terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O “chavismo” em apuros

As coisas definitivamente não vão bem para Hugo Chávez. Após duas derrotas políticas – primeiro no referendo de dezembro para reformar a Constituição, depois na intermediação dos reféns das FARC –, ele acaba de ser ferido na jugular, o petróleo. A Venezuela é o oitavo produtor mundial e o quarto exportador para os EUA depois do Canadá, do México e da Arábia Saudita.

Com efeito, a líder mundial do ramo – Exxon Mobil –, após sofrer em 2007 processo de expropriação na Venezuela, já ganhou quatro ações em tribunais da Holanda, dos Estados Unidos, da Inglaterra e do País de Gales. Com essas medidas cautelares ela visa, de um lado evitar que a estatal de petróleo venezuelana PDVSA se mobilize para a venda de seus ativos no exterior enquanto durar o litígio, e de outro assegurar devida indenização se vier a perder a ação.
Só no tribunal de Nova York já haviam sido congelados US$ 300 milhões. E no dia 24 de janeiro último, tribunais da Inglaterra e do País de Gales determinaram o congelamento de US$ 12 bilhões.

Para se medir a extensão do golpe, basta considerar que o faturamento da PDVSA corresponde à metade do PIB venezuelano, já que o petróleo é a principal fonte de divisas do país. Por outro lado, a referida estatal padece de crescente problema de dívidas e vem tendo dificuldades operacionais por falta de inversões.

Com o petróleo pode fazer tudo, exceto comê-lo. Mas além de o setor estar mal administrado, tem havido queda de produção. Enquanto isso, os gastos do governo não param de crescer, os alimentos básicos vão escasseando, e a criminalidade atingindo índices alarmantes.

Brasil: 500 mil mortes em 10 anos!

Mas criminalidade alta não é apanágio só do “chavismo”. Segundo dados oficiais publicados na mídia, teria havido 500 mil mortes violentas no Brasil, nos últimos 10 anos. Um índice anual, portanto, de 50 mil mortes, mais letal do que o de um país em guerra contra um inimigo externo.
Como não adianta querer combater os efeitos sem conhecer as causas, importa saber quais são elas. São várias, como a imoralidade crescente, a crise da instituição familiar, as drogas... e evidentemente o demônio, inimigo mortal do gênero humano, sobre cuja atuação nunca é demais alertar.

Mas na raiz de todas essas crises está a grande crise religiosa e moral que padecemos nas últimas quatro décadas e que levou as pessoas a não mais distinguirem o bem do mal e a verdade do erro.

Perdendo-se essa noção, perde-se a própria noção de Deus, nosso sumo bem, “o caminho, a verdade e a vida”. E se as pessoas já não são mais capazes de amá-Lo sobre todas as coisas, como podem amar o próximo como a si mesmas?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Negociando mandamentos?

Sim, esta é a impressão que causa, de uma lado a nova arremetida do governo Lula contra a propriedade privada, ao anunciar para janeiro e fevereiro de 2008 um número de desapropriações maior do que em todo o ano de 2007, e de outro, o fato de a CNBB, após ter centrado em anos anteriores sua Campanha da Fraternidade em temas sociais ou neutros – por exemplo a água –, ter finalmente decidido entrar na campanha contra o aborto.

Como se sabe, a propriedade privada é de direito natural, pois é através dela que o homem desenvolve as suas potencialidades e provê ao futuro próprio e ao de sua família. Além de ter sido ensinada por muitos Papas em documentos oficiais, ela é assegurada por dois mandamentos da Lei de Deus: “Não furtar” (7º.) e “Não cobiçar as coisas alheias” (10º). A ela se opõe a propriedade coletiva ou socialista, que impede o homem de se expandir, ao concentrar tudo nas mãos do Estado. Quanto à vida humana, ela é assegurada pelo 5º mandamento: “Não matar”.

Sendo a Igreja Católica a guardiã da moral e, portanto, da fiel observância dos mandamentos, incumbe por dever aos Bispos e ao Clero se opor tanto à Reforma Agrária socialista e confiscatória quanto ao aborto, uma vez que ambos colidem frontalmente com os referidos mandamentos.

Entretanto, como o Brasil inteiro sabe, ao mesmo tempo em que a quase totalidade do Episcopado e do Clero até há pouco se omitia no combate ostensivo ao aborto, era e continua a ser a partir de organismos e elementos ligados à Hierarquia (CPT, CIMI, MST) que se faz praticamente toda a agitação agrária no Brasil. E portanto esta mega-ofensiva acenada pelo presidente Lula para janeiro e fevereiro não pode ser levada a cabo sem o concurso de ditos organismos e elementos.

Diante disso, a gente se pergunta se além da pressão da opinião pública contra o aborto, que teria levado a Hierarquia a rever sua posição, se não teria também havido algum acordo entre o Governo e o Episcopado por onde o primeiro cedesse no tocante ao 5º. mandamento (continuando embora a destruir a família através da imoralidade, de anticoncepcionais, preservativos etc.), deixando o segundo, em contrapartida, via livre com força total no referente aos atropelos ao 7º. e ao 10º mandamentos.

O neo-capitalista José Dirceu

Não foi só o presidente Lula que deveu sua ascensão a um capitalista, no caso o Vice-presidente José Alencar, que lhe obteve o aval de toda a classe empresarial. O próprio Lênin, estudante na Suíça, foi ajudado financeiramente por capitalistas para se deslocar até a Rússia a fim de começar sua revolução. Os contrários por vezes se encontram...

Após sua queda, José Dirceu é o mais novo amigo da antes detestada categoria. No primeiro mandato de Lula, por ocasião da posse, ele fez uma conclamação à revolução social. Hoje, anda de mãos dadas com aquele que é talvez o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim – dono, entre muitas outras coisas, da Claro.

Mas não se detêm aí as andanças do ex-terrorista, ex-ministro e atual consultor internacional: ele teria viajado diversas vezes a Madrid; não, ao que se saiba, para se encontrar com os embolorados sucessores de Santiago Carrillo ou da Pasionaria, mas para negociar em hotéis luxuosos com os capitalistas da rede Meliá, a construção de um complexo hoteleiro na praia cubana El Varadero. Quem não conhece sua cotação junto aos carcereiros barbudos da Ilha-prisão?

Parecem garantidos, por supuesto, os dividendos da transação, que só em manuais de principiantes causam horror ao revolucionário. Como isso também começa José Dirceu, aliado ao grande capital, a preparar o terreno para uma nova situação na Ilha que a iminente morte do Coma-Andante Fidel Castro parece prenunciar.

Schröder & Clinton

Mas se equivocaria quem pensasse que o penchant pelo mundo da alta finança é prerrogativa apenas do ex-homem forte do governo Lula (Ver artigo: O neo-capitalista José Dirceu). Outros homens bem mais fortes de países do chamado Primeiro Mundo, com orientação ideológica mais ou menos próxima da sua, trilharam o mesmo caminho. Assim Gerhard Schröder, ex-chanceler alemão.

Apenas deixou o governo, galgou uma posição de causar inveja a inúmeros executivos: tornou-se detentor de um dos mais altos cargos da estatal russa Gaspron, responsável pelo gasoduto que liga a Rússia à Alemanha. A construção desse gasoduto – autêntica corda metálica no pescoço da Europa, pronta a congelá-la no inverno se a Rússia decidir fechar a torneira – contou com vultosos financiamentos feitos pelo governo alemão durante a gestão de Schröder.

O “fraco” de Schröder pelo euro, contudo, parece não ser menor que o de Bill Clinton pelo “American bill”. Com efeito, segundo noticiou “The New York Times” em sua edição de 31 de janeiro p.p., Clinton intermediou, em setembro de 2005, uma obscura transação entre o magnata canadense Frank Giusta e o governo do Cazaquistão na compra de três minas de urânio, em viagem de dois dias que fizeram àquele país no jato particular de Giusta. Alguns meses depois, este doava à Fundação Clinton US$ 31 milhões, e mais tarde, US$ 100 milhões...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Surfando nas ondas do conservadorismo

Chegou a ansiada “Super-terça”, quando delegados do Partido Republicano e do Democrático de 24 Estados norte-americanos escolheriam seus candidatos às eleições presidenciais de novembro.

No campo republicano prevaleceu a preferência por John McCain, vencedor na Califórnia e em New York, e que detém o dobro de votos de seu contendor mais próximo, Mitt Romney. Em terceiro lugar ficou Mike Huckabee. Do lado democrático a disputa continua renhida entre Hillary Clinton e Barack Obama, com pequena vantagem para a primeira, também vencedora nos dois Estados acima, embora Obama detenha maior número de pequenos Estados.

Veterano do Vietnã, McCain vem sendo apoiado pelos moderados do Partido Republicano e por independentes. Ele precisa agora convencer a ala republicana mais conservadora de que realmente afina com ela, pois nesse segmento ele encontra uma “animosidade muito extensa e muito profunda”, segundo o velho estrategista em “Super-terça”, Eddie Mahe.

Quanto à disputa Hillary Clinton x Obama, sem divergências ideológicas entre si, a primeira tem conseguido galvanizar o voto latino, enquanto o segundo, o de afro-descendentes. Um particular digno de nota é o desprestígio do clã Kennedy: considerado dono político de Massachusetts e tido pelos conservadores americanos como paradigma da esquerda, alinhou-se decididamente à candidatura de Obama. Foi derrotado na própria casa, prevalecendo Hillary Clinton.

Se no Partido Republicano já se delineou o virtual vencedor e se no Democrático ele ainda é indeciso, já existe no cenário um vencedor definitivo, não só das prévias como das eleições de novembro: o Conservadorismo, em cujas águas surfam os candidatos de ambas as legendas.

* * *

Sirva-nos isto de lição. Essas ondas conservadoras são interativas, não existindo Muralha Chinesa capaz de as conter. E ainda há entre nós políticos que em momentos cruciais se intimidam em defender idéias conservadoras, deixando livre o caminho aos demagogos da esquerda, que só se impõem na medida em que ocultam seu pensamento.

Que abra os olhos a nossa classe política, acostumada também a nos impor como prato feito os menos apetecíveis candidatos, não deixando ao eleitor qualquer possibilidade de escolha. Pois mais grave do que a clássica comparação com o espelho (“o espelho reflete sem falar enquanto o político fala sem refletir”) é compará-la com o cego que não vê a realidade. E a realidade é que a opinião pública – espelho da Nação – muito tem refletido, muitas vezes sem falar. E tirado conclusões. Tanto a respeito de pretensos representantes como dos mais diversos assuntos de interesse nacional.

Deu na revista “Catolicismo”

Terroristas arregimentam índios nas fronteiras da Venezuela – O presidente venezuelano Hugo Chávez abriu as portas para terroristas do Hezbollah fazerem doutrinamento de silvícolas no país.

O Hezbollah, grupo financiado pelo Irã, já perverteu ao maometanismo a tribo Wayuu, dos índios Guajiros, que vivem entre a Venezuela e a Colômbia. As mulheres portam o véu islâmico, os homens treinam com fuzis russos Kalashnikov, e as crianças aprender a ler o Corão. Alguns se fizeram fotografar como homem-bomba.

O Brasil e a Venezuela têm reservas indígenas fronteiriças na altura de Roraima. No momento em que o governo Lula quer expulsar os arrozeiros da reserva Raposa Serra do Sol, o Hezbollah, auxiliado pelos petrodólares, poderá tentar perverter os índios brasileiros da região, como já fez com os Wayuu.

Volta à tona o desarmamento

Enquanto Chávez compra cem mil fuzis da Rússia, ameaça os adversários de Evo Morales com um banho de sangue e faz ameaças à Colômbia; quando ele se arma até os dentes, protege e defende as FARC e instala células do Hezbollah em território próximo da fronteira com o Brasil; enquanto o MST invade, incendeia e profere novas ameaças; enquanto isso o Estado brasileiro, incapaz de proporcionar segurança adequada a seus cidadãos, tenta privá-los ainda mais do direito natural de possuir uma arma para se defender!

Afinal, se o governo tivesse prevalecido no referendo de 2004 com os 66% auferidos pelo “Não”, teria certamente decretado uma cláusula pétrea sobre o assunto; mas como perdeu, volta à carga.

O argumento agora se baseia em novas e controversas estatísticas sobre uma pretensa diminuição da criminalidade que teria ocorrido desde a implementação do Estatuto do Desarmamento, apresentada por um especialista e contestada por alguns.

Embora se declare em contenção de despesas após perder a CPMF, o governo parece disposto a desembolsar alguns milhões de reais em outro referendo. Espera assim fazer prevalecer sua ideologia sobre o pensamento corrente na opinião pública sobre o assunto, cujo mais recente eco foi o espetacular sucesso de bilheteria do filme “Tropa de Elite”.