quinta-feira, 13 de março de 2008

LIVRO NEGRO DA REVOLUÇÃO FRANCESA




Reabilitação da Rainha Maria Antonieta

Na França, país cuja história influenciou profundamente o regime político e a vida social e cultural de todos os povos ocidentais, estão na ordem do dia dois acontecimentos de grande significado.

O primeiro deles é o espetacular lançamento, pelas edições du Cerf, do Livro Negro da Revolução Francesa, de 882 páginas. Elaborou-o, sob a direção do Pe. Renaud Escande, OP, um pequeno batalhão de 46 historiadores, entre os quais Pierre Chaunu, Jean Tulard, Emmanuel Leroy-Ladurie, Jean-Sévillia e Jean-Christian Petitfils. É o Tribunal da História julgando o Tribunal Revolucionário de 1789. Lançado em janeiro de 2008 ao preço de 44 euros, já está na terceira edição. Em apenas três semanas, escoaram-se 10 mil exemplares!

Aliando erudição com farta documentação, seus autores recompõem para a posteridade o verdadeiro rosto da Revolução Francesa – sanguinária e cruel, perseguidora da Religião e da Monarquia – que os manuais de história, a literatura, os meios acadêmicos e de comunicação social insistiam até há pouco em apresentar sempre maquiado.

Eis as palavras introdutórias ao Livro Negro da Revolução Francesa:
“Legítimos e gloriosos, festivos e fraternais, frutos de uma ‘razão’ esperada pelos séculos: é assim que são habitualmente apresentados os acontecimentos daquele que foi um dos períodos mais sangrentos da História, inaugurando tragicamente uma sucessão de revoluções e de conflitos que marcaram a Europa até a metade do século XX.

“É sempre do interesse de uma nação fazer brilhar alguns mitos fundadores, e do interesse dos que tomaram o poder, de mascarar a violência e arbitrariedade sobre as quais eles impuseram sua dominação. Mas a História não é escrita como a mitologia, e sua exigência de verdade não deveria ser atravancada por pretensões utilitaristas. Esta obra não pretende ‘enegrecer’ fatos que falam por si. Esta violência inaudita – que entretanto se reclamava das Luzes – produziu uma onda de choque tal, que deveria estender-se por diversas gerações. Ela levou consigo, sobre o fenômeno revolucionário, toda uma série de obras e de reflexões críticas, das quais se nega muito rapidamente, com freqüência, a legitimidade.”
* * *

O segundo acontecimento diz também respeito à reconstituição da verdade histórica sobre a Revolução Francesa. Trata-se do anúncio de uma grande exposição sobre a Rainha Maria Antonieta, a realizar-se no Grand Palais a partir de 15 de março de 2008. O semanário “Valeurs Actuelles” dedicou-lhe uma substanciosa matéria de capa intitulada “Maria Antonieta superstar”, que seu colaborador Laurent Dandrieu inicia com estas palavras: “Maria Antonieta volta ao centro da atualidade. O tempo joga a favor da mais vilipendiada das rainhas da França, que não cessa de cativar os corações e as imaginações.

São as voltas que a História dá: em nome da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, a Revolução Francesa cometeu os piores crimes que imaginar se possa. E, a exemplo do que sucede com os criminosos, acabou, também ela, no banco de réus... Enquanto isso, “a mais vilipendiada das rainhas”, Maria Antonieta, injustamente condenada à guilhotina pela turba revolucionária, desce das sombras do cadafalso e dá início a uma ascensão rumo aos galarins da glória. Nos braços do povo francês.

Um comentário:

Miguel Saquarema disse...

Aguardando a versao em portugues...