quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Os transcendentais, a moda e a lama

Os transcendentais do ser – o Belo, o Bom e o Verdadeiro – de acordo com São Tomás de Aquino, são elementos universais, presentes de algum modo em tudo quanto existe.

Por disposição do Criador, as coisas criadas são belas, boas e verdadeiras, obedecendo a uma misteriosa e maravilhosa estética universal, que cumpre ao homem, com sua natureza racional, compreender e admirar. Quanto às criações humanas, “netas de Deus” na expressão de Dante, é plenamente desejável que mantenham tais padrões. Na medida de suas proporções, contribuem para que a existência terrena seja bem ordenada, conduzindo-nos ao nosso fim último.

Compreendeu-o bem o homem medieval, ao erguer lindas catedrais góticas para o culto divino, ou belos edifícios civis compatíveis com a alta dignidade das funções de Estado. Ou ainda, mais recentemente, o povo alemão em relação à música, ao dedicar sua magnífica Ópera de Frankfurt a esses transcendentais, esculpidos em seu frontispício granítico: “Dem Wahren - Schoenen - Guten” – Ao Verdadeiro, ao Belo, ao Bom.

Se o cenário adequado para se render culto a Deus são as belas catedrais ou igrejas, e para o homem bem exercer funções de Estado, edifícios cujos ambientes o elevem à altura da dignidade correspondente; se para a música são as belas edificações como a da citada ópera, ou teatros como os municipais do Rio, São Paulo ou Manaus, assim também para a moda: os locais próprios à sua exibição deveriam possuir uma dignidade proporcionada à daqueles a quem ela vai servir de moldura – os homens, criados à imagem e semelhança de Deus.

Não foi, contudo, o que se deu há pouco em São Paulo. Os promotores de um desfile de modas, badalado e extravagante, escolheram para cenário as margens mal-cheirosas e lamacentas do Rio Tietê, em cujas águas são despejados diariamente mais de três bilhões de litros de esgoto! Para entrar, os manequins deviam revestir-se de capas plásticas, máscaras e luvas, além de assinar um termo de responsabilidade!

Loucura de uns poucos? Não! Embora os promotores alegassem motivação ambientalistas, nolens volens deram mais um passo numa bem calculada marcha que empurra gradualmente o mundo para o caos; uma marcha de civilizados que abandonam a civilização rumo à taba.

Às vésperas de mais um carnaval

Já que falamos de moda, é o caso de aproveitarmos para acrescentar algumas observações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o carnaval, que ajudarão a elucidar o assunto.

Comentou ele que nessa marcha gradual rumo à aceitação do caos, o carnaval desempenha um papel muito importante. Os excessos nele cometidos em determinado ano serão assimilados no ano seguinte pela moda. Esta, por sua vez, fará com que o próximo carnaval seja ainda mais ousado, dando origem a novas modas, também mais ousadas. E assim sucessivamente.

É o que explica o fato de as pessoas aceitarem hoje como “normais”, modas que há alguns anos jamais admitiriam. Por exemplo, se a mini-saia ou a mini-blusa tivessem sido lançadas quando nossos avós eram jovens, seriam rejeitadas.

À guisa de justificação, costuma-se argumentar que essa liberalização dos costumes faz parte do curso da “evolução” e enquanto tal deve ser aceita. Na verdade, trata-se de um bem orquestrado processo, articulado por forças revolucionárias que tramam a destruição da família e da civilização cristã. O divórcio, por exemplo, tido como moderno e próprio de sociedades “evoluídas”, é uma prática herdada do paganismo...

Por fim, sobre o curso das modas, é interessante lembrar ainda algumas considerações do historiador francês Gaston Lenôtre. Conta ele que pouco antes da Revolução Francesa – época em que até para brincar as crianças trajavam belas roupas de veludo com botões dourados –, um filósofo apareceu no Jardim das Tulherias com seus filhos vestidos de marinheiro. A reação foi de estupor, seguido de vaia. Contudo, pouco tempo depois, as pessoas foram se acostumando, e a moda se generalizou. Com a finura de percepção característica do espírito francês, Lenôtre afirmou que na realidade a Revolução Francesa começara ali.

Corajosa atitude do Arcebispo de Olinda e Recife

Sendo a família a célula-mãe da sociedade, compreende-se que o Estado, incumbido de zelar pelo bem comum, seja o primeiro em procurar protegê-la, fortalecê-la e incentivá-la. Fazendo-o, estará legitimamente agindo no interesse próprio.

Mas nossos governantes não parecem estar imbuídos desta verdade. Exemplo disto é a anunciada distribuição massiva de preservativos pelo governo federal, ou das abortivas “pílulas do dia seguinte” pelas prefeituras de Olinda e Recife, por ocasião do carnaval.

Como não se pode pretender coibir um mal praticando outro mal, não vale o pretexto de que essas medidas visam conter a expansão da Aids. Os preservativos são um estímulo à promiscuidade, ao torná-la pretensamente segura, enquanto a “pílula do dia seguinte” é abortiva. Ou seja, enquanto os primeiros estimulam ao pecado, a segunda lhe mata o efeito e duplica, portanto, sua gravidade. Pois a moral católica ensina que a prática do sexo fora do casamento constitui grave transgressão a Lei de Deus, além de ser muito nociva por se desviar da finalidade para a qual Ele a destinou: a constituição da prole no seio da família monogâmica e indissolúvel.

Cônscio de seu dever de Pastor, o Arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho, se opôs a que a medida abusiva e imoral de se distribuir a referida “pílula do dia seguinte” fizesse gerar seus efeitos em sua jurisdição. Recorreu então à autoridade judicial para coibi-la. Um dilúvio de ataques e incompreensões despejou-se sobre sua cabeça, não obstante ele estar agindo na estrita observância dos deveres de um bispo em relação a seu rebanho.

Muito gostaríamos que a atitude de D. José – fosse a de toda a CNBB. Ademais, ele conta com a proteção e o exemplo de outro Prelado daquela Arquidiocese, que também não se curvou: o grande D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Aposentadoria para invasores

Não bastasse a generosa aposentaria que o atual governo empenhou-se em conceder à viúva do guerrilheiro Carlos Lamarca, a senha da vez é dos sem-terra. Pelo menos a se julgar pelo recente anúncio do ministro da Previdência, Luiz Marinho.


De acordo com sua lógica, a exemplo do que sucede com o cidadão honesto, cuja aposentadoria é concedida pelo tempo de serviço, o governo acha justo que o mesmo critério seja aplicado aos sem-terra, independente do “serviço” que eles prestam e cujo tempo será contabilizado.


Tal critério equivale a um incentivo oficial do crime, o qual passa a compensar! E também mostra a conivência – para dizer pouco – do governo em relação aos sem-terra, pois sem o benefício da aposentadoria muitos deles desistiriam das invasões, fragilizando a famigerada revolução no campo promovida através da Reforma Agrária.

Uma infeliz comparação

Em sua primeira reunião do ano com o Ministério, Lula a comparou com a Santa Ceia. Ora, como foi o próprio Nosso Senhor que presidiu àquele sublime Ágape, equivale dizer que Lula se atribui o lugar do Divino Mestre, ficando para os ministros a honrosa assimilação aos Apóstolos.


Uma disparatada comparação! Será que o Presidente acreditou no infeliz elogio que durante uma Missa no Palácio da Alvorada lhe fez o Cardeal Dom Cláudio Hummes, ex-Arcebispo de São Paulo, ao compará-lo com Jesus Cristo? Ninguém precisa temer a confusão: o verdadeiro Lula, inocultável, patenteou-se logo a seguir, ao ordenar uma distribuição massiva de preservativos no País, prosseguindo a ação governamental de incentivo à imoralidade, sem que o Cardeal saísse de seu habitual silêncio tolerante ou sequer retirasse a canhestra comparação.


Com a evocação da Santa Ceia e outras tiradas do gênero, Lula, coadjuvado pela esquerda “católica”, procura fazer-se passar, quando não por Jesus Cristo, ao menos como um “ungido do Senhor” – expressão que ouvi diretamente de um leigo, referindo-se a ele através do microfone de determinada Catedral (antes, é verdade, dos escândalos do mensalão).


Isso mostra, de um lado, quanto a luta de classes fracassou; e de outro, como é indispensável ao PT, na atual fragilidade política, o concurso da esquerda dita católica!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

EUA: multitudinária manifestação contra o aborto

Desde que em 1973 o crime do aborto passou a ser permitido nos EUA mediante infeliz decisão da Suprema Corte, um número crescente de pessoas e entidades se tem reunido anualmente em Washington, no dia 22 de janeiro, para repudiar esse crime nefando e pedir sua completa abolição.

Apesar do intenso frio, o ímpeto dos participantes – calculados em cerca de 200 mil – desta feita foi ainda maior, uma vez que o ano de 2007 registrou o mais baixo índice de abortos praticados desde então. Por outro lado, sendo 2008 um ano eleitoral, os concorrentes à Presidência bem sabem que será em larga medida em torno de sua posição sobre o aborto que incidirão as preferências dos eleitores.

A manifestação foi amplamente noticiada pelos principais jornais. Chamam especial atenção os lendários estandartes auri-rubros da TFP norte-americana, que podem ser vistos na foto de primeira página da edição digital do prestigioso “Washington Post”.

Diminui a população alemã

Segundo dados divulgados no dia 16 de janeiro pelo Departamento Federal de Estatísticas alemão, no ano passado a população do país – 82,21 milhões – sofreu uma diminuição de 100 mil pessoas em relação a 2006. Isso apesar de em 2007, pela primeira vez em dez anos, ter havido aumento no número de nascimentos e a entrada de novos migrantes, sem o que a queda teria sido muito maior. Esta tendência vem se registrando desde 2002, quando a Alemanha contava com 82,54 milhões de habitantes.

Infelizmente o fenômeno não se verifica só na Alemanha, mas em todos os países europeus. Ao mesmo tempo, cresce vertiginosamente a população muçulmana, pelo alto número de nascimentos em sociedades que não adotam os controles artificiais de natalidade que se generalizaram. Diante disto, que futuro aguarda o Velho Mundo?

Dissidente cubano acha que Lula foi elitista

Em entrevista ao “Estado de São Paulo” pouco depois da visita de Lula a Cuba, o dissidente cubano Oswaldo Payá reclamou do pouco apreço dele pela democracia, uma vez que o mandatário brasileiro esteve só com a cúpula do governo, não dando atenção nem ao sofrido povo nem à oposição.

Todo brasileiro medianamente informado sabe que assistem ao dissente sobradas razões.

Patenteia-se assim, mais uma vez, que os segmentos favorecidos pelo programa Bolsa Família só interessam ao nosso presidente na medida em que este pode utilizar-se deles para fins eleitoreiros.

Mais ou menos na mesma ocasião, os jornais brasileiros noticiaram que em 2007 o governo Lula libertou da escravidão mais de cinco mil pessoas. Ora, todo o mundo sabe que Cuba, ela sim, é uma imensa senzala. Inclusive dois de seus escravos tentaram se refugiar no Brasil quando dos Jogos Pan-americanos, tendo sido repatriados pelo governo brasileiro em avião venezuelano.

Como pretendem combater a inexistente escravidão no Brasil quando omitem, para dizer pouco, a clamorosa realidade cubana? Por que não ouvir e prestigiar o povo cativo e a oposição, em vez de destinar dinheiro ao regime opressor?