relação aos símbolos do Islã.

Há mais. Os líderes muçulmanos vêem que o Ocidente destrói não só seus símbolos, mas até os potenciais portadores e cultores deles pela prática do aborto. E sabem ainda que, na busca infrene de prazeres, os ocidentais não só impedem suas crianças de virem ao mundo, mas querem dele expulsar, por obra da eutanásia, esse ‘estorvo’ chamado velhice. Há correntes ambientalistas mais avançadas que não hesitam sequer em propor um genocídio generalizado para salvar o Planeta!

Mas vamos a Londres

Hilary White, correspondente do LifeSiteNews em Roma, escreve no dia 13 de março último: “Os críticos estão dizendo que pela primeira vez o governo britânico se opôs abertamente à liberdade dos cristãos de expressar em público suas crenças. Num caso que foi levado à Corte Europeia dos Direitos Humanos, o governo do primeiro-ministro David Cameron argumentará que nenhum direito protege os cristãos de portarem a cruz ou o crucifixo no trabalho, porque isso não é um aspecto ‘necessário’ de sua religião”.

Citando o jornal “Sunday Telegraph”, White afirma que ministros do Ministério das Relações Exteriores inglês publicaram uma resposta para o caso, dizendo que os patrões poderão despedir os seus empregados que se recusarem a tirar as cruzes.

Trata-se dos casos de Nadia Eweida e Shirley Chaplin, punidas por usarem símbolos religiosos. Ambas entraram com uma ação junto à Corte Europeia dos Direitos Humanos e estão lutando para estabelecer o direito de portarem a cruz no trabalho sem ameaça de medida disciplinar. Elas argumentam que estão amparadas pelo artigo 9 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos, o qual estipula que qualquer pessoa tem o direito de “manifestar pública ou privadamente sua religião ou crença, em culto, ensino, prática e observância”.

O caso de Eweida faz manchete no Reino Unido desde 2006, quando a Britsh Airways exigiu desta sua funcionária que removesse a pequena cruz que portava no pescoço. Ela se opôs e foi colocada de licença não remunerada. Apresentou, então, queixa por discriminação religiosa na Corte de Apelação. Em 2008, além de não dar provimento, o juiz Stephen Sedley ainda acusou Eweida de possuir uma “agenda sectária”. Por sua vez, Shirley Chaplin, enfermeira com 31 anos de prática, recebeu de dois hospitais a ordem de não mais usar no pescoço um pequeno crucifixo. Em 2010, utilizando o mesmo argumento do Ministério das Relações Exteriores, o Tribunal do Trabalho disse a ela que não lhe assistia nenhum direito de trabalhar usando a cruz, porque isso não era um “requerimento” de sua fé. Ela respondeu que estava sendo vítima de uma perseguição “politicamente correta” e lembrou que as muçulmanas podiam trabalhar usando véus, sem ameaça de serem despedidas.

O estrondo resultante da decisão da Britsh Airwahys no caso de Eweida levou a empresa a voltar atrás e mudar as regras relativas ao uniforme, de modo a permitir o uso da cruz. Mas a corte considerou que a Britsh não procedera de modo ilegal e discriminatório, acrescentando que, não podendo ser ocultados, os símbolos de outras religiões são aceitáveis. Ou seja, segundo o “alternative judge” da referida corte, símbolos islâmicos, sim; católicos, não!

A correspondente de LifeSiteNews observa que esses dois casos acontecem num momento de grande tensão entre os cristãos e o Estado, cuja legislação igualitária é cada vez mais citada em casos contra cristãos, levando tanto líderes religiosos altamente colocados quanto parlamentares a alertarem para uma crescente tendência contra o cristianismo na vida pública.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A aparência e a realidade

(Foto: Franklin Reyes/AP)
Após serem expulsos pela polícia da área particular que haviam invadido em Pinheirinho, São José dos Campos (SP) – fato que ocasionou veementes protestos de diversos políticos petistas e foi objeto de grande cobertura da mídia –, os invasores dizem que agora não têm para onde ir. – “E que lugar merecem esses invasores senão ‘debaixo da ponte’?” – frase que a esquerda adoraria, se pronunciada por alguém da direita. Mas prossigamos. Falando pouco depois à imprensa, um dos líderes do movimento declarou que se não fosse o apoio do PT, de religiosos ligados às Comunidades de Base e à Teologia da Libertação, era mesmo para perder toda a esperança.

Na realidade, os desesperançados da foto não são os invasores de Pinheirinho, tão afagados pela esquerda, mas alguns dos treze dissidentes que a polícia de Fidel e Raúl Castro enxotou neste último fim de semana de uma igreja de Havana. Eles fazem parte dos 11 milhões de cubanos que vivem de modo permanente “debaixo da ponte” da miséria a que os relegou o regime comunista e protestavam pacificamente para chamar a atenção da opinião pública mundial ante a iminente visita de Bento XVI à ilha-prisão.

O pedido à polícia foi feito pelo cardeal D. Jaime Ortega, Arcebispo de Havana, sendo os dissidentes conduzidos a uma delegacia, fichados e depois liberados. Em declarações ao “Washington Post”, o líder deles (em destaque na foto), Fred Calderón, declarou que a polícia os tratou com brutalidade, contrariamente ao que foi noticiado.

Seja como for, fica patente o seguinte: no Brasil, até alguns anos atrás, as igrejas do ABC eram gentilmente cedidas para as concentrações de Lula e dos metalúrgicos, que visavam à desestabilização da sociedade; em Cuba, como o regime já é a realização daquilo que Frei Betto e seus comparsas, bem como importantes setores do PT desejavam implantar no Brasil – ou seja, o comunismo –, aqueles que ousam manifestar-se contra ele nas igrejas são expulsos pelo cardeal. Conclusão: cá e lá, a mesma colaboração há.

Em tempo: A situação para as Damas de Branco – opositoras do regime cubano, do qual exigem respeito aos direitos humanos – não está propriamente idêntica às suas vestes. Setenta delas foram presas. As prisões iniciaram-se no sábado, dia 17 e seprolongaram no domingo, quando várias foram detidas pouco depois de saírem de uma igreja onde assistiram à missa. Elas pedem para serem recebidas por Bento XVI, “ainda que seja só por um minuto”, pois do contrário haverá o risco de o Sumo Pontífice encontrar-se apenas com os carcereiros do povo cubano.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Comissão da verdade estabelece toda a verdade sobre Honduras

A política exterior brasileira da era Lula, a mais ativa em todo o longo e insidioso via crucis imposto a Honduras durante a crise desencadeada por Zelaya, após receber desta uma merecida humilhação em legítima defesa, recebe agora o “tiro de misericórdia”.

Este tiro lhe foi dado não pela “direita golpista”, mas pela própria Comissão da Verdade que a esquerda internacional – a grande derrotada em todo o episódio, apanhada “com a boca na botija” na iminência de dar um golpe – exigiu fosse constituída para apuração dos fatos.

Após reunir inúmeros documentos num dossier de 50.000 páginas, a Comissão da Verdade e Reconciliação de Honduras, estabelecida sob os auspícios da OEA, publicou seu veredicto neste mês de julho, em equilibrado documento de 52 páginas no qual dá conta da lisura do procedimento das autoridades hondurenhas que depuseram Zelaya.

Ora, a OEA é dirigida pelo socialista chileno José Miguel Insulza, que não só apoiou escandalosamente Zelaya naquela ocasião, mas que recentemente, extravasando-se de suas atribuições e da imparcialidade própria a seu cargo, incitou os hondurenhos a condenar o ex-presidente interino e constitucional Roberto Micheletti.

Entretanto, a Comissão da Verdade reconheceu que Manuel Zelaya foi o incitador da crise e um presidente corrupto, e eximiu de culpa tanto a Corte Suprema de Justiça como as Forças Armadas e Micheletti, que antes de assumir presidia o Congresso Nacional e era, pois, segundo a Constituição, quem deveria assumir a Presidência.

No artigo “A verdade sai à luz em Honduras” (“The Wall Street Journal” (25-07-11), a jornalista Maria Anastasia O’Grady afirma que o informe da Comissão da Verdade conclui com a afirmação de que a crise política hondurenha iniciou-se em janeiro de 2009, quando funcionários do gabinete presidencial se reuniram com congressistas de seu próprio Partido Liberal, e os “ameaçaram com a ruptura da ordem constitucional caso não se elegessem como magistrados da Corte Suprema de Justiça advogados que não figuravam na lista de quarenta e cinco (45) candidatos a magistrados”, nomeados oficialmene através de um processo legal de seleção. E que, segundo o informe completo, Micheletti afirmou que o embaixador dos EUA, Hugo Llorens, participou da pressão para que o Congresso violasse a lei.

Resumindo, tudo começou com uma manobra escusa para dominar a mais alta corte do Poder Judiciário e impedir assim qualquer reação. É, aliás, a mesma técnica que os ditadores bolivarianos têm procurado utilizar em seus respectivos países.

Honduras foi portanto a gloriosa vítima que, com a humildade dos fracos que se tornam fortes quando feridos em seus legítimos direitos, assombrou o mundo ao desfazer as cavilosas maquinações de Lula, Fidel Castro e Hugo Chávez, que respaldados por Obama, ONU, OEA e União Europeia, tentaram, em frontal violação da Constituição hondurenha, renovar o mandato presidencial do “companheiro” Zelaya, visando a consolidar assim a hegemonia da esquerda no continente latino-americano.

Consolidação tanto mais importante quanto o então ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, não titubeou em declarar que a deposição de Zelaya era inaceitável, uma vez que a direita não podia ter mais vez na América Latina.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PESADELO CHINÊS

Se os pesadelos fossem só um fenômeno individual, a vida não seria tão difícil; mas quando eles se tornam coletivos, aí a coisa de fato se complica.

Se a falta de trabalho pode causar insônia, trabalho em excesso geralmente causa pesadelo. Quanto mais se o excesso não for voluntário, mas exigência de um patrão desalmado, que mantém seus empregados em regime de trabalho escravo!

E, entretanto, somos obrigados a conviver cada vez mais com produtos de um país cuja população inteira vive em constante pesadelo: a China. Sem nos darmos conta de que tais produtos provêem do suor de pessoas que são privadas de trabalhar livremente, de receber justo salário, e cuja parcela católica – por exemplo – não goza de liberdade de culto!

Ao mesmo tempo, nossos governos tratam com os ditadores chineses com a mesma naturalidade com que se entendem com os dirigentes de qualquer país democrático. E vão permitindo que o dragão amarelo vá deitando cada vez mais seus tentáculos em atividades que freqüentemente comprometem a própria segurança interna de seus respectivos países.

É o que, por exemplo, acaba de suceder na Grécia. Para “salvá-la” da crise, a China literalmente aportou ali, adquirindo o importante Porto de Pireu (ela já comprara, bem próximo de nós e entre muitos outros, um porto no Peru. Só para falar de portos...). Ela já se ofereceu para “salvar” da crise outros países civilizados, entre eles a Espanha, que vão assim ficando na sua dependência.

É também sabido que no Brasil a cobiça chinesa se tem feito sentir de modo preocupante, tanto pela conivência de nossos dirigentes como pela falta de atenção da opinião pública, desinformada ou distraída, muitas vezes com coisas secundárias.

Precisamos estar vigilantes. Enquanto o mundo oficial de inúmeros países faz todo tipo de mesuras e concessões à China, nosso próprio direito de conhecer o que ali se passa está sendo cerceado pelo seu regime opressor; publicações que denunciam a verdadeira realidade chinesa são proibidas. É o caso, por exemplo, do blog Pesadelo chinês (www.pesadelochines.blogspot.com), cuja leitura recomendo vivamente. Conselho que infelizmente não pode ser dado às populações de Pequim, Shangai ou Guangzhou... O leitor entenderá por quê.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

EGITO: DEMOCRATIZAÇÃO OU JIHAD MUÇULMANA?

Longe de sua propalada democratização apoiada por governos e mídias ocidentais, o Egito corre sério risco de ser dominado pelos radicais da Irmandade Muçulmana. - Esclarecedoras declarações de um sacerdote egípcio à Agência AsiaNews.

Irmãos Muçulmanos, perigo maior que Bin Laden

O grupo fundamentalista Irmãos Muçulmanos está ganhando terreno na mídia e ameaçando cristãos e muçulmanos moderados que apóiam um estado secular. O medo de um regime islâmico está levando muitos muçulmanos a emigrar para o Ocidente.

Cairo (AsiaNews) – “As reações no Egito à morte de Bin Laden tem sido distintas. Enquanto os muçulmanos moderados estão contentes com ela, os grupos da Irmandade Muçulmana, de Salafitas e Jihadistas chamam o terrorista de herói e mártir do Islã. Sua morte não reduzirá os perigos que cristãos e muçulmanos com mentalidade secular enfrentam desde a queda de Mubarak”, disse o Pe. Rafik Greiche, chefe de imprensa do escritório da Igreja Católica Copta do Egito e porta-voz de suas sete denominações no país.

O Pe. Greiche foi mais além, dizendo que muitos muçulmanos estão emigrando por medo dos fundamentalistas, que saíram de suas tocas depois da revolução no Egito e da queda do regime de Mubarak. Acrescentou que os mesmos trabalham duramente ao longo do país e estão engajados em propaganda anticristã, monopolizando algumas estações de TV, jornais e sites da Internet.


“Os líderes muçulmanos estão chamando os cristãos de infiéis que não tem qualquer direito à representação no Parlamento”, disse o sacerdote. “Uma atmosfera de terrorismo psicológico está provocando medo nas pessoas que querem a democracia, conduzindo muitos para fora do país”.

A Irmandade Muçulmana é o grupo islâmico mais bem organizado do país. Ela criou quatro partidos políticos para as eleições de setembro, todos claramente fundamentalistas. Mas, para contornar a lei, que proíbe partidos confessionais a concorrer às eleições, eles eliminaram todas as referências ao Islã.

Algumas fontes disseram à AsiaNews que graças ao seu grande trabalho de propaganda, a Irmandade Muçulmana fará um novo avanço nas próximas eleições.

De momento, a única alternativa de orientação secular são os jovens da Praça Tahrir. Entretanto, após a revolução eles se dividiram em 16 grupos, que estão agora procurando se organizar como partidos políticos.

Contudo, muitos desses grupos estão ainda filiados à Irmandade Muçulmana e poderiam ser influenciados pelos velhos líderes desta, observou o Pe. Greiche, para quem “demorará um ano para se compreender todas as implicações da revolução, boas ou más”.

A cruel realidade cubana

Enquanto no Brasil a esquerda exige a apuração de toda a verdade sobre o sucedido no passado aos seus militantes que através da luta armada queriam transformar nossa Pátria em uma nova Cuba, nesta mesma Cuba, em pleno mês de maio de 2011 e até o momento sem protesto da referida esquerda, um opositor do regime morre pouco depois de ser violentamente espancado em um parque público por agentes da tirania de Fidel Castro. Eis o que a este propósito publicou o importante jornal madrilense ABC (9/5/2011):

Opositor cubano morto após espancamento policial advertiu ter recebido ameaças

“Perseguem-me constantemente, sei que estão me vigiando, responsabilizo a segurança do Estado cubano e a polícia repressiva pelo que possa me acontecer de agora em adiante”. Esta foi a mensagem deixada ao mundo por Juan Wilfredo Soto, o opositor do regime castrista que morreu após receber espancamento policial na última quinta-feira.

Na gravação, que pode ser ouvida na Internet e cuja data se desconhece, o dissidente denuncia ser vítima da vigilância das forças de segurança, com “elementos” postados inclusive diante de sua própria casa, e demonstra temor de represálias do regime contra ele por defender a causa do também dissidente cubano e prêmio Sakharov Guillermo Farinas. “Os quinze dias que passaste apoiando o Coco (apelido de Farinas) te vão repercutir. Atente para as conseqüências do que te possa acontecer”, assegura Soto ter ouvido de um oficial de segurança.

Juan Wilfredo Soto, de 46 anos, foi espancado na quinta-feira última por quatro agentes da Polícia castrista, segundo denunciou a dissidência cubana. Depois morreu num hospital. A versão oficial do regime foi de que se tratou de uma pancretite, mas a oposição cubana crê que “o mataram”. Guillemo Fariñas indicou que Soto padecia de várias patologias como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, transtornos circulatórios e diabete. Soube, através dos médicos que o atenderam no hospital, que ele “teve uma descompensação e finalmente sofreu ‘uma parada cardíaca’”.

Para Elizardo Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, “não há dúvida de que existe uma relação causa-efeito entre a sova que sofreu na quinta-feira e sua morte”, razão pela qual solicitou a abertura de uma investigação.

O enterro de Juan Wilfredo Soto também se converteu em um ato de reivindicação pela dissidência e se desenvolveu em ambiente “muito tenso”, embora sem incidentes.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A “bela primavera” descansou em Deus

Oriunda de estirpes de alta linhagem e célebre pela ferrenha oposição que ofereceu ao comunismo no Vietnã, aos 86 anos faleceu piedosamente em Roma a indômita Madame Ngô Dinh Nhu, cujo nome de solteira – Tran Xuan – significa “bela primavera”. Ela contava 86 anos. Era Domingo da Páscoa, na bela primavera européia.

Convertida em 1943, Madame Nhu manteve-se militante católica até os últimos anos de sua vida, só saindo de casa para ir à Missa. Esta boa católica incutia tanto medo aos comunistas do Vietnã que estes a chamavam de “Madame Dragão”.

Seus pais – Tran Van Chuong e Nam-Tran Chuong – eram budistas e renunciaram aos postos de embaixador nos EUA e de observadora permanente junto à ONU em protesto pela orientação católica e anticomunista do governo sul-vietnamita de Ngô Dinh Diem, junto ao qual a filha exercia grande influência.

Madame Nhu era casada com Ngô Dinh Nhu (1910-1963), irmão caçula e conselheiro político de Ngô Dinh Diem (1901-1963), Presidente do Vietnã. Eles eram filhos de um mandarim conselheiro do Imperador da Indochina cuja família fora convertida ao catolicismo por missionários espanhóis no séc. XVII. E se honravam de ser irmãos do Arcebispo de Hué, Dom Ngô Diem Thuc.

Após diversas vicissitudes, em 1955 – ano no qual Ngô Dihn Diem se tornou seu primeiro presidente – o Vietnã estava dividido em duas partes: o Norte comunista, com capital em Hanói, e o Sul capitalista, sediado em Saigon. Apoiado pela China, o Norte era uma ameaça constante para o Sul, que reagia à altura apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1961, com a ascensão de John Kennedy à presidência dos Estados Unidos, as coisas começaram a mudar. Apesar de católico, Kennedy passou primeiro a adotar uma política de passividade em face das agressões que comunistas e budistas inimigos da Fé moviam contra o governo sul-vietnamita, passando depois a uma política colaboracionista. Assim, seguindo ordens diretas de Kennedy, o embaixador Henry Cabot Lodge deixou de comparecer às reuniões com o Presidente Ngô Dinh Diem, avalizando implicitamente aquelas agressões.

Tal situação perdurou até o momento em que, sabendo que alguns generais sul-vietnamitas preparavam um golpe, o governo norte-americano lhes fez saber que podiam agir livremente, pois os Estados Unidos não impediriam.

Assim, no dia 1º. de novembro de 1963 o Palácio Presidencial foi cercado, mas o Presidente e seu irmão conseguiram fugir por uma passagem secreta. Capturados no dia seguinte, ambos foram assassinados cruel e friamente por um capitão do exército.

Tudo isso provavelmente não teria acontecido se motivos de ordem pessoal – uma operação no olho – não tivessem obrigado Madame Nhu a prolongar contra a sua vontade a permanência nos Estados Unidos, pois ela, ao contrário do Presidente e do seu marido, não confiava no governo Kennedy.

Seja como for, não se completaram três semanas e chegara a vez de Kennedy prestar contas. Seu assassinato em Dallas no dia 22 de novembro foi interpretado pela Madame Nhu como um castigo de Deus pelo hediondo crime contra os dois líderes anticomunistas e contra o próprio Vietnã, cuja rendição ao comunismo estava sendo cuidadosamente preparada.

E chegou ao seu termo no dia 30 de agosto de 1975, quando o país foi unificado sob a bota comunista. Iniciou-se então para a sua população um verdadeiro calvário. Milhares de pessoas de todas as idades e condições se puseram em dramática fuga através dos mares, sem que as nações os acolhessem. Ou quando algumas poucas o faziam, eles eram colocados indefinidamente em condições simplesmente subumanas.

Em meio a todos esses horrores e traições, uma nota de dignidade: quando, pressionado por Nixon – o iniciador da abertura para a China e consumador da traição de Kennedy em relação ao Vietnã – chegou o momento de o embaixador sul-vietnamita assinar em Paris o “tratado de paz” com o Norte, ele o fez; mas em seguida, indignado, jogou a caneta ao chão!

Esta cena foi fixada pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira no artigo que escreveu para a Folha de S. Paulo, intitulado: “Jogando a caneta no chão”. Aliás, por iniciativa do fundador da TFP, esta organização foi das poucas vozes que se alçaram em defesa dos vietnamitas no decurso de seu trágico e longo opróbrio.

Dolorida, de seu exílio a tudo assistiu Madame Nhu. Mas agora, da Eterna Primavera, para o seu Vietnã querido, mas traído, vilipendiado e escarnecido, ela está implorando à Rainha do Céu e da Terra a pronta libertação da tirania comunista.